quinta-feira, julho 17

Quase, quase as vidas de Verão

Para os amigos das férias que vão passando por aqui, espero vê-los de novo em breve:

Gosto de voltar aos nossos locais de Verão, às nossas praias, aos areais onde nos sentimos bem, reencontrar caras antigas (a maior parte sem nome), que vemos de ano para ano e também de amizades construídas em abrigos de vento em clima instável.
Entretanto os meninos ganharam corpo, as meninas cabeça, as mulheres cabelos brancos e os homens alguma barriga. Todos cresceram bem, envelhecem melhor e nós envelhecemos com eles. Tudo está nos seus lugares, previsivemente, como deve ser. São alguns dos prazeres desta sazonalidade conservadora feita de hábitos, ritmos e rotinas de anos e anos. Porque é assim e porque queremos que seja assim.
Os jovens de outrora cresceram, hoje são jovens adultos com vida profissional, as adolescentes do ano passado trazem os namorados, chegam mais bebés e também gente que vai desaparecendo. Se olharmos bem, lá estão os lugares onde nos habituámos a vê-los e a cumprimentá-los. Não creio que sejam esquecidos.
Presenciamos as rotinas de cada um e que se vão alterando com o passar dos anos, com a liberdade dos mais novos, os casamentos dos mais velhos, até ficarmos nós, espectadores de cadeiras ao sol, em longas e serenas tardes. Muitos hão-de ser avós e de novo se hão-de repetir amorosamente ritmos há muito abandonados.
Há liberdade de não fazer nada, de compras de fim de tarde, do ritmo ao sabor do tempo, vidas distantes ligadas por um espaço comum, reencontradas no presente com um ano de passado. Por isso gosto de ver novos pais encantados, avós deliciados, os meninos a crescer, as meninas a aprender, sorrir às fases dos armários, o gosto de os ver sair, crescer e amadurecer.
É o tempo que pára e que sossega mesmo nas noites longas, com a certeza de que lá estaremos de novo nas nossas cadeiras, faça sol ou frio, as mesmas caras, as crianças e com as rotinas que escolhemos.
Para o ano logo se vê. Se nos voltarmos a ver de novo é bom. Muito bom.
Se olhar para cima, lá estão as cadeiras outrora ocupadas. É quando se sente o vento frio que vem cá de dentro e as saudades dos meus amores.


3 Comments:

Blogger Once said...

que texto comovente Miss Pearls .. e realmente, às vezes apetecia-me não ter memória ..

Beijinho *

10:08 da manhã  
Anonymous Maria Alice said...

Excelente texto! O "pior" é quando tudo isso que deliciosamente descreve, por circunstências várias se desmorona; ficam apenas boas recordações de tempos que já não voltam e as férias não são mais que uns dias de descanso num lugar sem história, sem caras conhecidas ainda que sem nome, sem rituais que com prazer se repetem!

BOAS FÉRIAS!

11:20 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Miss

Um aperto no coração

Mas lá estaremos na barraca das riscas, lugar de décadas. Os nossos meninos mais crescidos, nós mais velhas,mas vamos sempre com a mesma vontade de nos sentarmos nas cadeiras em frente ao mar.

E, sim Miss Pearls, "Se olhar para cima, lá estão as cadeiras outrora ocupadas. É quando se sente o vento frio que vem cá de dentro e as saudades dos meus amores."

Ontem, o DN - secção DN Verão - tinha uma artigo, "Agosto é que é o Verão de Sáo Martinho".

mt

1:42 da manhã  

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