Quarta-feira, Março 30
Mobiliário (cadeiras, camas, sofás, mesas, estantes, etc.), alcofas e tudo barato no Mercadilho Virtual e também no http://www.facebook.com/Mercadilho.
É de aproveitar, caros leitores, é de aproveitar.
Segunda-feira, Março 28
Um Príncipe aliado

Com uns conservados e elegantes sessenta anos, é com o maior gosto que tenho aqui no meu blog o Príncipe de Gales. Tem pinta, o Philip Charles, atributo que raramente concedo a alguém e gosto dele por inúmeras razões: porque é homem capaz de um grande amor, um pouco excêntrico, defensor de causas que também podiam ser minhas, possuidor de grande sentido humor, com gosto pela natureza e desgosto por modernices urbanísticas. Quero lá saber que fale com as flores. Um homem com um jardim tão maravilhoso como o de Highgrove, pode falar com quem quiser sem nunca perder a compostura.
Bem sei que teve aquele deslize de casar com a loura complicada quando certamente havia na Corte tantas donzelas em idade casadoura, mas era preciso continuar a espécie e a Camilla já não ia para nova. Qualquer leitora da Paris Match ou da Hola, por mais conservadora que fosse, perceberia que aquilo não tinha grande futuro. Infelizmente, teve o pior dos desfechos.
Aliás, nunca lhe desculparei não ter feito de uma amiga minha madastra dos seus filhos. Ficaria muito bem na fotografia ao lado da família real e até era mulher para deixar de lado os sapatos Fendi e converter-se a passeios no campo e a cavalariças mal cheirosas.
Por ocasião do seu aniversário, a CBS passou uma reportagem estupenda na qual o princípe confessava o seu gosto pelas longas caminhadas em detrimento do sedentarismo da televisão, a sua paixão pela jardinagem e o hábito de escrever cartas, isto enquanto procurava na estante o CD de Wagner. Tudo ali fazia sentido, até mesmo o esquilo que apareceu na soleira da porta, espécie ameaçada que o Príncipe quer defender criando uma associação que ajude estes simpáticos animais a sobreviver.
Por ocasião do seu aniversário, a CBS passou uma reportagem estupenda na qual o princípe confessava o seu gosto pelas longas caminhadas em detrimento do sedentarismo da televisão, a sua paixão pela jardinagem e o hábito de escrever cartas, isto enquanto procurava na estante o CD de Wagner. Tudo ali fazia sentido, até mesmo o esquilo que apareceu na soleira da porta, espécie ameaçada que o Príncipe quer defender criando uma associação que ajude estes simpáticos animais a sobreviver.
Gosto dele porque tem consciência que não pode salvar o mundo. Ao contrário das vedetas do entertainment que vão enchendo estádios e os bolsos dos ditadores milionários de países sem comida nem planos de vacinação, para onde canalizam muito dinheiro e boas intenções, é com muita paciência que o Princípe de Gales vai sensibilizando os agricultores para o problema do uso excessivo de fertilizantes e para a necessidade de tratar do solo com produtos alternativos. Já agora, a loja do jardim é um encanto.
Aprecio nele a paciência e a convicção de que a sua influência reside no poder de união. Admiro-lhe a perseverança com que defende os seus pontos de vista tanto em matérias como a educação para as artes como a salvaguarda do património, apesar de saber que é necessário muito tempo antes que surja alguma transformação.
Teve graça quando, num jantar com mecenas, agradece à "Madame Mum" ter aberto as portas do palácio real para os receber e saiu-se ainda melhor no poema do Longfellow com o esquilo na porta aberta para o jardim*.
Pela minha parte, aqui fica um post aberto para um homem civilizado e seja bem-vindo. Isto por cá é um pouco abarracado, os índígenas preferem um lugar de estacionamento a um pequeno jardim, os prédios antigos são para abater, as árvores põem-se doentes e o chá é bem escasso. Mas pode ser que se aprenda alguma coisa consigo.

Highgrove Collection, a range of finely crafted bone china pieces, created under exclusive license to celebrate the 60th birthday of His Royal Highness Prince Charles on November 14th, 2008.
*The Song of Hiawatha, by Henry Wadsworth Longfellow
Of all beasts he learned the language,
Learned their names and all their secrets,
How the beavers built their lodges,
Where the squirrels hid their acorns,
How the reindeer ran so swiftly,
Why the rabbit was so timid,
Talked with them whene'er he met them,
Called them "Hiawatha's Brothers."*
Quinta-feira, Março 17
Segunda-feira, Março 14
Inverno na Galé - Final
À semelhança da Mónica, as minhas preferências neste 20º aniversário da Moda Lisboa vão para o Nuno Baltazar. Não digo que matásse por um dos casacos compridos (kit luvas e botas), mas era capaz de puxar uns cabelos, isso não nego. E depois aquelas cores são muito cá de casa, sei lá.
Com menos dez quilos (mínimo), e as saias de seda preta com as tshirts brancas do Miguel Vieira (com a lotaria) eram minhas. As camisas geométricas pretas/vermelhas do Dino Alves fazem-me imensa falta, assim como os casacos do Alves/Gonçalves. Difícil viver sem eles. O Faísca não vi, mas disseram-me que foi fantástico (assim não posso cobiçar), pelo que fico já com os trench coats e capas da Ana Salazar, que me puseram a salivar.
Ainda me sobra espaço para os vestidos do Ricardo Preto e se tivesse visto a Xiomara, estou certa de que alguma coisa havia de encontrar. Fico assim vestida para o Outono/Inverno do ano que vem, venha ele, a saúde e a sorte grande. E pelo que vi em muitas convidadas nos desfiles, uns joelhos novos trataria de comprar, que isto de meio século são muitos dias, muitas horas a cantar.
Volto assim à visibilidade junto dos meus e dos que me são próximos (I am what I am, lá diz a grande Gloria Gaynor), que tanto fashion pode ser cansativo. Fica a promessa de que na próxima edição, me irei apalhaçar aprimorar, e despeço-me com amizade até ao próximo programa, como diria o saudoso Sousa Veloso.
Inverno na Galé V - Do Marquês até ao rio
Desço as ruas da Baixa ao lusco-fusco até ao rio, com jovens manifestantes e alguns turistas atordoados. Mete-me sempre pena ver tantas portas fechadas, mas elas estão lá, as montras sujas e enxovalhadas de lojas há muito encerradas ou de estabelecimentos com melhores dias. São casas que já tiveram gente dentro, abandonadas por um qualquer infortúnio, produtos fora de uso, ou meramente um sinal dos tempos.
No Pátio da Galé continuam os defiles dentro e fora da passerelle com muitos saltos, muita perna e poucos decotes. Gosto sempre da sensação de quando se apagam as luzes, começa a música e surgem as criações dos estilistas. As modelos altas e esguias dão vida a veludos ou malhas, e os tecidos parecem ganhar um brilho especial. Até podia ser meu aquele casaco e a blusa devia estar no nosso armário. Menos dez quilos e o vestido pistachio ficava-me muito fixe.
Também é para isso que serve a moda, que se fazem as passagens de modelos, que desfilam as pernilongas, para nos fazer sonhar com uma imagem nossa que nem sempre (muito raramente) corresponde à luz fria do dia. São momentos tão artificiais como as luzes estudadas para aqueles momentos. A carruagem vira abóbora e a princesa volta de novo a ser gata borralheira. Algumas terão a sorte de mais tarde vir a possuir os sapatinhos de cunha, os vestidos de brocado, os casacos geométricos ou as malhas trabalhadas, mas aqueles instantes são partilhados por uma sala cheia, muitos olhares para o mesmo objecto. De desejo, ou nem tanto.
Tal como no cinema, há sempre um sussurro ou uma troca de opiniões (coisa que me irrita de sobremaneira) e quando as luzes se acendem surgem as críticas e os comentários: déjà vu, fantástico, inovador, sem brilho, creio já ter ouvido de tudo.
Num dos desfiles, troquei umas palavras com uma simpática jornalista da Sapo mulher e à minha frente, um James Franco português parecia sair das aulas em Yale. O melhor estaria guardado para o final da noite, mas fica para amanhã.
Domingo, Março 13
Inverno na Galé III
Aqui estamos de novo no Pátio da Galé, 2ª fila, onde gente simpática acomoda os mais exigentes e também os mais mal educados. Seja porque chegam tarde ou porque querem ficar in the front row (plus who's sitting with who and who's wearing what...), garanto que é necessária muita delicadeza e profissionalismo para correr com eles ou encontrar uma "aberta" praticamente invisível , trabalho para o Pedro, Manuela e por vezes a Rita, sempre fantásticos. Este ano, com uma sala mais pequena, foi uma gestão deveras complicada.
Daqui onde me encontro, reconheço muitas caras conhecidadas destas e doutras andanças cor-de-rosa: actores de novelas, jovens ídolos da canção, antigos manequins, apresentadoras de televisão, algum jet 7, jet seis, e porventura jet 4. Seja como for, são todas magras e muito fashion (gaita, que não consigo ser fashion).
Ao lado, as mais maduras: nestes cinco anos, era suposto envelhecermos, ganharmos peso, rugas e até mais juízo. Curiosamente, e depois de uma vista de olhos às habituées do evento, só eu pareço envelhecer, ganhar peso e rugas. Em compensação, estamos todas louras e quem sou eu para avaliar da sensatez de cada um.
No bar, ao qual o meu passe dourado dá acesso, bebem-se cocktails de Martini dourado. Em virtude da minha invisibilidade, levo algumas cotoveladas de gente mais exuberante com pressa de chegar ao balcão, mas faz parte do enredo em que voluntariamente (e com gosto) participo.
Por esta altura já tenho um saco com revistas ao ombro, copo na mão esquerda, carteira no braço, casaco pendurado na carteira, cigarro na outra mão, e conversas cruzadas com que me acompanha. Finalmente vejo uma moça gordinha e outra que nada deve à beleza: o martini torna-me solidária e menos solitária. A natureza humana é mesmo assim e a luta contra a genética não pára nunca.
Disparam-se mil flashes em feições ensaiadas, um jeito por favor, o que quer dizer, chegue-se para lá que este retrato é meu. De nada servem as horas perdidas em Fonética, tratados de classificação bibliográfica ou diplomas enfiados em caixas douradas; não tens estilo, não tens retrato. Pois é filha, mas com o dinheiro do teu marido, também eu.
Sábado, Março 12
Inverno na Galé I - Os blogs da moda
A Mini-Saia escreveu e a SIC Noticias fez reportagem.:
Os bloggers são os novos interlocutores na Moda Lisboa dos tempos modernos. À excepção do Alfaiate Lisboeta, não os conheço, mas viajo pelas ruas de todo o mundo com o Sartorialist desde 2006.
A verdade é que todos eles percebem imenso destas coisas: tratam as tendências, estilos e as marcas por tu, trabalham bem a parte gráfica nos blogues onde escrevem e são giras; giras e novas.
O meu lado amador na Moda Lisboa passeia invisivelmente entre um cocktail e os desfiles desde Março de 2006 (credenciação como blogger), mas só em Outubro de 2007 me senti capaz de escrever meia dúzia de linhas mal amanhadas sobre aquele mundo que só conhecia pelas televisões e revistas.
Continuo transparente, (o Rui não percebe o que isto significa) mas em contrapartida conheci gente fantástica que me trata com enorme simpatia apesar do meu lado conservador e pouco dado a modernidades fashion (mesmo que quisesse, nunca conseguiria. Acordei com o Max Weber na cabeceira, mas isto passa).
Posto isto, a Moda Lisboa vai desfilar pelo 3º dia a colecção Inverno 2012, com ou sem crise. Eu também vou lá estar, acompanhada com um homem na cidade. Por vezes o anonimato tem destas coisas.
Até já.
Muito gosto
"(...) Sei que a hipótese de uma solução é arriscada, mas um liberal à moda antiga acredita sempre no indivíduo. Nos partidos, nas escolas, nas empresas, nos media, existem com certeza homens e mulheres indiferentes à letargia e à subserviência. Não falo de condutores do povo (demagogos), falo de acções individuais de pessoas descomprometidas com os aparelhos de dominação política , económica e intelectual. Uma espécie de gente a quem falta uma coisa: ambição de glória.
As grandes mudanças não se fazem por inspiração divina, fazem-se por necessidade"
Filipes Nunes Vicente no Mar Salgado
Filipes Nunes Vicente no Mar Salgado
"(...) Então esta canalha irreverente anda a querer agitação e demonstra falta de respeito? (...)
Repetimos incessantemente essa tensão geracional, um dia acordamos velhos (os que não nasceram já velhos) e o mundo aparece-nos mais desestruturado, mais avacalhado, mais entrópico. A moral parece-nos dissoluta, as certezas parecem esvaídas, refugiamo-nos irreversivelmente na harmonia retrospectiva de lembranças.
Mas não foi tanto o mundo que mudou.
O que mudou fomos nós, estamos velhos, estamos a sair de um mundo que não pára, que não nos isenta, que nos persegue e por fim nos mata e nos substitui, mesmo no interior das mais impregnáveis e ebúrneas torres de menagem." no JANSENISTA
Terça-feira, Março 8
Plastic Bertrand - Ca Plane Pour Moi
127 hours soundtrack
8 de Março
1940, "Mulheres de Operários da CUF em Greve", Barreiro, de Arquivo de "O Século"
2000, A primeira mulher a comandar um navio da Marinha Portuguesa, Alfeite, por Pedro Bettencourt
Segunda-feira, Março 7
I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee, and
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
Letras sem número
Por vezes ando perdida pelas ruas da cidade, faltam números nas portas, não sei onde fica o setenta e seis, perco-me pelo quarenta e dois. E interrogo-mo como conseguem os carteiros entregar uma carta ou fazer uma notificação. Onde pára o número de polícia nas nossas ruas e avenidas, que não se vê. Cairam com o vento, desapareceram com um raio, volatilizaram-se com os tapumes, vinte sete a, vinte sete b, devia ser por aqui o trinta e um, onde fica a porta que não aparece.
Se olharmos bem, lá está a numeração nos prédios velhinhos, em metal ou azulejo, mas nos novos, quando a descobrimos, são placas raquíticas, envergonhadas, com receio de destoar na porcaria do edíficio. Onde está o número que só vejo nomes de advogados, consultórios médicos e até a referência aos excentíssimos arquitectos que desenharam aquela maravilha urbana. Mas o número, onde andará ele perdido entre montras, lojas, stands e escritórios.
Volto para trás, confiro a informação, e passo por um, dois, três edifícios, nada nem ninguém a quem perguntar. Ligo do telemóvel, por favor onde fica, cabeça no ar, comércio de unhas, banco, telecomunicações, cabeleireiro lá em cima, senhores doutores à direita e já estou noutra rua.
Sou uma mulher perdida.
Quinta-feira, Março 3
A mesa do lado
Encontro-as por todo o lado onde seja necessário esperar por alguém, quer seja para uma consulta médica, advogado, cabeleireiro, hospital ou mesmo no local onde me encontro em sessões contínuas, numa clínica de fisioterapia.
Claro que a temática das publicações varia conforme a especialidade em causa, ou seja, saúde & bem-estar, boletins institucionais com fotografias de gente engravatada, influente (e alguns endinheirados), jornais gratuitos, suplementos variados, revistas generalistas, cor-de-rosa e demais publicações dirigidas a mulheres.
Encontram-se na mesinha do lado e, não tendo mais que fazer, a tendência é deitar-lhes a mão. Servem para nos entreter e ajudar a passar o tempo (realmente muito maçador), o que é melhor do que estar a olhar para as moscas ou ouvir os outros. Há quem não aguente ficar calado e meta o bedelho nas conversas alheias, geralmente para reforçar uma ideia, lamentar uma injustiça, contar o seu caso ou sublinhar a roubalheira. Eu própria não tenho resistido a estas sessões de terapia colectiva, confesso.
Manuseadas por centenas de mãos, produziam na minha mãe um tal efeito de nojo, que ainda o tenho sempre presente no momento de deitar a mão a uma requentada revista do coração. Eram advertências de grande qualidade gráfica envolvendo bichinhos microcópicos de mil patas, bactérias mal cheirosas e toda a espécie de corpos horrendos a germinar por entre as páginas das publicações.
Se bem que os gadgets electrónicos sejam uma grande ajuda para iludir a espera (aquele iPad podia ser meu), não são para todas as bolsas ou idades, e não substituem as velhas revistas amontadas que nos ajudam a suportar o tempo. À excepção das revistas de saúde (unisexo) o reino das publicações pertence às mulheres (nunca me deparei com publicações sobre caça & pesca). Os homens parecem imunizados e raramente lhes tocam. Mais ficam para nós lermos.
Terça-feira, Março 1
Camila Alves, mulher de Matthew McConaughey













