terça-feira, outubro 10

Blogging

(Zurique-Lago)
Sobre Raymond Carver, um dos meus autores favoritos, o post do Pedro Correia, no Corta-Fitas:"O universo de Carver é povoado de quadros agrestes, de visões desencantadas de um quotidiano onde a esperança há muito deixou de morar. É um mundo citadino, contemporâneo, cheio de personagens que andam à margem do afecto - um mundo de vencidos da vida, confrontados com a erosão de toda a espécie de ideais. (...) De que falamos quando falamos de amor? De tudo isto: nenhum caminho é tão estreito como o que nos conduz à ilusão da felicidade. Carver, que teve uma vida dura e dolorosa, sabia bem do que falava. Falava de sentimentos em convulsão. Falava de cada um de nós, afinal - e dos frágeis fios que emprestam estabilidade emocional à vida. "
Do Eduardo Pitta, um texto com tudo, sobre a construção de uma torre de 100 metros junto à marina na vila-mártir de Cascais: "No tempo de Judas, foi possível construir uma Reboleira de luxo nos terrenos, então devolutos, que se situam entre a Praça de Touros e o Farol da Guia. O resultado é dantesco. Entrou Capucho e a área construída aumentou. No downtown, junto à estação de comboios, continua de pé um centro comercial que até na Brandoa seria ridículo. (...) O ponto não é a marginal de Cascais. Nem sequer a anunciada torre de 100 metros na marina. O ponto é a petição. Não está em causa a sua oportunidade. Mas em Lisboa e Cascais, onde a generalidade dos condutores acha natural estacionar em cima dos passeios, mesmo quando há lugares vagos de parqueamento ao lado, e onde muita gente deixa o carro estacionado em segunda fila (...) como é que petições em nome da qualidade de vida podem ser levadas a sério? Era mais eficaz começar pelos pilaretes, como acontece em todas as cidades civilizadas, de Londres a Madrid. E então, depois de disciplinada a rua, olhar para cima."

3 Comments:

Blogger vinagre said...

Obrigado pelos três minutos e meio de Sarah Vaughn(AH! os arco-íris à preto e branco...)
Coloco aqui este comentário porque parece-me que Sarah Vaughn fica bem a acompanhar a leitura de Raymond Carver.Parece-me que ambos conheciam bem o caminho estreito...

7:45 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Cascais passou a lixo o que é uma pena. Diz que se deita o Estoril Sol abaixo, paga-se aos proprietários que já o iam fechar, deixa-se como contrapartida aumentar em altura o casino do Estoril e agora vem a Torre. Boa!

12:38 da tarde  
Anonymous Paulo Ferrero said...

Pois o ponto é mesmo esse, mfba, invoca-se isto e aquilo (e bem) para se deitar abaixo o Estoril-Sol e agora vem a torre? Não pode ser.

Quanto ao texto de E.Pitta, há que referir o seguinte: Judas foi inenarrável e é um caso de polícia. Mas a hecatombe de Cascais começou bem antes... começou com a Torre do Infante, do Arqº Athouguia, que a trouxe como ideia depois de uma ida a Brasília; passou pelas torres do J.Pimenta, os pavilhões prá-fabricados a que alguns chamam liceus, etc.; depois foi a vez de Roseta, d'Argent e, finalmente, Judas.

90% do edificado aberrante da gestão AOC é herança, pura e simples... a que um orçamento como o da CMC pouco pode fazer para demolir, ou pagar indemnizações. Por isso, ainda mais chocante é esta ideia da torre, pois apagará um bom mandato... a ver vamos

2:23 da tarde  

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