Segunda-feira, Fevereiro 28

Boa noite. O espectáculo continua mas eu fico por aqui. Espero que os americanos tenham percebido que Príncipe de Gales é mais do que um padrão de fato.
Ai o que Gervais chamou ao Robert Downey Jr...
À espera do momento BCBG da noite. Chamem lá o Colin Firth que se faz tarde!
O George Clooney deve ter trocado LA pelo Lago di Como
And Pixar again;)
Como ousaram desprezar o gurda-roupa da rainha mãe?

Trapinhos

Em bom, as escolhas de E Deus criou a mulher


Rachel Zoe Styled Anne Hathaway Like Crazy For The Oscars: Here’s What She Wore

A propósito, um artigo com piada:
(...)
Hay vestidos de rubias y vestidos de morena. Dos de mis vestidos favoritos de la noche, el de Michelle Williams (Chanel) y el de Gwyneth Paltrow (Calvin Klein) son de rubia. Y eso es así, una verdad universal.
(...)
Vuelve el pelo suelto. Este es un invento relativamente reciente. A principio del siglo XX era algo que sólo las perdidas llevaban. Ayer vimos melenas fabulosas como la de Penélope.
(...)
Nunca vayas con un hombre más peinado ni más bronceado que tú.
(...)
Los escotes son las nuevas piernas.

E os clássicos Trambolhos de Ouro na Rititi, com os prémios:
“Trambolho Esturricado”
Trambolho “Gosto tanto de aparecer no blogue da Rititi que todos os anos procuro o vestido mais estapafúrdio só para estar nos trambolhos.” Eu agradeço, Nicole. (Kidman).
Social network?? O que é isso? Outra modernice, aposto.
Ainda não ouvi dizer bem do desempenho Hathaway/Franco como apresentadores da cerimónia. É sempre assim: dizem sempre mal. O Billy Crystal é que era, o Bob Hope sim senhores, mas ainda me recordo das críticas ao humorista na(?) última(s) cerimónias. Nenhum escapa, e estes também não. Aliás, o Jon Stewart já tinha avisado o miúdo no Daily Show: não vão gostar.
A propósito, o maduro do Crystal já tinha idade para ter juízo: a cara toda esticadinha à frente de tantos milhões, que vergonha.
Seja como for, parabéns a estes miúdos tão talentosos e que certamente deram o seu melhor.

E logo agora que eu estava australiana. tinha que vir a Kidman com aquele trambolho branco.
Lindo penteado o da Reese, mas quando é que vem a Jennifer Hudson ?
(Os comentários escritos no Face, ficam no Face)
O australiano é que ensinva este a não gaguejar!!
ATVI devia convidar-nos para os comentários da emissão.Fica a sugestão.
(Muitos likes)
O que safa o Bardem são os olhos de felicidade. Está desculpado do fato peralvilho, mas só desta vez.
 
and Pixar takes them all
Esta Melissa deve ter bebido uns copos do vinho do Coppola ...
Ainda tem graça, o velho Douglas:)

Foi ontem em LA

e em directo entre amigas, este ano no FaceBook, mais rápido e com mais erros. Um clássico com alguns anos, e que nos diverte.

Domingo, Fevereiro 27

"É proibido sofrer"

"Por alguma razão o Henrique me mandou este artigo, dizendo que é a minha cara. Traz uma frase lapidar - "hoje é proibido sofrer" - que vai de encontro àquilo que penso quando sou confrontado, por exemplo, com uma opinião negativa sobre um filme ou um livro ou uma música (ou uma pessoa) apenas porque são "tristonhos". As crianças têm medo da água - os adultos da melancolia. O que, quer num caso quer noutro, não conduz aos melhores resultados. A analogia, parecendo gratuita, não deixa de fazer um certo sentido. A melancolia também ajuda tirar as nódoas do ilusionismo constante em que queremos transformar as nossas vidas. Faz parte da existência, por muito queira ser negada, e, ao ser assumida, deve ser uma arma de superação do mundo. Tudo isto, naturalmente, tem a ver com a ideia de sacríficio de que fala Tolentino Mendonça umas linhas abaixo. Assumir a melancolia é uma posição sacrificial numa altura em que os sacrifícios são demonizados em casa esquina, em cada geladaria."

Jabor melancólico
de Nuno Costa Santos

De olhos abertos à noite para ver as estrelas.

Frank Sinatra-The Coffee Song (They've got an awful lot of Coffee in Brazil)

Sábado, Fevereiro 26

Contorcionismos

Solid Potato Salad - The Ross Sisters (1944)

Um gato, dois gatos, três gatos.

Cedo percebeu que o pretexto da bicharada era um excelente motivo de conversa, quem sabe, namorar ou talvez casar. O céu é o limite, e o anel de noivado o seu passaporte. O tempo dos horóscopos já era, a discussão cnéfila já foi chão que deu uvas, mas agora tinha o gato, e o bicho deixava as suas marcas,visíveis nas mãos, a olho nú, a pele esgadanhada por unhas mal aparadas. Tinha finalmente encontrado uma causa, uma aberta, um pretexto e, como já disse, nunca se sabe como terminam estas coisas.
Em bom rigor, as feridas nas mãos não eram exactamente demonstrações de afecto pelos gatos: junto ao anelar, o ferro de engomar tinha deixado as suas marcas, e na parte superior do polegar jaziam as cicatrizes de forno quente. Eram as mazelas domésticas de pouca beleza e nenhuma sensualidade, mas com boa vontade e muito desconhecimento poderiam passar por carícias felinas não correspondidas.
"Tem algum gato?" E assim começava a conversa, o engate, o namoro e quem sabe onde estas coisas podem levar, a um café,  à cama ou ao casamento, que os desígnios de Deus são imprescritíveis, estava farta de saber.
Uma mão lava a outra, e quando a interlocutor por algum motivo não lhe agradava, dizia que tinha dois gatos, três, ou quatro, os que lhe apetecia inventar. Rapidamente também percebeu que não há romance que resista a uma sociedade protectora de animais em duas assoalhadas e se um gato é fofinho, uma ninhada é devoção e sacos de ração.
Não sei que será feito dela desde que mudou para uma casa maior: se mantém o gato ou se arranjou empregada para engomar as camisas dele e fazer os biscoitos para os filhos.

Quarta-feira, Fevereiro 23


Malcolm McLaren ; Catherine Deneuve - Paris Paris

Terça-feira, Fevereiro 22

Conversa de ruas

Houve um sobressalto pelos jornais com a notícia de que um grupo de amigos pretendia atribuir a uma rua da cidade o nome de um cronista social recentemente falecido. Creio que não será mais do que uma sugestão, até porque a toponímia da cidade tem critérios rigorosos e não estou bem a ver como se poderia justificar esta atribuição. Nada temamos, que esta cidade já tem ralações que cheguem.
Na cidade grande já vivi em ruas com nome de um político do tempo de D. José, um médico e um matemático. Na cidade pequena tinha vistas para uma avenida com árvores, bancos de madeira, e  um liceu, tudo com o nome de um nobre estratega militar beatificado (liceu, loja, avenida e café). Eram tempos em que não havia subúrbios, a população era pouca e ainda não tinham alucinado com planos directores.
Pelas minhas aldeias, tudo é mais fácil: existe uma rua nova, uma rua velha e uns arrabaldes. O resto, vem por proximidade com locais ou referências antigas. No meio rural mora-se "para os lados do Espírito Santo, do cemitério, da horta velha, ou do Santo António". Não há que enganar, que se chega lá.
Na aldeia da indústria, as fábricas há muito que fecharam, mas as ruas identificam-se ainda pelos nomes dos seus antigos proprietários ou pela proximidade de cafés (que tinham sempre diminutivos dos donos). A minha casa, por  exemplo, tinha uma morada fiscal que ninguém usava e a rua era conhecida pelo nome de uma das empresas. Tudo normal, chegava-se lá nas calmas.
Não se morava perto da estação de Palhavã, mas para os lados da casa da prima, da Senhora da Piedade ou da praça. O gossip não se comprava em revistas: um café na pastelaria do costume era mais do suficiente para alimentar o falatório. Em bom rigor, uma cidade cabia em três avenidas e meia dúzia de referências locais: com um chá e torradas dava-se a volta à capital de distrito sem precisar de GPS.

Segunda-feira, Fevereiro 21


Isabelle Antena-Instant de trac

Sábado, Fevereiro 19

São estas coisas

Li há dias na página do Face Book de um amigo, uma mensagem de uma mãe. Conheço-a mal, uma mulher simples, mas sei do sacríficio que fez para criar os seus dois filhos, pois enviuvou muito nova. Criou dois rapazes tão bons e sérios como não há. Um deles casaria com uma amiga nossa de infância, boa e séria como não há. Por vezes, as estrelas juntam-se para unir gente capaz.
Li ali uma grande lição de vida, só acessível a alguns, bem sei. Os tempos não estão de feição para os simples de coração e honestos de criação. O sucesso mede-se em topos de gama, condomínios fechados, fartura de cartões, fatinhos finos, gente enrolada lucrativamente em teias de interesses labírínticas, com desrespeito pelo próximo e desprezo por todos os que se atravessam nos seus ungidos caminhos, (Deus nos livre da peste e desta racaille!) .
Aquela mulher simples diz coisas assim tão simples: "Afinal não é preciso castelo. Os iluminados, como a minha família, mesmo sem Coroa nem Tiaras, são Reis, e Princesas, com uma força Real, Verdadeira, Honesta, onde Reina a união e muito AMOR: Sê feliz meu filho."
São estas coisas que também me comovem.

Fotos:Pelo Vale do Lucriz # 4

Blogues


Carla,
Certo. O dia 24 já está marcado na agenda.

- CAFÉ DOS BLOGUES -

Última quinta-feira de cada mês

Não é saudável conversar com fantasmas.
Manuel Mujica Láinez

Moderadora: Carla Quevedo

24 de Fevereiro, às 19H00
Fátima Rolo Duarte (F World) e maradona (A Causa Foi Modificada)

31 de Março, às 19H00

28 de Abril, às 19H00

Que tal sairmos de frente do ecrã e conversarmos de viva voz? O Café dos Blogues é o ponto de encontro de bloggers, facebookistas, twitteiros e leitores. Na última quinta-feira de cada mês, os assuntos mais falados nos blogues e nas redes sociais serão debatidos por dois convidados. Em cada sessão falaremos ainda de temas que preocupam os intervenientes nos novos meios de comunicação online, como o seu uso, a liberdade de expressão e o anonimato. Mas a conversa não fica pela mesa. O público é convidado a enviar as suas perguntas para bloguedoscafes@sapo.pt ou a colocá-las em presença e a viver a experiência esquecida de falar cara-a-cara com outras pessoas. Café dos Blogues: uma conversa de carne e osso, com coordenação e moderação de Carla Quevedo (Bomba Inteligente).

NOTA (minha):
Eu ainda sou deste tempo.

Obrigada pelo destaque, meninos da Sapo

Já falta pouco

Já falta pouco
Já falta pouco
Já falta pouco
Já falta pouco
Já falta pouco
Já falta pouco
.....
Nem Tua nem minha

Sexta-feira, Fevereiro 18

Esperanza Spalding
no blog de sempre

Os outros

Os idosos estão na ordem do dia. Só hoje detectei três belíssimos artigos sobre a velhice, ou melhor, o que é ser velho em Portugal: Tolentino Mendonça escreveu Os velhos deviam ser como exploradores, João Pereira Coutinho deu-lhe o título Enterrados vivos e Baptista-Bastos chamou-lhe "Corações ocos ".
Eu, que não vi os meus pais envelhecer comigo,  procuro encontrar nos traços alheios da velhice, vestígios do que não tive a meu lado, do meu lado. Já lhes sentia a falta de resistência, de energia e o cepticismo, mas a morte não quis esperar. Talvez por isso, nada me mete mais nojo que uma sociedade que despreza os seus velhos, que os confina à indigência e ao esquecimento. O Estado não lhes proporciona a dignidade que merecem e as novas gerações  dão-se mal com aqueles montes de trabalho que lhes tolhem a liberdade, a carteira e a boa vida, mas essses não são meus amigos. Velhos são os outros, velhas são as outras, como em alguns dos quadros de Lucian Freud, cheios de personagens disformes. Velha, porventura, serei eu também, mas agora chamam-lhe outros nomes.
Há dias em que espelho me devolve os traços que trato pelo nome, no quais reconheço sem esforço a cartografia de cada linha, sigo-lhes o norte e o sul, e acompanho, com alegria ou tristeza, a cronologia dos anos até encontrar uma luz mais clemente; quando me sinto sozinha, me chega o desalento ou a saudade, olho secretamente para as mãos.
Até lá, resta-nos "Aguentar firme e aceitá-la como ela vem" (Philip Roth, Todo o Mundo).

Quinta-feira, Fevereiro 17

Coisas simples

Quarta-feira, Fevereiro 16

Uma glória

Ao vê-la aproximar-se do aspirador sorriu, retirou os tapetes que tinha colocado junto ao cano e arrancou. Um sorriso na estação de serviço, um turbo-aspirador alimentado a moedas de euro e não há teoria que resista ao acaso. "Pelo menos um homem sorri para uma mulher desmazelada entre o pó de tapetes e o abrilhantador de jantes; a vida tem coisas assim".
Enquanto teorizava sobre estes e outros close encounters introduziu a moeda, animada para sete minutos de super limpeza. Tentou uma vez, duas, e rapidamente se apercebeu que não funcionava. Recordou o glorioso sorriso poucos momentos antes: uma alegria cínica, canalha e tolinha de final de tarde numa estação de serviço junto a um aspirador inútil e a uma mulher sem graça.
Recordou-se da história (?) da velhinha amorosa admirada por todos, que dava milho aos pombos e que mais veio a descobrir-se lhe misturava veneno.

Segunda-feira, Fevereiro 14

Conto menor(zinho)

A Meredith era casada com o Clark, um palerma que durante anos e anos a ignorou. Acontece que o Clark era um palerma muito distraído: durante anos e anos a Meredith guardava em silêncio todo o dinheiro que quase diariamente o Clark deixava esquecido nos bolsos das calças e dos casacos. Moedas e às vezes uma nota dos trocos. A verdade é que o Clark nunca soube como é que de vez em quando a Meredith aparecia com sapatos novos, perfumes caros e chegou mesmo a arregalar os olhos quando a viu chegar com uma mala XXXXXX. A bem dizer, ele pouco olhava para ela e quando o fazia tornava-a invisível.
O Clark embeiça-se pela colega do escritório. Um dia chega a casa e informa a mulher, com voz acusatória, que vai viver com ela.
Adivinhem qual foi a primeira coisa que a Meredith lhe disse?

Um cont (inho) antigo que editei para concorrer a um concurso. Como não ganhei nada, nem falo em marcas. Não queriam mais nada.

Domingo, Fevereiro 13

Outros ares


Só hoje recebi dois mails de companhias de aviação low cost com bilhetes a preço irrecusável (last day super saver) incluindo alojamento e vôos.
A agência de viagens em linha propõe "escapadelas românticas" em pousadas simpáticas e por todo lado se divulgam férias na neve,  uma Páscoa pouco cristã com opções entre mar e serra, sem esquecer o Carnaval 2011 para os mais foliões. Como habitualmente, a Disney oferece descontos para famílias nos resorts do parque, e o mar estará mais perto ou distante conforme a bolsa de cada um.
Os jovens casais têm os seus miminhos em luas de mel tão exóticas quanto escaldantes, animados por preços módicos de quartos duplos e mil mordomias; até os séniores são bafejados com a sorte de programas aliciantes se bem que menos intrépidos. Há menus apetitosos para todos os gostos, idades e cartões, com crédito em suaves prestações.
As ofertas de turismo cultural são insignificantes e os itinerários religiosos escasseiam, deixando essa cota de mercado entregue a organizações ligadas ás igrejas. Fazem mal; os espanhóis vão descobrindo por comboio, barco ou autocarro as dezenas de santuários marianos espalhados um pouco por todo o lado. Não é necessária nenhuma visita papal para se meterem a caminho, de Bíblia na mão, aliando o farnel à oração.
Faz de conta que estou indecisa, entalada entre uma escapadela romântica, um low cost bem organizado, a Páscoa em fato de banho ou um Carnaval fresquinho, descartado que está o programa da Disney, a fantasia da lua de mel e o autocarro sénior.
A verdade é que o êxodo prossegue, comigo ou sem mim, lá no interior as oliveiras continuam inacessíveis, a casa silenciosa, e as poupanças têm destino. E depois, "we'll always have Lisbon".

Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes,de inverno, em Turim, que é quase tão frio como S. Petersburgo — entende-se. Mas com este clima, com esse ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse, ao menos ia até o quintal.
Almeida Garrett, Viagens na minha terra

Sábado, Fevereiro 12

Afinal passei por lá.

"O Princípio de Peter dos escrevinhadores" pela Catarina no 100nada


" E aquilo é BOM e não sei como é que aconteceu. Um rasgo de inspiração maior, uma fase de criatividade qualquer, um raio que me causou qualquer ataque de subida repentina de qualidade de escrita. Não sei. Não lamento, como também não lamento não ter prosseguido, provavelmente seria só um pico esporádico.(...)
 E é giro só perceber agora. Deixa-me contentíssima. Afinal passei por lá. De repente, tenho a sensação que entre o meu filho, a minha árvore (e a dele) e descobrir isto, a coisa, nesse campo, fica completa. "

Fine Arts Quartet - Haydn String Quartet Op.77 No.1, 1st movement (live)

"I like to move it move it"

Invejo-lhes a preserverança e a atitude. Admiro-lhes o passo apressado ou a corrida rápida. Fico maravilhada com a parafernália electrónica com que se deslocam. Cobiço-lhes a resistência. Espanto-me com a indiferença a condições adversas.
São os atletas esforçados dos tempos modernos que andam pelas nossas ruas, avenidas e jardins, novos e velhos, mulheres e homens, faça sol ou chuva, imunes aos tubos de escape, com maquinetas presas ao corpo, aos grupos ou solitários.
Vejo-os equipados a rigor ou fardamento remediado, em forma escorreita ou deitar os bofes pela boca, passada larga ou curta, queimando mais ou menos calorias, mais uma flexão, alongamento, garrafa de água, fita na cabeça aerodinâmica ou chapéu modesto, o que interessa é andar e também correr. Ar livre e pernas ligeiras, exercício, jogging ou o que lhe queiram chamar, fica barato e dá saúde, publicitado com as maravilhas de margarina milagrosa, leite equilibrado e produtos de alto teor vitamínico.
Acompanhe-se com bebidas que dão power e seja saudável de corpo & alma.
Temos pena, mas sem iPod não corro.

Terça-feira, Fevereiro 8

Tratado das crises de meia-idade

Segunda-feira, Fevereiro 7

Melros nas oliveiras

Acho graça às mais altas auctoridades em matéria sociológica que, de repente, descobrem que a ideia que têm «da imprensa de referência» não coincide com o país, propriamente dito. Chego a isto por uma passagem do post do Henrique Raposo («Este tema não pode continuar a ser apenas do Correio da Manhã. Este tema tem de saltar para a imprensa dita de referência. Portugal não é um país de brandos costumes.») sobre a violência doméstica.
(...)
 Escusam de vir com o assunto para a primeira página, como se nunca lá tivesse estado e tivessem sido pioneiros – esteve, mas noutros jornais, ai que horror, que horror, é o Correio da Manhã, que horror. Há namorados que dão cargas de porrada a namoradas, para as educar desde cedo e as meterem na ordem logo no princípio – e elas não se revoltam nem lhes enfiam um balázio nos joelhos, aparecem com olhos negros e o cabelo a tapar nódoas negras. Há mulheres de meia idade que apanham surras e continuam a pagar as contas em casa. Há mulheres jovens que aceitam um estaladão e não respondem com um taco de basebol na virilha. Que horror, que horror, é a violência doméstica, vamos legislar contra a violência doméstica, que bom, e fazer mais duas comissões, e uma marcha de solidariedade, que bom, e mais uma lei, que bom, vai ser tão bom. Cumpram a lei (exijam que se cumpra a lei e que não façam dela uma excepção, mais uma, com alíneas e dúvidas e contratempos), envenenem os maridos que vos batem, castrem os namorados que vos tratam mal, abandonem os lares, deitem-lhes azeite a ferver por cima, ponham-lhes laxantes na sopa, chamem a polícia em altos gritos, exijam que os tribunais sejam mais rápidos, criem uma colónia penal cheia de mosquitos, façam macumba para eles ficarem sem tesão, troquem-lhes os medicamentos da hipertensão, eduquem as vossas filhas e ensinem-lhes a usar a inteligência e o varapau em doses idênticas — mas, sobretudo, não me venham com o nhe-nhe-nhem, nhe-nhe-nhem, e tal, e a violência doméstica, e vamos legislar. Sou pela acção directa: lei e prisão e nomes publicados no adro da igreja, e divórcio compulsivo e obrigatório. E não me venham com sociólogas e sociólogos que não sabem distinguir entre sadomaso e humilhação. E leiam o Correio da Manhã; está lá o país. Podem não gostar dele, está bem, mas foda-se.

Domingo, Fevereiro 6

Ficção e pés de flor

"Para onde vais essa?", perguntava o cavalheiro à sua senhora, à medida que ela ia escolhendo um ramo de flores artificiais.
"E essa, quanto custa?" interrogando de novo a mulher que ia debicando a caixa, hesitando entre uma rosa branca e uma tulipa.
"Mas dessa cor já temos. Porque não escolhes outra?" e por aí adiante lá ia o metediço dando palpites, sugestões, baralhando a criatura que, calmamente, ia cedendo às "sugestões" do maduro. "Devem ser muitos anos disto", pensou a cliente jovem também abeirada do cesto.
Foi assim que a senhora compôs o ramalhete (indescritível, por sinal) questionada por cada pé de flor que ia colocando nos braços. Encostado ao carrinho, o abelhudo especialista em arranjos florais terá ficado satisfeito com as opções tomadas (por ele). "Se é assim com um gerânio, imagina-se como será com o resto; Deus deu-me uma cruz por vezes bem difícil de levar, mas felizmente poupou-me a um trambolho destes" pensou a  jovem, afastando-se enfastiada.

Sábado, Fevereiro 5

Susto em alta voz

Parece daquelas coisas que só acontecem aos outros e que ouvimos com frequência em grandes superfícies com estacionamento: "Solicita-se ao proprietário da viatura X a sua comparência no balcão do cliente". Como na história de Pedro e o lobo, já escutámos esse aviso tantas vezes que nos tornámos imunes a essa informação debitada ao altifalante.
Como é óbvio, imagina-se sempre o pior: viatura roubada, vandalizada, vidros partidos, porta arrombada, tudo o que pode estragar o dia a alguém, maçadas e despesas inesperadas. Um aviso algo semelhante a uma chamada a meio da noite ou uma carta registada com aviso de recepção: raramente são boas notícias.
Até ao dia em que somos nós: aquela matrícula não nos é estranha, ouvindo melhor, é mesmo a nossa. Somos nós, com os nervos, no balcão do cliente: um vidro aberto descoberto por um zeloso segurança e foi tudo. Há momentos do demo em que não se ganha para o susto.

Sexta-feira, Fevereiro 4

Diário de uma gata enquanto blogger (8)

Olá de novo,
Bem sei que tenho andado desaparecida, mas a patroa mudou de computador (coitada, mais uma despesa)e  vi-me forçada a aprender à distância. Quando se zanga comigo, ameaça transformar-me num pdf, seja lá o que isso for. Anda queixosa, bem a ouço, com a carestia da vida e com as dores no braço que não a deixam, e eu é que pago. É verdade que aqueles mortais empranchados entre móveis nem sempre correm bem, mas tento compensar os cacos com umas miadelas carinhosas.
Tem que compreender que nós, as gatas, também precisamos do nosso espaço (se bem que isso seja conversa de humanos)e da prática de uma vida saudável que só uns móveis altos conseguem proporcionar. A propósito, é apetitosa a nova ração à base de salmão, faz bem ao pelo, dizem; pelo menos não deixa maus cheiros, como os grelhados que por vezes me chegam aos bigodes.
Entretanto continua o frio: quase me frito junto ao aquecedor a gás, local bem simpático para boas sonecas aos pés da patroa. Por falar nisso, boa noite.

Quinta-feira, Fevereiro 3

Entretanto no remanso dos gabinetes, é isto...


A partir já do próximo ano, as declarações estarão só disponíveis no site de Internet daquela instituição, o que obriga 500 mil pensionistas a registarem-se no site.
Casimiro Menezes, presidente da Confederação de Reformados, Pensionistas e Idosos, ouvido pela TSF, frisa que esta decisão do Ministério das Finanças levanta problemas graves, uma vez que a maioria dos pensionistas em causa não tem Internet ou não sabe usar mesmo este meio. E recorda o que se passou, recentemente, com o Cartão do Cidadão nas eleições presidenciais onde, para poupar dinheiro em envio de cartas para os eleitores, acabou por se complicar a vida de quem queria votar.(...)
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