Terça-feira, Março 30

Incenso

"É sempre interessante ver os inimigos do catolicismo opinar sobre a organização interna da Igreja Católica. Acham que este Papa não serve e querem outro. Acham que a Igreja Católica devia acabar com a regra do celibato (chegam mesmo a defender a tese de que os celibatários têm mais tendência pedófilas, tese que rejeitariam em qualquer outra circunstância). Acham que as mulheres devem poder chegar a Papa. Não deixa de ser uma Homenagem à universalidade da Igreja Católica. Mesmo os que estão fora pensam como se estivessem dentro. Pensam como se a sua opinião devesse contar. Muitos já são ateus há dezenas de anos, mas continuam a respeitar e a prestar vassalagem à Igreja"

Segunda-feira, Março 29

Fotografia do Clube Jansenista, com uma selecta sala de fumo (M/F) para a qual tenho muito gosto em ser convidada.
Jerusalem - Last Night of the Proms 2009 Poema de William Blake, musicado por Charles Parry (Do E.)

Domingo, Março 28

Linhas de Domingo

Este fim de semana, o sol português decidiu finalmente acordar da sua longa hibernação. Foi o sinal de partida para a corrida aos ginásios e para as esplanadas e restaurantes à beira-rio, onde muitas criaturas esperam efectuar (depressa) a fotossíntese, munidos de óculos escuros e muita paciência para serem atendidos.
Aliás, quem viu nas televisões a reportagem sobre o melhor destino de férias europeu, dificilmente se apercebe que estamos nesse filme; fiquei mesmo com a impressão de que estariam a falar de duas cidades diferentes: a vivida pelos indígenas e a visitada pelos turistas. Devem ser os efeitos da tão famosa "luz de Lisboa", à qual já ganhei alguma imunidade.
É de facto uma cidade muito typical, tanto para quem circula a pé ou de carro e tem que enfrentar passeios e asfalto esburacados; quase que sentia as dores do meu novo Traby, a percorrrer corajosamente a picada africana em que está transformada a capital.
Entretanto, recebo (através do intercomunicador) um convite que me deveria ser entregue em mão, para a "comemoração da morte de Jesus". Não sei quem terá dado o meu nome para essa bizarra mailing list ou se os convites são efectuados aleatoriamente junto das campainhas dos prédios. Seja como for, chamar comemoração à Semana Santa não faz parte do meu breviário católico, mas não foi por isso que terminei o dia (e a noite) de Sábado a ouvir It's The End Of The World As We Know It, rodeada de malabaristas e aprendizes de acrobatas.

Domingo de Ramos

PALM SUNDAY JERUSALEM
The Entry of Christ into Jerusalem, fresco in the Parish Church Zirl, Austria

Sexta-feira, Março 26

Música perfeita para um final de tarde

Pavane pour une Infante Defunte -Ravel
Amanhã, que ganhe o melhor.

Quinta-feira, Março 25

1973 - Fernando Tordo - Tourada

(...) Com bandarilhas de esperança afugentamos a fera estamos na praça da Primavera. Nós vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça e fazermos da tristeza graça. Entram velhas doidas e turistas entram excursões entram benefícios e cronistas entram aldrabões entram marialvas e coristas entram galifões de crista. Entram cavaleiros à garupa do seu heroísmo entra aquela música maluca do passodoblismo entra a aficionada e a caduca mais o snobismo e cismo... Entram empresários moralistas entram frustrações entram antiquários e fadistas e contradições e entra muito dólar muita gente que dá lucro as milhões. E diz o inteligente que acabaram asa canções

Se dizes inverdades, ponho-te pimenta na língua!

"Inverdades - A palavra mentira foi banida. Aliás, as pessoas deixaram de mentir. Quando muito, dizem inverdades, conceito que está para a verdade como o cinzento-escuro está para o cinzento-claro: é tudo uma questão de tonalidade do mesmo cinzento. Logo, podemos falar mais verdade, menos verdade, inverdade. Mas são tudo variantes da verdade. A mentira e os mentirosos deixaram oficialmente de existir." Redondos vocábulos (II) Helena Matos -Publico

Quarta-feira, Março 24

Mulheres

Já não consigo escrever nem ler sem óculos. Há dias, perdi-os algures e senti-me perdida sem eles. Enquanto aguardava por novo exemplar (a preços milionários), pedia emprestados quaisquer uns, mas resisti aos chineses onde se vendem a três euros, feitos de um qualquer vidro de aumentar. Assim, aqui estou de novo, eu e o blogger, bem focado e sem riscos.

Já lhe disse que ia escrever sobre a amizade, de como gostamos de falar do que nos alegra e do que nos apoquenta, das nossas fragilidades e de onde vamos retirando as nossas forças. Se encontrar duas mulheres aos Sábados, no sobe e desce do Chiado, podemos ser nós. Cheias de boas intenções, apalavramos a viagem de metro, mas na hora da verdade, foge-nos o pé e as mãos para as portas do carro e, sortudas, temos sempre um parquímetro à nossa espera numa das ruas nobres da zona. Bem sei que isto não passará de um mera banalidade, mas são momentos gratificantes na vida de duas mulheres, voluntariamente dispostas a serem mal atendidas numa das clássicas pastelarias da zona, felizes por calcorrear a calçada sem outras aspirações que não sejam montras, música, e conversa, muita conversa que não acaba nunca. É verdade que a felicidade não é nenhum direito ou dever, mas na nossas histórias acaba sempre por existir alguma ficção (nunca uma fixação) que levamos a sério. A nossa sorte é que inventamos muitas novelas e assim teremos sempre muitos chiados à nossa frente para calcorrear.

Somos perfeitas a viver a vida dos outros. Na nossa, somos um bocadinho parvas, mas quando toca à vida de terceiros, somos mesmo boas. No final de contas, a culpa não é de todo nossa. Foi-nos dada a vida errada; nas outras é que éramos fantásticas. Estamos na história trocada e, com outro plot, seríamos maravilhosas. Esta reincarnação não é a nossa praia. A chatice é que não podemos mudar de canal e, assim sendo, cá vamos nós de mãos a abanar ou com algum pequeno saco, pobretes mas alegretes. É vê-las Sábado à tarde, cheias de certezas que se desfazem ao virar da esquina, de promessas que se quebram com a mesma facilidade com que se fazem, em nome de pequenos nomes que fazem as nossas vidas. É assim que tem que ser até ao momento em que deixa de ser. Uma grande vida, é o que te desejo minha amiga. Para ti e para os pequenos nomes que te acompanham mesmo quando não estão.

Este Sábado às quinze e trinta? Um croissant e um sumo?

if it Ain't Got That Swing

The Puppini sisters - It don't mean a thing

Terça-feira, Março 23

O folclore do nosso contentamento

Quatro meses após a invasão de renas a pular, pais natais a bailar, luzes a piscar e corações a cintililar, eis que surge o ataque electrónico de coelhos a saltar e ovos a sorrir. Estão por todo o lado e chegam-nos às dezenas por mail, sms e em pop ups descarados, ruidosos e sem aviso prévio ou sentido de oportunidade. Trazem calóricos desejos de alegria, felicidade colorida e uma florida paz ao mundo. Muitos de nós, com as malas feitas com fatos de banhos e piedosas intenções pascais, já com os passaportes na mão e sem tempo para agradecimentos colectivos, apaga-os, mais enfadada que reconhecidamente. Até ao Natal, ainda muitos gifts hão-de circular por debaixo das pontes.

Domingo, Março 21

A palavra mentira soa mal em todas as línguas, mas dói mais em português.
Rose Avril - Tes Mensonges Fotografia Jansenista

Sábado, Março 20

Dias portugueses

Algures nuns subúrbios totalmente caóticos e indescritíveis, sai um barrigudo com uma tshirt da selecção de futebol de uma casa com uma super bandeira da selecção e, num acto de amor à Pátria, despeja carradas de lixo numa lixeira a céu aberto a 15 metros de casa (com sofás velhos, colchões e toda a diversidade de porcarias.) Foi assim sem qualquer surpresa, que a campanha Limpar Portugal pôs a descoberto um país coberto de toda a espécie de trampa, trastes, monos, vidros, lixo e mais lixo. "Uma miséria", como afirmou o entrevistado há pouco na televisão. Uma javardice, digo eu. Sem emenda. Amanhã estará tudo imundo novamente.
A pouca vergonha, sempre no desenrascanço: "Dá a entender que se aproveitaram da campanha para se livrarem do lixo" Ao saber da iniciativa Limpar Portugal, uma empresa da área dos componentes para automóveis terá aproveitado para tentar livrar-se dos seus resíduos"
Algures na estrada para Lisboa, numa fila com algum trânsito, sai um casal de um carro, aproxima-se aos gritos da viatura da frente, e desatam aos pontapés ao automóvel e ao sujeito que se encontrava lá dentro através da janela aberta: uma espécie de Falling Down à portuguesa. (texto editado)

Uma canção perfeita para o 1º dia de Primavera

Ella Fitzgerald - Spring Can Really Hang You Up The Most

Sob as colunas do Pátio da Galé

Enquanto em Mafra se desenrolava o 1º round das eleições do partido laranja, no fantástico Pátio da Galé à beira Tejo, iam desfilando modelos pernilongas e rapazes sisudos anunciando o próximo Outono-Inverno. Já lá vou às tendências mas antes, a minha crónica possível entre martinis rosatos e deliciosas travessas de sushi e queijo fundido com framboesas.

Devo confessar que os primeiros martinis rosados com gelo picado e sumo de morango tiveram um efeito assassinos em muito boa (e linda) gente; a cor e o açucar enganaram-nos bem enganados. No entanto, depois do segundo e terceiro dia, já se escolhiam os cocktails a preceito, sem danos colaterais nem sequelas entorpecedoras. Deixemos por uns tempos o assunto (e os martinis) em pousio até novo evento.

Tive de novo o meu momento "vip" devido a uma breve trocas de palavras com um conhecido director de um jornal satírico e, se virem bem alguma fotografia onde ele possa surgir, é possível vislumbrar uma nesga do meu vestido ou mesmo a ponta dos sapatos. Mas aquilo é outra praia onde eu não saberia nadar e o estilo mariposa é muito cansativo.

Para além dos estilistas que aqui deixei, os modelos apresentados pelo Nuno Baltazar e Pedro Pedro eram, na sua maioria, muito bonitos e, com uns centímetros (poucos) a mais dos lados e na altura, teria o maior gosto em enfiar-me nos fantásticos vestidos de lã e nos casacos de pele sintética que apresentaram. Em relação aos sapatos e botas, confesso total incompetência em movimentar-me nos mínimos olímpicos da mobilidade. Só quem não circula a pé na calçada portuguesa se poderá arriscar a tamanho desafio e, garanto a pés juntos que, neste empedrado, a expressão catwalk ganharia um novo sentido. Já quanto aos acessórios, depressa encontraria gavetas e armários disponíveis onde acomodaria os fantásticos óculos, sacos, colares e brincos que vi na passarela, mas o que conta é a beleza interior.

Para a próxima estação e assim o PEC o permita, preparemo-nos para os casacos compridos estruturados como vestidos e vestidos estrurados como casacos empridos, tudo com muitos zips, peles sintéticas, leggins (passo), sandálias abotinadas (?)(passo), brocados sintéticos, o preto, o branco, o cinza (para não variar), as cores pastel, as simetrias, as linhas depuradas, óculos e penteados tipo Jacqueline Kennedy.

Em situações de aperto, convém recordar que ainda não se paga por folhear revistas e teremos sempre a net para ver as outras vestidas com aquilo que deveria ser nosso. Seja como for, preparemo-nos para o pior, ou seja, entrar em repeat mode: vestir a roupa requentada dos anos anteriores.

E mais uma vez, obrigada à organização da Moda Lisboa, sempre muito profissional e gentil para comigo.

Sexta-feira, Março 19

Rua da Saudade - Canção de Madrugar - Susana Félix

Limpar Portugal do lixo dos portugueses

É já amanhã: Limpar Portugal. Dia “L” 20 de Março de 2010 Vamos lá dobrar a cerviz por uma boa causa.

Quinta-feira, Março 18

400 anos depois

É traduzida para português de Portugal uma das obras mais importantes da história do pensamento ocidental: "Sidereus Nuncius - O Mensageiro das Estrelas", de Galileu Galilei publicado em Março de 1610, e lançado ontem na sessão de encerramento do Ano Internacional da Astronomia. " É um livrinho", descreve Henrique Leitão, folheando as 30 folhas que constituem a primeira obra de Galileu. A edição portuguesa tem naturalmente mais folhas, pois trata-se de uma tradução, um estudo crítico e ainda uma nota de abertura de luxo, assinada por Sven Dupré, a maior sumidade mundial em matéria de telescópios de Galileu. Mas, sendo "um livrinho", Henrique Leitão (o seu tradudor), não tem dúvidas em afirmar sobre este Mensageiro das Estrelas: "Foi feito para causar sensação. Está escrito como se de notícias rápidas se tratasse, quase em estilo jornalístico. Ele não se dirige às elites. Queria chegar às pessoas comuns. E queria chegar também a toda a Europa. Ele era um divulgador de ciência", diz o investigador, justificando a opção pelo latim. Nas obras seguintes, Galileu optará pelo italiano. "Para além disso, dedicando o livro ao grão-duque Cosme II de Medici, acaba por arranjar emprego, ele que era professor mas que não gostava de dar aulas, que queria dedicar-se à astronomia e à observação do Universo. Daí Sven Dupré dizer, na introdução, que este livro é 'uma candidatura a um emprego'."

Quarta-feira, Março 17

Fim de festa

Shirley Bassey THIS IS MY LIFE

Cruella (em rosa)

Intervalo

Desfile de Ana Salazar

Viver na cidade, cansa

Seguro a porta do elevador, fecho o portão indiferente a quem se aproxima, dou passagem, entro primeiro, entro em último, finjo que não vejo, sorrio, não sorrio, agradeço, dou a salvação, tenho tempo (empato), estou atrasada (corro), faz favor, obrigada, tantas decisões a tomar em poucos segundo e que podem destruir a reputação de um condómino (malcriad@) ou da directora da empresa do 8º piso (uma manienta).
Bem sei que já deveria conhecer de gingeira estes protocolos civilizacionais, boas práticas de uma vida comunitária, mas na hora da verdade perante um elevador ou uma porta de serviço, mil e uma dúvidas me atormentam, correndo o risco de ser considerada um fiasco de urbanidade.
Em bom rigor, as coisas hão-de resolver-se por si e acabo sempre penitenciada ou absolvida de alguma eventual infracção: o vizinho não agradece se seguro a porta, a directora do 8ª piso não dá pela minha presença e o elevador arranca mesmo à minha frente. Restam sempre os idosos, sensibilizados pela atenção alheia e fisicamente incapacitados para contra-relógios de portas super-sónicas.
Vai-se vivendo assim, conforme nos dá na telha ou levados pelo bom senso, mas é uma canseira e nem sempre resulta.
Já agora (pode ser que alguém saiba), a que distância mínima de Lisboa (em quilómetros) se deve nascer para não ser considerado provincian@?

Vivem na cidade como no campo

Faça chuva ou faça sol, seja de dia ou de noite, por ruas e avenidas, vejo-os pela trela, a mando dos donos, que os vão controlando a contento dos dois. Ou não será bem assim, porque ganha o humano que puxa os cordelinhos, dando rédea curta ou larga, indiferente ao local, seja a calçada, o passeio, o jardim das crianças, um tronco de árvore ou pneu do carro.
Não são culpados os canitos, largados pelos donos onde mais lhes aprouver, geralmente em zonas onde passarão outros humanos que não conseguem evitar a caca permitida pelos seus semelhantes, esses sim uns grandes porcos, se os outros fazem porque não hei-de eu fazer, gente que se borrifa para o incauto do vizinho, portadores de comportamenos anti-sociais que são, a bem dizer, muito pouco reprováveis socialmente.
Uma javardice que começa a alastrar assim que se vão as chuvas e que as mangueiras da Câmara não conseguem combater. Muitas vezes é como caminhar sobre telhados de zinco quente, pé aqui, pé acolá, estes humanos são imundos, o melhor é ir pela estrada que tem menos porcaria, painéis, buracos, e até menos carros.
Vive-se assim e vive-se mal porque não querem viver bem: viver bem dá trabalho.

O norte e o sul

- Não sei a que horas nasci. Desapareceu a memória do passado de quem me poderia responder. É importante, claro. Não me recordo de alguma vez ter perguntado. Sim, é possível que tenha sabido, mas também eu já não tenho memória da resposta. É suposto os filhos saberem essas coisas. Porque sim, para que não se percam as memórias dos outros e as suas. - A resposta à tua pergunta só a vais ter (se algum dia a tiveres) de uma forma burocrática e não sentida e, como não sentida, não resposta será, e pergunta se perpetuará.
(Para o P.)

Segunda-feira, Março 15

Na moda em Lisboa

Desfile de Miguel Vieira

Domingo, Março 14

Escolha de José Pedro Aguiar-Branco: Woody'n You de Dizzy Gillespie (Stan Getz) As músicas do PSD Oiça os estilos preferidos dos quatro candidatos

Do congresso: Criticar líderes passa a ser infracção grave 60 dias antes de actos eleitorais" Espero que tenham consciência do que acabam de aplaudir.

...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda)

Retratos do trabalho na Moda Lisboa

BCBG

Os cães na moda

Sábado, Março 13

Grace Jones - Sunset Sunrise

Pela noite de Lisboa com Um homem na Cidade.
De regresso a Lisboa (de onde nunca deveria ter saído), brevemente tudo sobre a MODA LISBOA, com muitas cores, música, zips e martinis.
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