terça-feira, maio 27

Os outros

Em três dias morreram em Espanha, a curta distância, quatro operários portugueses que por lá encontraram trabalho na construção civil. A Guardia Civil procura explicações para esta desgraça mas não encontra. "Não tem dados. Pode apenas tratar-se de uma triste coincidência. Não sabem". Por cá, leio que "aparentemente trata-se de um caso de sonolência ao volante, cansaço ou simplesmente distracção". Ou excesso de velocidade, como poderá ter sucedido no primeiro desastre. Diz um outro operário a trabalhar em Espanha:"Contra mim falo, pois também abuso na ânsia de chegar a casa para junto da mulher e dos filhos. Depois de uma semana inteira a trabalhar cerca de 13 a 14 horas por dia, carregamos no acelerador e as coisas acontecem".
Não se trata de emigrantes que vêm uma vez por ano a Portugal. É gente com filhos pequenos (o mais velho das vítimas tinha 35 anos), alguns com laços familiares entre si, de meios rurais pobres que só encontra sustento do lado de lá da fronteira e que se desloca a casa aos fins de semana para estar com a família. E é na estrada que fica a vida de um corpo exausto e cheio de trabalho. "Aqui no Douro não temos condições de sobrevivência, o trabalho é precário e mal pago. O meu irmão pagou com a vida a ambição de uma vida melhor para si e para a família, arriscou e perdeu", são as palavras da irmã da última vítima.
Vi na televisão as aldeias de onde sairam, vi as famílias doridas e a gente fica a pensar.

1 Comments:

Blogger Once In a While said...

.. sem dúvida Miss Pearls, a pensar no porquê e no onde .. onde está a "justiça" nesta vida para tantos de autêntico sacrificio..

Beijinho *

10:15 da manhã  

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