segunda-feira, março 27

Gostar
(...)Assim, o nosso mundo compõe-se não de duas categorias, mas de três: aqueles de quem gostamos, aqueles de quem não gostamos e aqueles de quem gostamos porque gostam de nós. Como disse, muitas vezes estes últimos não são exactamente amigos, embora usemos essa palavra para simplificar. Mas oferecem-nos, por razões que sabem ou não sabem, uma bonomia de espírito, uma cordialidade, uma interrupção no homo hominus lupus do quotidiano. São amigos ocasionais, fortuitos, que nos fazem pequenos favores, que nos facilitam a vida, que nos oferecem um café, que nos defendem das sacanices. Por vezes, os amigos deixam de o ser, separados por uma qualquer cortina maligna. Mas os amigos ocasionais, esses de quem gostamos por gostarem de nós, lá estã. Fiéis. Mostrando que a espécie humana talvez não esteja condenada. Talvez.
Mexia, Pedro- Primeira Pessoa. Lisboa, Casa das Letras, 2006
Já conhecia a maior parte dos textos, mas a crónica da pág. 34 é a minha favorita, por motivos mais pessoais que literários.

2 Comments:

Blogger Busy said...

Mesmo assim prefiro um "amigo" a um da última categoria à qual eu atribuo o nome de "conhecidos" :) o "conhecido" pode ser meu "conhecido" a vida inteira, mas nunca me vai conseguir fazer feliz como "o amigo" me conseguiu fazer aquele momento, mesmo antes daquela "cortina maligna" nos afastar :)

9:08 da tarde  
Blogger Ângulo Saxofónico said...

Também não subscrevo de todo o post do Mexia. Até porque aquilo que me mostra que a espécie humana talvez não esteja condenada não só não precisa de mim como não quer saber de mim para nada.

6:07 da manhã  

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