sexta-feira, dezembro 12

Os amantes dos gatos

Joana, gato argentino, Camila e gato francês em cima de bicicleta
Não tenho gatos em minha casa nem nunca tive, por isso talvez não compreenda a pena que o dono do bicho deve sentir para ter espalhado pelo bairro inteiro fotografias enormes a cores do bichano desaparecido.
Devo ser, por assim dizer, uma ajudante de proprietários de gatos, com o dever de, durante a ausência dos mesmos, alimentar os que vão aparecendo na rua, em local combinado entre todos. Os mais esquisitos, saltam para o parapeito da janela da cozinha onde os espera uma taça com comida, sem se assustarem com os movimentos no interior.
A Camila apareceu primeiro e tem já uma colega a quem não liga nenhuma. Não quer que a macem. Recentemente, apareceu outra minorca, abandonada pela mãe junto às obras de uma vivenda. Ela e mais cinco iguais a ela. Com dedicação, cotonetes com soro para limpar os olhos, leite a biberom, desparatizante e carinho, todos sobreviveram e estão já instalados em casa de quem provou ser merecedor de todos eles, depois de alguma criança ter reparado em mais esta oferta de gatinhos no bairro.
Tenho amigas que adoram gatos, são beneméritas de instituições, recolhem os doentes e acarinham os vivos. Os bichanos são uns reizinhos com nome de gente, outras são umas princesas em casa de amigos. Há quem escreva poemas sobre gatos, canções com letras de gatos e juro que desconhecia que houvesse tantos felinos famosos.
Eu sou só ajudante de gatos: depois de mais de duas horas a montar um presépio, um besnico de meses destrui-o por completo três vezes seguidas. Sem piar, consertei-o três vezes seguidas. É tão querida, a Rosita.
Perguntaram-me um dia destes ao telefone por que não escrevia poesia (ao menos um poema) sobre os meus gatos; mas quem se interessaria pelos meus gatos, cuja única evidência é serem meus (digamos assim) e serem gatos (coisa vasta, mas que acontece a todos os da sua espécie)? Este poderia (talvez) ser um tema (talvez até um tema nobre), mas um tema não chega para um poema nem sequer para um poema sobre; porque é o poema o tema, forma apenas. Depois, os meus gatos escapam de mais à poesia, ou de menos, o que vai dar ao mesmo, são muito longe ou muito perto, e o poema precisa do tempo certo de onde possa, como o gato, dar o salto; o poema que fizesse faria deles gatos abstractos, literários, gatos-palavras, desprezível comércio de que não me orgulharia (embora a eles tanto lhes desse). Por fim, não existem «os meus gatos», existem uns tantos gatos-gatos, um gato, outro gato, outro gato, que por um expediente singular (que, aliás, também absolutamente lhes desinteressa) me é dado nomear e adjectivar, isto é, ocultar, tendo assim uns gatos em minha casa e outros na minha cabeça. Ora só os da cabeça alcançaria (se alcançasse) o duvidoso processo da poesia. Fiquei-me por isso por uma prosa, e mesmo assim excessivamente corrida e judiciosa. Manuel António Pina
"História de gatos"-Música com letra de Luisa Ducla Soares
Post dedicado à minha irmã, cunhado, Zeta, Ana C., Joaquina, Carla, Eduardo, Jorge e a todos os que gostam de gatos .

7 Comments:

Blogger Margarida Pereira said...

Miau... (trad.: Com licença...) Purrrrrrrr...
Miaaaaaauuuuuuu (trad.: sucede que ontem coloquei um 'post' a propósito de doze (!!) lindíssimos felinos - só divulgeui as fotos de dois, para já) que estão a necessitar de adoptantes...
Recebi o apelo por e-mail e se houver candidatos, está lá o necessário para se dar sequência ao processo...)
Miau, miau!! (trad.:são lindos, lindos!!)

(eu tenho duas cadelas (Grrrr, béu. uouf!) (e quatro gatos 'refugiados'), por isso... no can do...)

E é Natal, e assim..., ninguém quer..., pode?
Hã?...

8:58 da tarde  
Blogger jojo said...

Quem te viu e quem te vê!....
:D
Estás boa?

beijinhos
jo

11:58 da manhã  
Blogger M Isabel G said...

jo:
Sabes que quando escrevi isto me lembrei logo de vocês? uma casa onde havia tanto carinho pela bicharada? Ainda me lembro da morte do cão. Imagina!
Estou boa sim.
Gostava imenso de te ver. Já fui casa nova:)
Beijinhos
saudades a todos

12:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

A gataria anda muita entusiasmada com as bolas da árvore, as velas e o presépio. Nós além da Camila e da Rosita ainda temos o simpático Dudas, um cão preto. Os gatos da rua, todos os dias são alimentados com ração e leite morno e também lhes pusemos umas mantinhas aproveitadas de mantas do Ikea perto da caldeira, sítio que está quente e eles gostam de lá estar e também dentro da casinha do jardim.
Conhecemos todos os gatos da rua. Parte se nos o coração saber que estão ao frio e com fome. Estas gatas dondocas não gostam uma da outra e disputam o sofá da sala ao cola da Zeta e tambem a manta aos pés da cama.
Miss, a foto da Camila está muito gira. Falta a Rosita.

T;J e Z

11:44 da tarde  
OpenID sylviaoreilly said...

Isabel, lindo lindo post, ainda mais pra um domingo (esse dia triste da semana).
Adoro gatos, gosto muito de animais carinhosos e independentes ao mesmo tempo.
Tenho um apenas, grande e preto, já é um filho... hehe
Beijos

12:44 da manhã  
Blogger Tulicreme said...

Para os blogueiros amantes da bicharada, deixo uma espécie de desafio que publiquei no meu blog aqui há uns dias:

http://paocomtulicreme.blogspot.com/2008/12/marley-eu.html

Isabel, desculpa a intromissão ;)

1:50 da tarde  
Anonymous allen said...

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Legenda: Sancho acabando de passar por cima do teclado em jeito de agradecimento.

2:24 da tarde  

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