Domingo, Outubro 17

Vacanze Romane

As cores de uma cidade



- Ludovina! Ó Ludovina! gritavam as amigas a uma criatura de Deus meio perdida entre os bording gates e a sinalética dos lavabos.
É uma boa verdade que os italianos falam alto, mas os portugueses não lhes ficam atrás (eu caladinha) quando se deslocam em grupos de classe turística. O vozear mais audível era mesmo o dos meus concidadãos que se dirigiam para junto de outros passageiros, em espera pelo vôo da transportadora nacional e a discussão centrava-se no serviço a bordo. "Oferecem chá, café ou sumo", afirmava convicto o homem do grupo. "Nas vês que tudo tem que se pagar, que não dão nem uma bolacha?" replicavam elas com muita propriedade. Mais tarde vi-os no bar, à volta de uma sandes tão horrenda quanto milionária, o que me levou a crer que o cavalheiro se tinha deixado convencer e que tinha bom perder. No vôo deles não sei, que não me meti no assunto, mas no avião em que viajei, os preços da "carta" que circulava pelos passageiros rapidamente dissuadia qualquer fome mais urgente.
Uma coisa é certa: do miminho das palmas na aterragem, já me livrei.

Sábado, Outubro 16

Todos os passos encontram uma porta aberta












Caminhos de Roma

Roma tem destas coisas: por volta do meio dia, faça chuva ou faça sol, chegam a juntar-se alguns milhares de crentes para ouvir um homem de cabelos brancos pedir-lhes que sejam gente de Fé, humildes e generosos. Muitos deles ainda vivem na Idade das Trevas, originária numa crença milenar que lhes há-de sobreviver, e demonstram pouca capacidade para se deixarem influenciar pelos desígnios dos tempos modernos que o relativismo lhes quer impôr, o que lhes pode trazer grandes maçadas. Noutros tempos fizeram parte do espectáculo no Coliseu, onde não sobreviviam para ouvir os aplausos da populaça sobre o seu desempenho na arena. Eram os ossos do ofício para quem não adorava os deuses de César.
À minha volta, gente indisciplinada, atende os telemóveis quando o homem idoso reza uma oração em latim, tiram fotografias que perturbam quem ouve a voz que vem da janela aberta, mas trazem com eles dezenas de souvenirs à espera de meia de dúzia de palavras que os hão-de transformar em objectos do seu culto.
Por uns momentos, enquanto abandonam aquela praça magnífica, é possível que o peso daquele local ou o sentido de pertença os faça sentir mais serenos e confiantes. A mim, nunca deixa de me comover.
Saio para um caffe al vetro num pequeno bar chamado "Os penitentes" ou "Os confessores" junto ao Arquivo do Santo Ofício. Roma tem destas coisas.

Sexta-feira, Outubro 15

Eu ainda sou do tempo

Em que se comprava alguma coisa nas viagens que não fosse um íman/monumento para o frigorífico ou lapiseiras.

Quinta-feira, Outubro 14

Forasteiros

São dezenas, os bandos de japoneses e estão por todo o lado de máquinas em riste. São delicados e pacíficos, mas deslocam-se aos magotes, sem a mínima noção dos locais ou do sentido de oportunidade. Em qualquer igreja, lá estão eles em poses divertidas para a fotografia, de braços abertos junto ao túmulo de um santo martirizado, com caretas sorridentes de costas para um altar ou agachados junto a uma estátua de Rafael.
Em bom rigor, os ocidentais não são melhores, mas são em menor número.

Calendários e fardamentos

Julgando-me uma indígena, outros turistas iguais a mim abordam-me para a localização de um monumento ou para indicação de uma rua qualquer. Coitados deles, que desconhecem o meu total sentido de orientação. Posso até garantir que tomei uma decisão: se tenho um feeling que a igreja é para a esquerda, é porque certamente se encontra no sentido oposto.
Não é que os mapas estejam mal feitos mas a culpa não é toda minha, até porque a ciência explica tudo: parece que a orientação geo-espacial não é o forte das mulheres. Isso posso garantir a pés juntos e cansados, olhando com cobiça para as estrangeiras de sandálias horrendas com tiras, mas que as levam ao fim do mundo.

Pelas praças de Roma

Garantiram-me que o Talentoso Mr Ripley aparecia por vezes no Café Dinelli na Piazza di Spagna ou pela Piazza Navona. Espreitei pela mesas com alguma descrição para tentar vislumbrar o Matt Damon com um copo de vinho ou o Jude Law agarrado a um gelado. Confesso não ter muita curiosidade nas branquelas da Paltrow e da Cate Blanchett, mas infelizmente não vi estrela nenhuma. Talvez, talvez tenha visto o "papi" sair de um edifício oficial tanto era o aparato, mas era só mesmo um talvez por causa dos vidros fumados. No entanto, garanto ter-me cruzado com vários italianos estilo Silvio, bem vestidos e aprumados, com ou sem cabelo pintado. Verdade seja dita que os italianos ficam muito elegantes de fato preto, sem parecerem cangalheiros, e as mulheres lindas de escuro mesmo sem irem a velórios.
E muitos, muitos paquistaneses no negócio da flor e de objectos luminosos muito ruidosos. São raros os que me abordam. Mal eles sabem que, desde o documentário "Os Lisboetas", dificilmente resisto a uma rosa.

Terça-feira, Outubro 12

Aos nossos pés

no Panteão na Basílica de S. Pedro pelo Vaticano
e por Ostia Antica
Muitas passadas numa cidade que nunca se chega a conhecer

Pelas ruas de Roma

eXTReMe Tracker