Domingo, Maio 29
Sexta-feira, Maio 27
Marina Abramovic-The Kitchen I. Homage to Saint Therese, 2009-BESart-Colecção Banco Espírito Santo
Franz von Stuck-Wounded Amazon,
Mona Hatoum-Over my Dead Body,
Onorio Marinari-Saint Catherine Reading a Book-
Isabel G. "Auto-retrato" (colecção da autora)
Terça-feira, Maio 24
Coluna Infame
Quem anda nesta coisa dos blogues há relativamente pouco tempo, porventura não saberá quem foi a Coluna Infame.
Eu só posso dizer que foi o primeiro blog português e uma das razões pelas quais estou aqui. Na próxima SESSÃO - CAFÉ DOS BLOGUES - Quinta-feira, dia 26 de Maio, às 19H00 - Livraria Almedina do Atrium Saldanha, em Lisboa, lá estarão o João Pereira Coutinho, Pedro Lomba e Pedro Mexia.
Ainda não aconteceu, mas posso já dizer que foi muito engraçado.Coordenadora/Moderadora: Carla Quevedo (Bomba Inteligente)
Arquivos da Coluna Infame
Segunda-feira, Maio 23
Comer fritos, beber cañas e acreditar que um mau Governo deve ser castigado nas urnas
"Fui mais vezes a Espanha em 2010 que nas quatro décadas anteriores. Fiquei a gostar muito daquela gente que come fritos, bebe cañas e fuma como se não houvesse amanhã. Acima de tudo, encantou-me trabalhar com espanhóis.
A quantidade de bulshit diminui consideravelmente mal se atravessa a fronteira. A conversa de merda, essa tradição portuguesa, nunca perturba as reuniões com nuestros hermanos. É um país que se revela a criar empresas, a fazer produtos e a obter resultados."(...)
No VIDA BREVEHoje, por aqui, somos todos sevilhanos, mas amanhã deixamos de o ser porque não se aguenta o flamengo.
Domingo, Maio 22
Beira-rio
Santa Engrácia não tem culpa nenhuma, a desgraçada, tantas vezes invocada em referências pouco elogiosas a obras portuguesas. É o caso da frente rio com a construção do metro, do saneamento e não sei que mais, nada feito em simultâneo, abre, fecha, destrói, e para se levantar qualquer coisa é esta apagada e vil tristeza.
Por aqueles lados, as vistas são penosas: prédios degradados, ruas desertas, comércio inexistente, locais inóspitos, desabitados, edifícios abarracados, habitações de grandeza entulhada e o rio ali tão perto. Ao que chegou esta cidade bloqueada por mil um planos, dezenas de obstáculos e inúmeras capelinhas onde vegetam impressos para portas, sacadas e janelas. Os passeios, em desgraçada calçada portuguesa e habitat natural dos carros e da publicidade, são agrestes para quem os frequenta. Nada disto bate certo quando se troca uma árvore por um lugar de estacionamento.
Pela fresca já se veêm turistas encartados, meio perdidos pelas ruas vazias onde não se vislumbra um café aberto ou uma loja decente. Nadinha. Têm o rio ali ao fundo e chega. Cidade estranha esta, onde se destrói o antigo, não se conserva o especial, habitada por balcões de zinco, cadeiras de plástico, ou cafetarias lounge, chill out e demais modernices que hão-se sair de moda. Longe vão os estabelecimentos de madeira escura, azulejaria garrida e as capitais da Europa aqui tão perto.
Tanto mar
Anda tudo de boca cheia de tanto mar. Aliás, há anos que ouço falar do mar como recurso, estratégia e outras coisas fantásticas de que os portugueses gostam de alardear e nada fazer. Pois bem, hoje comemorou-se o Dia da Marinha e festejou-se a efeméride de ambos os lados do rio. Eu também por lá andei, logo pela manhã, com outros curiosos, em visita a locais pertencentes a esta vetusta e rica instituição.
É bizarro que tendo vindo lá das berças nas cercanias de Espanha, nascida e criada entre olivais, pedra rija, solos difíceis e clima esquizofrénico, me dê esta queda para o mar. Ou talvez por isso, me dê este gosto pelo mar de que ouço tantos santinhos tecer loas entre citações de Camões e Pessoa. Se calhar já era tempo de se fazer qualquer coisa, pois no rio andavam solitários meia dúzia de barquinhos de recreio, a lembrar que o apoio ao desporto é para os pontapés na bola. Esta gente vai a tanto lado e não aprende nada, valha-me Deus.
Não tenho quaisquer laços familiares com estas fardas azuis. Da instituição militar guardo unicamente recordações de um tio por lugares coloniais de guerra dura e nada mais (e já foi muito), mas aprecio o zelo e o aprumo dos que seguiram a carreira. Creio, porém, que a vida de marinheira dava cabo de mim.
Bem notado por um dos vistantes a representação eloquente de D.João VI espadaúdo, garboso e altivo, só correspondente a uma estátua equestre de Américo Thomaz. Uma graça de oportunidade a desenvolver até onde nos levar a imaginação.
Sábado, Maio 21
De Madrid, pela Rita
(...) "As revistas femininas não perdem oportunidade de nos chamar gordas, enchendo as páginas com dietas mágicas para emagrecer num tempo recorde, truques de estética para parecer mais novas, testes para medir o índice corporal. No fundo, os estilistas, editores e ideólogos da moda sentem um desprezo real pelo corpo, pelos subterfúgios da pele, pela essência que desprendem as curvas, as formas, as mamas desafiantes. As mulheres não somos para esta gente egocêntrica mais que consumidoras finais de um conceito pueril de beleza que nos tenta manter como eternas adolescentes.
E o pior é que nós, as mulheres, achamos tudo isto normal. Compramos as revistas, passamos fome e penúrias graças a dietas impossíveis, duvidamos da nossa sensualidade cada vez que nos encaramos com uma miúda mais nova ou mais alta ou mais gira, sofremos por um quilo a mais ou por ter o cabelo menos brilhante, invejamos as pernas esquálidas das top models, olhamo-nos ao espelho uma e mil vezes à espera de encontrar um novo defeito, como se não nos bastassem os que já temos. É normal que os homens digam que não nos percebem, que achem que somos doidas varridas. (...) "
Quinta-feira, Maio 19
Segunda-feira, Maio 16
Outras terras pelas minhas razões
Eu, que não sei de que terra sou, se dos lugares dos meus mortos se das cidades dos vivos, trago na memória ruas escuras e vozes baixas nas ombreiras das portas, à espera de um vento e do sono, para mais um dia acordado ao toque do sino e dos galos da vizinhaça. Eram tempos de poucas mudanças e muitas certezas. E o vento que não corria e o calor que fazia: "vai com Deus, Maria."
(Já editado)
Empreendorismo e tal
"Deve ser isto a que chamam empreendorismo", dizia eu e riam-se. Pois sim, mais do que uma experiência, foi também uma oportunidade criativa para vender objectos em 2ª mão. Tudo se faz com trabalho, meus amigos, e para uma première como feirante, foi um cansaço que obviamente poderá ser evitado noutra oportunidade. Valeram-me amigas com provas dadas em bancas montadas por aí; sem aquela logística não teria sido o mesmo.
Vamos então à experiência: em conversa com as proprietária de outros "estabelecimentos" vizinhos, é clarinho como água que os portugueses não estão (ainda) habituados a este tipo de negócio, ao contrário do que se passa nos EUA com as vendas de garagem, assim como em França ou Inglaterra (onde abundam as lojas em 2ª mão com muita qualidade), só agora se começou por cá a vender o que se tornou uma inutilidade por razões várias.
Comentários houve muitos, tanto simpáticos como depreciativos, cruzámo-nos com gente gentil, adolescentes educados e maltinha de fugir. Devo desde já confessar que penso agora duas vezes antes de destruir uma prateleira ou baralhar um mostrador: amiguinhos, aquilo custa a ter em ordem. E se não é para levarem nada, a gerência agradece que veja com os olhos e não com as mãos.
E os enxovalhos (podem rir-se, sim)? a malta a fazer pela vida e uns labregos (poucos) a desconsiderar o material ou a regatear o preço (tudo bom e barato). Mas no geral, a clientela era cortez e o estaminé muito apreciado.
Segunda nota: fugir das (nossas) eventuais compras. É que por força das circunstâncias, a vontade de cirandar pelas outros estabelecimentos, era mínimo; foi, aliás, milagre que nunca pensei me viesse a acontecer.
Se quero repetir? claro. É o empreendorismo e tal, a criatividade na crise (mas não em crise), inteligência e oportunidade. E trabalho, muito trabalho, mas como diz uma amiga "se fosse fácil não era para mim".
Até breve, numa banca perto de si.
Domingo, Maio 15
Depois de Hugh Grant e de Georges Michael, agora este.
Mas que se passa com esta gente?
Dominique Strauss-Kahn pernoita em quartos a US$3.000 (1.900€) por noite. Un petit rien para o chefe do FMI, un peu trop para um candidato à presidência francesa. Há uns anos, também se descobriu o preço faramineux dos sapatos do MNE francês da altura, e passou a dizer-se que Roland Dumas calçava um SMIC (ou salário mínimo) em cada pé: tanto bastou para que Dumas, politicamente, ficasse por aí (e depois disso foi condenado, comme on l'imaginait, por razões de simple escroquerie).(...)
(...) DSK, como se le conoce en Francia, le gusta el lujo y la buena vida, eso no lo niega. Es un socialista sibarita que puede permitirse un elevado tren de vida (apartamentos en París, un Porsche, un riad en Marruecos…) ya que además de sus ingresos profesionales cuenta con la fortuna de su mujer, una periodista de TV que es también una rica heredera, Anne Sinclair.
Además de ser el director del FMI, todo indicaba que tiene (¿tenía?) previsto presentarse a las elecciones y enfrentarse a Nicolas Sarkozy. Es (¿era?) la gran esperanza de los socialistas franceses.
Diário de uma gata enquanto blogger (10)
É oficial: somos amigas. E como sou uma gata fácil, também sou amiga dos amigos da querida madura. Enrosco-mo ao colo da patroa, salto para os braços de quem a visita, em suma: tornei-me uma dócil felina de quem todos gostam. Faço olhinhos mansos e todos me chamam fofinha, os mesmos que´ainda há pouco tempo ficavam horrorizados com o estado das bergères italianas esfarrapadas com estas unhas que já precisam de um corte.
A verdade é que aquela casa, tal como eles a conheciam, já não existe: largo pêlo aqui e acolá, as cadeiras novas têm coberturas, os sofás fracturas expostas, frascos de verniz rebolam pelo soalho e os carrinhos de linhas ainda não são amestrados.
Sei que a patroa tem as suas ralações, mas cá vamos andando. O que me lixa é esta tosse e os malditos marlboros que sou obrigada a fumar. Uma pata, outra e um abracinho.
Sábado, Maio 14
Um ano
Fez agora um ano que Bento XVI esteve em Portugal. Pedi-lhe pelos meus; saúde, principalmente. Já o tornei a ver depois disso, aquele homem de branco que é preciso ler, perceber, para ir um pouco mais longe nos mistérios da Fé. Por vezes não compreendo, outras revolto-me com desígnios difíceis, mas acabo por voltar sempre à paz das Palavras e ao seu conforto.
Domingo, Maio 8
Sábado, Maio 7
Entre amigos e Templários
Recordação de um dia entre amigos numa terra em festa
O dia acordou com tanto brilho como as coroas do Espírito Santo, tantas que nunca tinha visto, respeitosamente transportadas por quem delas se orgulha.
Logo cedo tinham aparecido as galinhas no quintal (nada de jardim), bichos felizes à volta de limoeiros generosos que perfumam o ar. É Domingo de Páscoa e a temperatura amena não abandona a terra em festa. Daqui a uns meses hão-de sair os tabuleiros à cabeça das moças com pão e flores pelas ruas dos Templários, isso nunca vi, mas os postais não enganam: a cor, o trabalho, o aprumo e a dedicação já se sentem por aqueles dias e é do que se fala.
Hoje é dia de festa, dia santo para quem acredita. Festeja-se com a melhor roupa, se bem que o protocolo destas festividades seja rígido e não admita devaneios a quem participa nas celebrações: é assim há muito tempo e assim há-de continuar, com a roupa escura a rigor.
Recordo a Páscoa na minha terra, também engalanada com devoção, com muita história antiga, agora com muita gente velha e alguns novos que vão mantendo a tradição. Também aqui saem os linhos das arcas e enchem-se as mesas de castanhas de ovos, delícias de amêndoa e fatias de Tomar, doçaria diferente e mais rica do que a confeccionada nos meus lados.
Nas ruas e praças, turistas encalorados encantam-se entre uma garrafa de cerveja e megabytes de fotografias.Vêm, julgo, pela etnografia e por uma visão da fé ancestral que esperam encontrar nas tradições de um povo que faz delas a sua identidade.
Eu venho pela amizade, pela simpatia de quem me abre as suas portas e me senta à sua mesa. Os estandartes e as coroas voltam para as suas freguesias, eu regresso a casa pelos Templários e pela Janela do Capítulo.
Sexta-feira, Maio 6
Um homem calmo
O Pedro Correia escreveu sobre a sua intervenção. Vi em Mohamed ElBaradei um homem calmo, que fala sobre a dignidade dos povos, as revoltas, e sobre tanto mundo que esteve pacificamente unido numa praça do Cairo: "the regime has to go", de ínicio um desejo modesto.
Depois vieram as análises, as discussões sobre o futuro: como manter a ordem, combater a corrupção, desmantelar a velha estrutura e construir um sistema de segurança baseado num sistema democrático, como lidar com os media manipulados pelo poder num país onde há pobreza e analfabetismo e também "a lot of irrealistic expectations".
Falou da rapidez com que tantos parecem querer correr, mas o entrevistado diz que é necessário tempo para encontrar um equilíbrio numa grande terra sem coesão social, onde abundam as fricções entre grupos "condenados" a estar juntos, com uma sociedade civil muito fraca.
Falou das suas posições e opiniões perante uma plateia atenta e eu também ali estive a ouvir um Prémio Nobel dizer "they are poor, but not stupid".
Uma satisfação num final de tarde junto a um homem ilustre.
Quinta-feira, Maio 5
Ask "why".
Ali ao vivo e na mesma sala, o homem com suspensórios das 50.000 entrevistas, " um rapazinho judeu de Brooklyn» que diz que nunca teve de trabalhar um só dia durante a vida - «pagam-me para fazer o que faria de graça» .
Contou a uma plateia calorosa o episódio engraçado de um fim de semana num dos ranchos de Ted Turner, a desgraça que foi entrevistar a mulher com quem Rock Hudson esteve casado, uma comovente história de um polícia paraplégico, falou das características que fazem um bom entrevistador, lembrou a revolução no Egipto, a tragédia no Japão, a morte de Bin Laden, a sua admiração por Obama, e com humor explicou como deu a volta a uma penosa entrevista a um herói da 2ª GG. Falou sobre tanta coisa numa sala encantada por vê-lo à sua frente.
Receitas? Utllizar a fórmula "ask why" põe o entrevistado a pensar e não somente a debitar a mensagem que trazia na carteira.
Receitas? Utllizar a fórmula "ask why" põe o entrevistado a pensar e não somente a debitar a mensagem que trazia na carteira.
E eu belisquei-me para acreditar que estava mesmo ali, naquela sala cheia de poder fático proveniente do conhecimento, do carisma e da estratégia política global. Que nervinhos, valha-me Deus.
Quarta-feira, Maio 4
"Are you happy?"
Também quero dizer bem: foi um espectáculo maravilhoso, os noivos estavam felizes e merecem ser felizes como qualquer ser humano que se gosta e respeita.
Gostei da discrição da família da noiva durante todos os anos em que a Kate-in-waiting tinha o quarto de solteira na pequena aldeia onde vivem. Recusar o "kiss and tell" foi o melhor que podiam ter feito e possivelmente o mais apreciado pela família real, farta de tantos anos de escândalos com exposição mediática.
Uma sugestão aos comentadores das televisões portuguesas: calem-se quando não sabem e respeitem os silêncios. Tanta matraca foi verdadeiramente penoso.
Encantador o folhetim do romance, mas agora deixou de ser um conto de fadas ou um número da Corin Tellado: é um trabalho para a vida.
William to Kate: “You look lovely...You look beautiful"
Video: Royal wedding moments you might have missed
O perfume da noiva (em lista de espera para comprar) e o perfume da abadia escolhido pela menina com o véu.
















