terça-feira, agosto 16

A oeste nada de novo (2)

A gula dos estabelecimentos de restauração vai devorando os passeios e os que estavam em más condições o verão passado continuam por reparar. Naturalmente há tascas que há muito deviam estar fechadas, mas eu sou só turista e posso escolher; fujo da javardice e do mau aspecto como Maomé do toucinho.
A crise também parece ter-se instalado nas janelas das casas, tal é o número de placas com “vende-se” ou “aluga-se”. Entretanto os mais sensatos tentam adaptar-se aos novos tempos, criam novos hábitos e largam velhos vícios. Para além desgraça a céu aberto, hão-de safar-se melhor os mais prudentes e os mais ricos. A miséria tem cada vez mais dificuldade em se manter escondida, mas a pobreza, essa está bem presente nas estatísticas malditas que não param de crescer.
Encontro praticamente as mesmas caras, gente que o tempo e as vicissitudes da vida trataram melhor ou pior, mas revejo-as sempre com gosto. Espero encontrá-las no ano que vem, com mais ou menos rugas, um quilito em excesso, mas sempre com saúde. De ano para ano as expectativas vão diminuindo e a esperança agarra-se como se pode, sem a força de outros tempos, mas nem por isso menos presente.
Entretanto o sol recusa-se a aparecer e parto para novas pastagens mais amenas longe das quebras de lealdade e das minudências sem sentido que acabam por nos cercar (e quebrar).
Comigo levo sempre a saudade dos que me amaram sem condições e uma mala cada vez mais leve. A idade não nos cura os desgostos, mas torna-nos mais práticas.
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