Sexta-feira, Abril 29

STOCK contra a crise

Este fim de semana, na antiga FIL na Junqueira, amigas com venda de coisas muito, muito giras novas ou praticamente novas: sapatos, carteiras, casacos, e tudo.
Apareçam no Stock Market (galerias-1º piso-necessário subir as escadas)

Quinta-feira, Abril 28

Este blog, à semelhança das ruas de Londres, também está em festa.

Quarta-feira, Abril 27

Tomar, "Saída das Coroas"
Ontem no Chiado, ao fim da tarde, numa imitação do que costumavam fazer os escritores na minha juventude, passei um bocado de tempo encostado à ombreira da Livraria Bertrand. A ver passar mundo e mal ouvindo o que me dizia a companhia, fazendo involuntariamente comparações entre a mocidade alegre de agora e a rapaziada bisonha do meu tempo.
Há mais beleza na rua, passam mulheres e raparigas encantadoras, corpos bonitos, pernas longas, passadas elásticas, sorrisos daqueles que iluminam as faces. Mal se atenta numa ou outra que destoa ou Nosso Senhor desfavoreceu e, no meio da beleza alheia, carrega o fardo da falta de graça e do corpo tosco.
Atenta-se, sim, no manifesto contraste entre a energia feminina e a moleza daqueles rapazes de cuecas, exibindo as peludas barrigas das pernas com o ar das carrejonas de outrora, o bocadito de barba de três dias a contradizer a mariquice do rabo de cavalo com fitinha, os pés 44 metidos em sapatilhas de velhota.
Lá passam uns quantos, poucos, que salvam a honra do convento, mas Deus nos ajude antes que tipos desses encontrem forças para copular e presenteiem a nação com rebentos assim tadinhos.
No blog Tempo contado de J. Rentes de Carvalho, um autor que só agora estou a descobrir, maravilhada. Antes tarde que nunca.

OUTRAS COROAS

Tomar , "Saída das Coroas", 24 de Abril

Horas assim

Chovia forte naquela noite aziaga após um velório e uma chatice com o carro. Aquele nervoso da morte à minha frente é muito duro. Creio ser capaz de o explicar, de o escrever, mas não quero. Talvez um dia, mas é sempre cedo de mais. O corpo estava moído, a cabeça cansada e queria chegar.  Paro numa estação de serviço para uma garrafa de água, uma espécie de paleativo para o corpo acalmar a alma.  Nem sei bem. De regresso ao carro, um estupor estaciona o topo de gama a centímetros da minha porta do lado do volante. Olho para o interior e um aleijão em forma de mulher com os dois filhos gozam a minha ginástica para entrar pelo outro lado. Deliram com a minha dificuldade em tirar o carro praticamente colado ao carro deles. O coirão da mulher sentada na viatura do marido mal educado que vejo às compras na estação de serviço, vai trocando uma larachas com os ranhosos júnior.  Desisto de manobrar o carro e espero que o ricaço tire a viatura sem dificuldade e sem um pedido de desculpas. Fico sem saber o que pensar desta gente, ou melhor, sei muito bem quem é esta corja: aquilo que eu não sou.
É fácil a vida desta gente, indiferente aos outros, safam-se melhor. São desenrascados e egoístas, os pais e os filhos que logo cedo são ensinados a safar-se depressa e bem.  Nada a estranhar numa sociedade em que tantos cidadãos atiram a matar com as suas máquinas para alvos em movimento ou até mesmo parados. 
Há horas assim.

Terça-feira, Abril 26

No mundo de Sophia

Carta de Maria Breyner, mãe de Sophia, para sua filha.
Porto, 2 de Agosto 1944
"Minha querida Filha, minha rica. Chegaram aqui os seus versos, guardei um livro para mim que li e reli..."
Site do espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen em exposição na Biblioteca Nacional.

Terça-feira, Abril 19

Portas que se abrem

Poucos são o que abrem as portas. Cada vez são menos os que deixam entrar, entricheirados na harmonia e na felicidade que julgam eternas. Cada vez menos os que dão as boas-vindas a corações apertados ou deixam espreitar os cheiros do passado. Nada mais perturbador do que aromas ou odores que estão lá no fundo, que a gente deixou de sentir e que sabemos não voltar a encontrar. Estão lá as lembranças que de tempos a tempos se libertam do passado, nos apanham de surpresa e nos puxam lá para o fundo das lembranças. Poucos são os que abrem as portas para partilharem tristezas presas nos olhos de quem entra. São esses poucos, muito poucos, que abrem a porta todo o ano e também nas Festas. Corações grandes os que percebem os corações dos outros.

Sábado, Abril 16

"Get Inspired" no blog de bijuterias Pampa Mia

Faites vos jeux

Li algures um artigo acerca do romance entre duas criaturas de Deus. Rezava assim: "A. aposta na relação com B e já pensam em casar, ter filhos, etc (o kit da felicidade, digo eu). Acho isto tudo lindo, as coisas são mesmo assim, é sempre a pessoa certa para o resto da vida. Mas isso da aposta soa mal, muito mal.
Imagine-se uma cena romântica entre dois amantes que gritam "linha!" em momentos de euforia, discutem as alegrias do jackpot entre lençóis, negam com veemência o recurso ao bluff, murmuram jogadas de poker enquanto trocam carícias, fazem promessas com as raspadinhas da sorte e dançam agarradinhos ao som das slot machines suspirando por uma vigem a Las Vegas. Suponho até que os filhos se venham a chamar Maria Roleta e Valete José
Fica só a ideia do que poderia ser um bom post caso a autora tivesse conhecimentos do mundo dos jogos com apostas, que hoje em dia até para para o boletim do totoloto é preciso saber. Isto das apostas, nem a feijões, e nunca esquecer: "azar ao jogo, sorte ao amor".

Quarta-feira, Abril 13

Outro bairro

O inferno começa cá fora: voltas e mais voltas até encontrar um lugar decente para estacionar enquanto os valentões azougados vão deixando as viaturas onde calha, ou seja, onde lhes apetece. "Começa tudo cá fora", ia repetindo para mim própria. Os tansos, disciplinados e repeitadores, suam as estopinhas debaixo do sol quente à procura de espaço dentro da legalidade; os outros é mesmo ali, na passadeira, em segunda fila, no passeio. Porque podem, claro está. "Não vou longe, não.   Até aqui tenho que andar bastante para chegar. Parvinha, és sempre a mesma, mas também é isso que te separa da canalha". Pois sim.
Lá dentro hesito entre as opções: imposto sobre o carro, sobre o rendimento, sobre imóveis, execuções fiscais. A ementa é imensa, mas olhando para o quadro, verifico que até tenho um número catita; com um pouco de sorte saio dentro de uma hora. Ajeito-me entre gente modesta, homens e mulheres que vêm ao imposto (só podem entregar dois impressos cada) com muito ainda que penar. Não se avistam ricaços; têm quem lhes trate da vida fiscal, os sortudos (suspiro).
Entretanto, o contador vai disparando número atrás de número, sem ninguém dar sinal. Mas o contribuinte vai olhando, é agora, ainda não, demora muito, sorte a minha que está quase. Venho pela reclamação, sem esperança nem expectativa de sucesso. Venho porque é a única forma de lutar contra aquilo que me parece ser a injustiça fiscal, tentativa inútil de vencer a máquina montada para eu perder, depois da relação de bens que se apressa a exigir com carta e aviso de recepção logo pela fresca, de cobrar sobre o que é meu sem o ter pedido, de me obrigar a abrir gavetas que não quero abrir. Mas reclamo porque posso, porque devo, por nada, sei lá.
Eis que chega a minha vez, a funcionária é despachada e a hora já vai tardia, as portas fechadas. A bem dizer, os que estamos ali somos os tipos honestos, os que vêm resolver assuntos; aos trafulhas não os conseguem apanhar. Mas o estado fiscal quer saber sempre de mim, por onde ando, o que gasto, o que tenho, a marca do carro, o prédio rural, as oliveiras, com quem vivo, a minha morada e principalmente que número sou. A justiça ignora-me, mas aqui nunca se esquecem de mim.
Saio com dois impressos, uma lista de papelada para pedir e apresentar no final. Saio com a conta por pagar e reclamar depois. Mas são amigos: deixam pagar por duas vezes. Obrigadinha.

Terça-feira, Abril 12



(deixa-me fazer as minhas contas)
O que já me diverti aqui não tem explicação.
Obrigada, Carla.

Diário de uma gata enquanto blogger (9)


Foi o barulho do aspirador, a música e o secador, e eu, cansada de tanto ruído, troquei-lhe as voltas. "Gata, gata, amiguinha, onde estás?" Foi assim durante algum tempo até que se fartou de me procurar. E eu a gozar o pratinho lá em cima, no armário da cozinha. A madura espreitava debaixo das camas, por duas vezes foi à janela para se certificar se eu não teria saltado, viu debaixo dos sofás, dos móveis e acho que até dentro da máquina da louça. Mas nada de olhar para cima, onde eu assistia à cena do 1º balcão. Julgo que nunca lhe ocorreu que eu fosse gata acrobática de olímpicos saltos de corça, mas a verdade é que ando a treinar desde há muito: primeiro o balcão inferior, depois o frigorífico e depois, zás, um mortal para o topo do armário.
Troquei-lhe as voltas. Cansa-me tanto barulho, a patroa já deveria saber como sou sensível. Felizmente que este fim de semana não houve televisão. Por vezes zanga-se com uns tipos que por lá aparecem e eu é que pago. Julgo que a madura também anda ralada com pagamentos e preocupada com dívidas que não são dela, mas parece que são. A coisa não parece fácil e estou a ver que se acaba para breve a ração gourmet.
Cansada de me procurar, rapidamente se esqueceu de mim. Porventura acha que a tábua de engomar é mais importante que eu, a ingrata. Entretanto já sentia um ratinho no estômago; vencida pela gulodice vi-me obrigada a descer e ela riu-se.

Quarta-feira, Abril 6

'For the gods perceive things in the future,
ordinary people things in the present,
but the wise perceive things about to happen.'

(Philostratos, Life of Apollonios of Tyana)

Ordinary mortals know what's happening now,
the gods know what the future holds
because they alone are totally enlightened.
Wise men are aware of future things
just about to happen.
Sometimes during moments of intense study
their hearing's troubled: the hidden sound
of things approaching reaches them,
and they listen reverently, while in the street outside
the people hear nothing whatsoever.

Constantine P. Cavafy

Domingo, Abril 3

Boda molhada é boda abençoda

Em seis anos de blog, creio que é o primeiro casamento aqui nestas páginas caril, omissão imperdoável de momentos de felicidade. Pois tenho muito gosto em dar conta da festa da F e do M, gente encantadora que merece o melhor que a vida tem para dar.
Recordo sempre da angústia quando em criança era arrastada para bodas de gente que mal conhecia; a única coisa  boa era a possibilidade de roupa e sapatos novos (o que nem sempre ocorria). À excepção de um vestidinho que sem sequer era da minha escolha, costumava haver sempre comida boa a qual lamentava não ter em casa no dia seguinte. Era sempre uma amável recordação, tantos doces em mesa cheia que não cabiam todos no meu pequeno estômago.
Mas no geral, era quase sempre uma seca e não só para as crianças: as senhoras também penavam debaixo das capelines e em sapatos apertados, e os cavalheiros sofriam verdadeiras torturas com as gravatas de nós duplos e os casacos de pinguim em barrigas outrora mais ligeiras.
Casei as primas, as tias, e os amigos dos pais de norte a sul do país, em festas excelentes (leia-se comida), ou com ementas mais modestas, ricos e pobres, com calor de rachar e até com frio de cortar. Eram outros tempos, de maus acessos e com mais tempo, que exigiam um fim de semana de longas viagens e um enorme desejo de chegar e outro para regressar. Desses momentos guardo inúmeras fotografias de gente que não consigo reconhecer e foram-se as memórias de quem as poderia testemunhar (uma sensação de enorme tristeza). Finalmente casei as amigas, e porventura já não serei convidada para as festas das filhas delas. É a vida.
Graças a Deus, a coisa muda de figura em adulta: a roupa passa a ser um prazer, a prenda de casamento escolhe-se em listas combinadas pelos noivos (o que evita trastes inúteis e de gosto duvidoso) e a festa também somos nós que a fazemos. Até que chega a nossa vez, o nosso dia, que alegria.
Mas este é um post um nadinha ressacado de bom vinho, excelente comida, convivas encantadores e noivos felizes. Vivam os esposados.

Sexta-feira, Abril 1

Um chá para uma


Um blog individual tem as suas coisas menos simpáticas: não só depende da vontade/disponibilidade/criatividade (entre outras palavras terminadas em ade) do seu proprietário, como além disso (factor não despiciendo) não tem jantares colectivos.
Isto significa que não há confidências, tricas, manifestações de carinho ou de admiração entre um bife mal passado e um copo de bom vinho. Não há conversas sobre gruppies, sobre outros bloggers (os maus e os bons), piedosas conspirações ou blogspot de intenções. Claro está que não há convites a outros bloggers nem textos de arroz malandrinho.
Aqui cozinham-se os posts a duas mãos, preparam-se os textos com as louças da casa e as mãos que os temperam são as mesmas que os hão-de assinar.
Entretanto, é boa hora para um chá de menta.
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