terça-feira, outubro 24

Pela vida

Para defender o voto no Não no referendo ao aborto, diversos cidadãos criaram o Blogue do Não. Assim como eles, também penso que "a defesa da vida constitui não só um imperativo de consciência mas também uma questão civilizacional que pretendemos preservar." Assim como eles, considero que "os rótulos só metem medo a quem não tem convicções." Também eu entendo a intervenção pública como um acto de cidadania. Pela vida. Sempre pela vida.

8 Comments:

Anonymous joão ferreira dias said...

nunca esquecendo o seu direito à opinião pergunto-lhe miss pearls, com todo o respeito, e se você tivesse um filho deficiente como iria lidar com a situação? Não seria um egoísmo obrigá-lo a ser infeliz só por felicidade sua?

cumprimentos

11:00 da manhã  
Blogger MissPearls said...

João,
Para mim não há filhos deficientes nem filhos não deficientes. Há filhos.
"Obrigá-lo a ser infeliz" Então uma mãe não quer os seus filhos todos felizes? Não é isso que faz a felicidade de uma mãe?

Desculpe João Ferreira Dias, mas nunca me passou pela cabeça essa forma de ver a vida. Fui criada com muito amor, sabe?

11:32 da manhã  
Anonymous joão ferreira dias said...

eu nunca disse que não o foi cara miss pearls. não me interprete mal. o que digo é o seguinte: e quando os pais morrem quem toma conta do filho que necessita de cuidados permanentes. Não digo que os pais não gostem desses filhos como gostariam caso eles não sofressem de qualquer problema.

p.s. posso-lhe enviar um texto que escrevi sobre o assunto e que foi publicado no jornal destak?

12:03 da tarde  
Blogger jMAC said...

lá estaremos. sem bandeirinhas em punho. mas com todas as dúvidas que assaltam a consciência.

2:29 da tarde  
Blogger Rita said...

Cara Miss Pearls: eu vou votar «sim» no referendo e espero que a maioria das pessoas também o faça. Por oposição à sua opinião, não me considero «Pela Morte». Considero-me, isso sim, pela igualdade de direitos de quem toma uma decisão que não é fácil.

Porque acho que tem o direito de ser tratada com segurança a mulher que não tem dinheiro para ir a Espanha ou a Londres e tem de se enfiar nas mãos de um carniceiro.

E choca-me que muitos defensores do Não vejam esta posição como um ataque à vida. Como se de alguma forma quem vota «sim» defenda a prática do aborto. Eu não o faço e acho até que muito dificilmente tomaria alguma vez essa decisão.

Os abortos não diminuem por serem um crime. Podem é aumentar as mortes pelo facto de muita gente recorrer a pessoas e locais sem condições para praticar tal intervenção.

Mais. Acredito que com a despenalização, e com o facto de as mulheres se dirigirem a centros legalizados, serem vistas por médicos, atendidas por profissionais, vai fazer com que saiam de lá mais preparadas para a contracepção e para evitarem que tal volte a acontecer.

Se há gente que aborta quando tem condições para ter um filho? Há. Se há gente que o faz displicentemente? Há. E alguém o deixou de o fazer porque existe esta lei? Não creio. Mas creio que a esmagadora maioria das mulheres que toma essa decisão o faz penosamente e sofre com ela.

E depois há aqueles - esses sim eu considero extraordinários - que querem manter a lei mas não querem que ela se aplique. Ou seja: acham que as mulheres não devem ir a tribunal. Mas não consideram o aborto um crime? Então? Custa-lhes verem mulheres a serem julgadas por fazerem uma IVG? O que se passa? Se uma lei não é cumprida é porque não serve e por isso deve ser mudada. Descriminalizar para continuar tudo clandestino é atirar toda a gente ainda mais para o fundo da escada.

Se todos acham que esta é uma questão de consciência, então deixem que as consciências decidam. Porque votar sim não obriga ninguém a abortar, mas votar não pode obrigar mais gente a morrer.

4:28 da tarde  
Anonymous Vito said...

Cara Rita,
Todos sabem que há mulheres que querem abortar. Muitas vezes por razões compreensíveis. Mas o problema é que não se pode olhar apenas para o ponto de vista da mulher.
Temos que ter consciência que do outro lado, ou melhor, dentro dela existe uma criança.
A Rita, pelo que percebi, tem crianças. Estou certo que sentiu o mesmo que eu senti (embora eu seja pai) quando sentiu os primeiros pontapés dos seus filhos ou, se teve a sorte como eu, quando viu as ecografias dos seus filhos com 8 semanas. O que sentiu e o que viu não eram coisas, nem animais, nem meros fetos (palavra hoje muito utilizada para evitar a palvra bébé). Era o seu filho que estava vivo. E filhos iguais a esses que sentiu e que viu são aqueles que acabam por ser mortos por razões de conveniência.
Os inconvenientes (por muito graves que sejam) não se resolvem com a morte de uma pessoa. Resolvem-se com a ajuda da sociedade que tem que se organizar para ajudar nesses casos as crianças e especialmente as mães (e os pais quando ainda lá estão).
Não se pode deixar uma consciência decidir entre a morte e a vida. Senão acabamos no relativismo e na anarquia.
Se há vida (ou se pelo menos existe a dúvida de haver vida) então esta deve ser preservada e só em casos de extrema gravidade (como os que se prevêem hoje na lei) é que a sociedade deve permitir a sua perda.

12:50 da manhã  
Anonymous Gonçalo Ameal said...

Ao João Ferreira Dias: se calhar já não vê isto mas eu conheço pessoalmente uma mulher que teve uma filha deficiente sabendo disso, e cujo testemunho anda pela net. Se quizer eu mando-lhe por email porque é longo. Cumprimentos, Gonçalo Ameal.

5:45 da manhã  
Blogger cinderela-dos-pes-grandes said...

Rita, concordo com o modo como aborda a questão.

Para mim, é simples: despenalizar já, e investir para que as pessoas recebam informação adequada sobre meios eficazes de contracepção, de modo a reduzir o uso de um recurso tão extremo.

É uma questão pessoal, não vejo que o estado deva intrometer-se a este nível. Mas deve, isso sim, desenvolver medidas educativas para que ninguém tenha que se ver nestes apuros. ISTO é que luta eficaz contra o aborto, pois a criminalização não impedirá que continue a haver abortos.

8:09 da tarde  

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