terça-feira, abril 8

No céu como na terra

Primeiro foi o metropolitano, brevemente serão os aviões. Há muito, muito tempo, (2 anos), o metro era um dos poucos locais onde não se ouviam telemóveis, o que significava algum silêncio naquele espaço tão acanhado. Depois vieram os toques polifónicos de galinhas, rock, jungle, dance, magic flute, raga song, athens, music dj demo e a necessidade de estar sempre contactável.
Dentro de alguns meses serão os aviões, um dos poucos redutos onde estavamos a salvo de toques variados, avisos de mensagens e conversas maçadoras. E o nosso sossego, senhores? Adormecer em Lisboa e acordar em Londres com uma revista abandonada nos joelhos, tantas vezes depois de uma noite curta. Era a pensar na nossa tranquilidade que distribuiam auscultadores à vontade do freguês remetido a uma convivência forçada mas de pouca duração. A proximidade dos restantes passageiros, anónimos companheiros de viagem, era dissuasora de qualquer privacidade a baixa voz ou incontinência verbal em tons estereofónicos. E eu gostava daquela paz nas alturas.
Fico sempre surpreendida quando, na aterragem em Lisboa e mesmo antes de ser permitido, vejo dezenas de dedos a precipitarem-se para os aparelhos, incapazes de conter por mais tempo a ansiedade provocada por duas duas ou três horas de ressaca tecnológica.
Se bem que as companhias tenham que encontrar formas de preservar o silêncio na cabina, limitando o serviço a mensagens ou acesso ao correio electrónico, desconfio que nada será como dantes: o ruído é tão maçador na terra como nos céus.

3 Comments:

Blogger $@rit@ said...

Concordo a 100%! Sempre achei curioso que existam criaturas que assim que a rodinha do trem de aterragem toca no chão, já estão a sacar do telemóvel!

Nunca se sabe se num vôo Lisboa-Barcelona por exemplo... com a mais que extensa duração de cerca de 1h e tal... pode ter ocorrido um cataclismo brutal na Terra!

Haja paciência!! Espero que as companhias aéreas não sigam o exemplo do metro...

10:46 da manhã  
Blogger **** said...

É bem verdade!
Tenho a sorte de já ter andado em muito canto deste mundo e constato isso mesmo... e não são só os portugueses.

Pressagio a perda do sossego nos céus.
Mais uma contrariedade a que nos teremos que adaptar, ou não seja o ser humano exímio na capacidade de adaptação.

12:00 da tarde  
Blogger MissPearls said...

Sim : um cataclicmo,
parece que jã não se vive sem estar dispoível. eu uso o telemovel só quando tem mesmo que ser.

É verdade . lá teremos de nos adaptar a mais uma novidade .

2:52 da manhã  

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