Domingo, Janeiro 31

Outro jardim

Entretanto, noutro jardim completamente esventrado e mal tratado, realizou-se uma visita guiada com o objectivo de dar a conhecer as características do jardim e as alterações que a Câmara Municipal de Lisboa está a implementar.

Recordam-se daquele cena do filme "A canção de Lisboa", quando Vasco Santana armado em veterinário perante as tias, diagnostica às girafas doença grave por terem manchas? É a percepção que tenho desta trapalhada em que as árvores do Príncipe Real andam enredadas. Já vi esta cena no Campo Pequeno e lá estão as "árvores palito" para quem as quer ver. Pobres Ficus macrophylla, Populus nigra e Cupressus lusitanica! também não lhes conhecia os nomes, mas fiquei a conhecer, o que para o caso não importa muito. O que eu também não poderia prever é que um dia iria escrever sobre jardins, e ando nisto.

Escrevo sobre o que ouvi e tenho lido, pois nada sei de Botânica, o que não significa que isso faça de mim uma cidadã desinteressada. O que me aborrece é que a natureza romântica do jardim ficará desvirtuada, que as sombras serão menores, logo o jardim ficará menos fresco, que a transparência irá aumentar assim como a barreira sonora, sem falar nas consequências para o solo e para o habitat natural. Sim, porque as árvores têm vida própria, comportamentos diferentes e condicionam a vida vegetal e animal à sua volta (espero não estar a dizer disparates).

Aborrece-me que se abatam árvores em nome do "alinhamento" e que sejam plantadas outras cuja desvastação no solo (árvores invasoras) é por todos conhecida. Certamente haveria outra forma, mais cordata, para resolver esta questão. O facto é que as árvores adoecem e morrem, mas aconselharia o bom senso um acompanhamento das mesmas caso a caso, retardando a doença e resolvendo a substituição por morte. Pobre jardim, com história malograda e funesta, de cuja sina não se consegue livrar!

Para além das árvores, ainda existe a questão do piso e do mobiliário urbano. Só posso esperar que prevaleça o bom senso e que o Jardim do Princípe Real não seja transformado no Terraço do Princípe Real.

No entanto, nem tudo é mau: gostei de ver o envolvimento dos moradores, alguns deles com filhos pequenos, e do interesse de muitos cidadãos que, num Domingo de manhã se dispuseram a ouvir falar da hitória e das maleitas do jardim. Gostaria de ter visto mais jovens, porque afinal o jardim será deles. Do que existia há uns meses atrás, só nos livros de olissipografia.

2º andamento da New World Symphony -Dvorak

Sábado, Janeiro 30

E as fábulas aqui tão perto

Projecto de Joana Vasconcellos
Visitas: Terça a Domingo das 10:00h às 13:00h e das 14:00h às 18:00h

Sexta-feira, Janeiro 29

Vias pombalinas

Tenho para mim que não há outro sítio no mundo onde se ofereça tanto folheto publicitário como em Lisboa, mais precisamente na Baixa. Ainda não ia a meio da Rua das Portas de Santo Antão e já tinha na carteira um folheto de dois restaurantes indianos, um chinês e de um português. Por educação, aceito sempre. Deve ser por isso que por vezes tenho o carro cheio de panfletos coloridos de promotores imobiliários, clinicas dentárias, lojas de móveis e ginásios, como se não bastasse os que nos vão colocando no pára-brisas e na caixa de correio, mesmo com o autocolante "Não, obrigada". Mas voltando à Baixa, eles lá estão à saída do Metro oferecendo jornais, cursos zen, espectáculos, restaurantes e tudo o mais. Raramente leio mais que uma linha (quando leio), mas evito deitar fora o folheto assim que o recebo. Não sei bem porquê. Acho que aquilo de ter montanhas de papel para oferecer deve ser muito, muito chato e a bem dizer só aceita quem quer, que ninguém nos aborrece. Curiosamente, por vezes encontro uns "distribuidores" em grupo, mais profissionais e de carrinhos de mão. Suponho que sejam os dos supermercados com as ofertas de ocasião. Pelo menos, não dão cabo das costas. Mas na Baixa andam sempre a oferecer coisas, mesmo sem campanha eleitoral. Já uma vez tive direito a uma flor sem conhecer o motivo, mas o mais comum é o folheto azul, rosa ou branco, ou mesmo fotocopiado. Reconheço que seja barata, mas pergunto-me que resultados obtêm com aquela publicidade, principalmente com os indígenas. Há uns tempos, um jovem ofereceu-me um desdobrável em se podia ver uma linda dentadura reluzente. Como já tinha recebido um igual, ia declinar educadamente quando o rapaz me diz que "é para acabar". Bastava olhar para o saco para nos apercebermos de que não era bem assim, mas aquele argumento pareceu-me inteligente.
Na Baixa já vi reis, rainhas, presidentes vários, cruzei-me com altas sumidades, conheço a geografia dos pedintes, identifico os homens e mulheres que carregam a vida dentro de sacos, manifestantes de causas diversas, praticantes de mil instrumentos, grupos de peles-vermelhas a tocar músicas andinas, tocadores de concertina, estátuas de fingir, pregadores, maçadores profissionais de inquéritos, jornalistas em entrevistas de rua ... sei lá que mais.
Seja onde for, na Baixa ou noutro sítio qualquer, é sempre preciso querer ver.
(Editado em 2007 com alterações)

Início de um trajecto

Decididamente, aquele semáforo odeia-me. Mantenho com aquele sacana uma luta desigual há muitos anos, em que ele sai sempre vencedor. Sabe que não o afronto, não o desafio, conhece-me os hábitos, vê-me à distância e espera por mim para lançar o vermelho mesmo à minha frente. Pressente quando vou atrasada para fazer o número habitual e tenho quase a certeza de tem algum relógio/sensor ligado ao motor da minha viatura, porquanto é de manhã que gosta de exibir o seu ascendente. Ao final da tarde ou à noite mostra-se condescente ou mesmo alheado à minha passagem, exibindo um verde lustroso. Ainda há instantes, com tempo e sem hora marcada, lá estava ele a dar-me passagem, solidário em verde esperança.
Por vezes, ao virar da curva, apanho-o desprevenido, a simular cooperação e tento acelar um pouco para apanhar essa onda de boa-vontade. Por vezes, está quase, quase, mas lá está um miserável em segunda fila a tratar da vida no banco da esquina e a lixar o trajecto a quem passa. A policia pactua com aquela pouca vergonha, bem os vejo passar na fila contrária, mas nada faz. A cambada egoísta e indisciplinada anda a tratar da vida, os outros que se apertem em fila única que demora a escoar e eu fartinha disto tudo, de gente indiferente e mal educada. Ganham os piores, pelo menos não perdem tempo.
Amanhã, lá estará de novo o semáforo e eu, entricheirada, que ninguém me ouve, vou fazendo contas à vida e ao dia que começa, com expectativas alegres ou nem por isso. Já me viu desiludida, doente, com o coração apertado, de meias finas, sem meias, de saltos altos, furiosa ou benovelente com a Humanidade. O que o semáforo desconhece é que por vezes nem dou por ele em manhãs felizes, perfumadas, faça chuva ou faça sol, que passem, que passem todos, desde que eu chegue, desde que cheguemos.
Pensando melhor, amanhã tanto me faz o verde, o vermelho ou o intermitente de avaria: vou de metro. Há mais vida neste post para além do semáforo.
Train-Hey, Soul Sister

Quinta-feira, Janeiro 28

Coisas daqui

Ainda há quem faça blogs: o Tiago Moreira Ramalho criou o Plomb du Cantal e a dupla José Gomes de André (a sul) e Nuno Gouveia (a norte) abriram o Era uma vez na América .
Nem sempre estou de acordo com os três autores, mas é saudável não concordar. Sempre acreditei que não é a ideologia que separa as pessoas.
O Paulo Pinto Mascarenhas deu tréguas à blogoesfera em geral e ao ABC em particular. Espero que o descanso seja breve e que volte depressa.
What does your bedside table look like?
No blog Le style et la matière- reflections on summer reading retirado de Little Augury

Atrás da porta

"Não me fales de política nem de trabalho", exclamou ele com ar enfastiado assim que chegou a casa, atirando com o casaco e com as chaves para cima da primeira cadeira que encontrou. Ela hesitou entre um amuo (levezinho) e queixas domésticas de vária ordem, mas desistiu. Ao fim de tantos anos juntos, era inútil insistir com a pintura da cozinha ou a porta da arrecadação. Muito bom homem, mas completamente imprestável com tudo o que fosse bricolage, orçamentos ou tomadas de electricidade. Quando estava assim, era deixá-lo; já lhe conhecia o "modo astronauta", a precisar de tempo para a descompressão e com o qual ela pactuava de bom grado a bem da paz familiar e da sua própria tranquilidade, que é como quem diz "se vens aborrecido, prefiro estar calada para não me maçares".
Ouviu-o descer as escadas para falar com os miúdos, mas rapidamente regressou para verificar o correio. Não pôde deixar de sorrir com a rapidez com que foi corrido por lhes interromper as corridas; "cá em casa cada um precisa do seu tempo, está visto, mas o que ele não vê é o meu novo corte de cabelo, pensou vendo-se ao espelho. Se lhe perguntar alguma coisa, aposto que diz que fica muito bem". Viu-o mexer nos envelopes e abrir cartas, nada de especial. Seguiu-se uma espécie de monólogo, com frases a pedir a aprovação vinda da despensa, pensamentos óbvios sobre a inércia, a falta de decisões, de ideias, iniciativas e criatividade. Pois sim, que ele tinha toda a razão, mas o que querem para jantar? - Qualquer coisa.

Quarta-feira, Janeiro 27

"Siempre imaginé que el Paraíso sería algún tipo de biblioteca" Jorge Luis Borges

"Siempre imaginé que el Paraíso sería algún tipo de biblioteca " Jorge Luis Borges

"Siempre imaginé que el Paraíso sería algún tipo de biblioteca" Jorge Luis Borges

"Siempre imaginé que el Paraíso sería algún tipo de biblioteca" Jorge Luis Borges "I have always imagined that Heaven would be some kind of Library." From the beautiful blog Little Augury

Allegro ma non troppo. Ainda se ouve o chilrear

Symphony 6 Beethoven Pastoral - 1 Mov. Part. 1 Wiener philarmonike Director: Sir Simon Rattle

Domingo, Janeiro 24

Da varanda

Gosto de estar à janela, ouvir as vozes cá em baixo, imaginar aquelas vidas, maldizer o palerma que humilha mulher, confortar a despeitada, sossegar a adolescente inquieta, comentar a esposa distante e acariciar o cabelo das crianças. Gostamos de estar à janela pois as nossas vozes não se ouvem para dentro nem se escutam em baixo, de ombros encostados, a observar as mesmas coisas: temos o mesmo norte, o mesmo sul, as mesmas árvores a oriente e os mesmos vultos a ocidente. Sussuramos as palavras para o vento as levar de mansinho e ali ficamos até as vozes do interior chamarem e as de fora nos cansarem. Também por isso gosto da Primavera. Se nos quiserem ver, olhem para cima: lá estamos de novo.
Post editado; co-autoria
Imagens do blog Frognall Dibdin's Shelves: A Book Blog Musings about old books, old customs, and old houses. By a Bostonian

Serve-se fria

Baisers volés (François Truffaut)-Que reste-t-il de nos amours

A criatura era um fenómeno (para não lhe chamar outra coisa). Sortuda, diziam uns, espertalhaça, acusavam outras com certo desprezo, mas era daquelas pessoas a quem ninguém ficava indiferente. Também eu tinha as minhas razões de queixa, desde aquele dia (tempos de adolescência), em que ela, por cima de um elegante metro e sessenta, e com aquele ar irritante e presunçoso, insinuou com falsa tristeza que por ser baixa e rechonchuda, dificilmente o M. alguma vez olharia para mim.

Recordo-me dela assim, a miúda gira que ficava com os melhores e os mais pretendidos da turma (e da escola), quase sempre aqueles de quem gostávamos. Começou cedo a partir corações, os deles e os delas, chorosas e ofendidas por sentirem rejeitadas.

O facto de eu não pertencer ao "núcleo duro" das miúdas giras dava-me algum distanciamento, o que me permitia analisar com maior objectividade os comportamentos do grupo ao qual também pertencia, sem no entanto rivalizar com nenhuma delas (começa na adolescência a crueldade para miúdas baixas e rechonchudas). Ainda hoje algumas dessas miúdas giras continuam a ser minhas amigas, se bem que uma ou outra tenham perdido a graça desses tempos.
Chamava-lhe a "mulher amiba": se lhe interessava, arranjava de manhã um arzinho sonso, vulnerável e queixoso (plano A). À noite, quem a visse, chamava-lhe Mata Hari, um plano B que ela desempenhava como ninguém, e assim a vi durante todo o tempo em que estivemos juntas no liceu.
Separámo-nos depois na Faculdade e na vida, apesar de ainda nos termos encontrado em casa de M. (o miúdo que nunca olharia para mim), com quem ela namorava nessa altura e a quem eu dava umas lições de Latim jurídico. Parece que o sujeito aprendeu bem a matéria; vi-o há dias numa conferência (ou seria na televisão?) a pronunciar correctamente e com propriedade as expressões latinas que lhe ensinei, mas muito chatinho, valha-me Deus.
Andou por uma universidade que desconheço e corriam rumores nos nossos mentideros mais íntimos, que se tinha safado bem, com o apoio científico de, pelo menos dois Assistentes, que lhe facultavam imensa bibliografia e dedicação. Certamente outro dos vários "mitos urbanos" à volta da criatura.
Por falar nisso, nunca lhe soube o nome completo. Era um ano mais velha, de outra turma, e sempre a tratei por um diminutivo simpático (beto, como agora se diz), como era aliás conhecida. Encontrei-a ontem no dentista e reconheci-a de imediato quando se levantou, depois de terem chamado da recepção: "Sra. D. Purificação de Jesus (xxx), gabinete 3".

Sábado, Janeiro 23

Deixai vir a mim as criancinhas...

"Leise flehen meine Lieder" von Franz Schubert

Das Weisse Band - TRAILER

Imagens do blog Plaisirs Simples (NY)

Sexta-feira, Janeiro 22

"E se..."

Terminámos a noite a rir tanto pelo anedótico da história como pelos gins a mais que fomos consumindo. Eu sabia de tudo, fui testemunha e espectadora mais ou menos atenta (tinha mais que fazer e um namorado novo) do deslumbramento "iniciático" que a minha companheira, acabada de chegar à capital, levou a cabo durante esse longínquo 1º ano da era d.e.(depois da emancipação). Suponho que teríamos lido o mesmo: as biografias de Florence Nightingale a enfermeira valente, da heroína Joana d'Arc, da empreendedora Hellen Keller, da vida de fé de Santa Teresa de Ávila e da sábia Madame Curie. Assim que pôs os pés na Faculdade deram-lhe para as mãos umas fotocópias sobre cultura inglesa ou algo assim. Fascinada, entrou de cabeça nas vidas de Lydia Becker e Millicent Fawcett, duas sufragistas britânicas moderadas e sensatas. Mas foi com Emily Davison que lhe ganhou o gosto, digamos assim. Uma mulher que se atira para o cavalo do rei e que morre pela causa das sufragistas, uma mártir, haveria de tirar-lhe muitas horas de sono. Falava-me do activismo militante de Emmeline Pankhurst e de suas filhas, cuja desobediência civil lhes valeram a prisão por diversas vezes e de tantas outras mulheres que lutaram pelo direito ao voto, igualdade de direitos, etc. Recuou até ao Iluminiosmo, leu Rousseau e Locke, o século XIX trouxe-lhe Engels e Stuart Mill, descobriu Simone de Beauvoir, Betty Friedan e a republicana Maria Veleda. Entretanto, ia comendo. Lia pela noite dentro e comia. Eu chamava aquilo tudo, literatura de alto teor calórico.
A família, guardada em sossego lá longe, desconhecia estas aventuras literárias. Assegurada a honra e o bom nome (em alguns casos, a castidade) com regras e horas marcadas, estariam estas boas almas conservadoras a salvo de pensamentos libertários.
Numa deslocação a casa, ainda ousou mostrar um livreco sobre valores burgueses comprado numa promoção na Faculdade, mas assim que se apercebeu de que o blusão da Barbour (já apalavrado) se encontrava em risco, regressou por uns dias às páginas do Eça e aos braços do enigmático Darcy. Pelo menos, nada daquilo lhe estimulava a produção de adrenalina, logo, não comia. No final do ano lectivo, e depois de tanta leitura, com mais dez quilos em cima e dos lados, ainda não tinha visto "a luz", como eu costumava dizer. Com a chegada do Verão, perante um espelho cruel, devolveu os livros às bibliotecas e deu por encerrada a sua pequena marcha para o conhecimento. Tive pena. Gostava de a ouvir divagar sobre as mulheres que combatiam o estado patriarcal e das sociedades capitalistas que produziam desigualdades sexuais. "Imaginas como era isto por cá; um atraso de vida", indignava-se antes do Pai-Nosso à hora de adormecer. Ainda hoje se interroga "E se...". Propus um brinde à vida de Louise Michel e fomo-nos deitar.
NOTA: Texto ficcionado

Quinta-feira, Janeiro 21

Un point précis sous le tropique Du Capricorne ou du Cancer Depuis j'ai oublié lequel Sous le soleil exactement Pas à côté, pas n'importe où Sous le soleil, sous le soleil Exactement juste en dessous Serge Gainsbourg - Sous le Soleil Exactement
Do blog de design Mon Unique

Um gosto

Edward Hopper: The Office at Night
Invejo-lhes o sentido de ordem e de arrumação: o lápis afiado, as canetas, as esferográficas no porta-lápis, a caixa-ursinho à esquerda com a borracha e o afia, o calendário no centro ao lado da caixa-gatinho com os clips, agrafos, régua e saca-agrafos.
Os post it de cores sortidas, diligentemente arrumados ao lado direito do computador e do vaso decorativo, imprimem um ar personalizado a estas impecáveis secretárias, com ou sem placas de identificação. Agendas-coelhinhos, pisa-papéis pinguins e bloco de notas-museu, estrategicamente colocados junto ao telefone alegram o ambiente, agilizam movimentos e promovem a eficácia. Gavetas cirurgicamente arrumadas e armários organizados com método e ordem, ficam uma coisa que se pode ver, mas que convém não mexer.
Olho à volta e, infelizmente, qualquer semelhança com a minha realidade é mera coincidência. Em contrapartida, tenho aqui um post tão arranjadinho que até dá gosto.

Quarta-feira, Janeiro 20

Paris chocolatier...

Paris Chocolate Tour Do blog de David Lebovitz: living the sweeet life on Paris

Brahms - Piano concerto n°2. Mov 3 (part1), num dia azedo. Barenboim e a Filarmónica de Munique.

Terça-feira, Janeiro 19

[Detail of photo by Pieter Estersohn for Southern Accents, September-October 2009.]
No blog de design Style Court

Bons exemplos, boas práticas

Esta é boa. Muito boa: "Nasceu um novo direito do aluno: copiar. A Universidade de Sevilha reconheceu o direito dos alunos a copiar nos exames, pelo que os professores já não poderão chumbar, expulsar ou suspender os alunos que forem apanhados a copiar."
Dá gosto ver como a sociedade está cada vez mais arrojada, intrépida e sempre disponível para criar mais direitos (cada vez mais arrojados e intrépidos). Vendo bem, nem sei porque esta notícia (ainda) pode ser motivo de surpresa. Possivelmente por falta de assunto e imaginação para novos posts, só pode.

Pelo que leio, "Na prática, os alunos não podem copiar, simplesmente podem olhar para os testes dos colegas sem sofrerem punições por isso", o que está mal. No dia em que a intolerável barbaridade de não se poder copiar de pleno direito for definitivamente banida, aí sim, teremos um novo salto civilizacional. Até lá, os estudantes de Sevilha terão que se conformar com umas singelas olhadelas para os testes na vizinhança, mas a luta continua. Hoje em Sevilha, amanhã por essa Europa fora.

Domingo, Janeiro 17

Domingo à tarde

Terminou hoje a exposição de iluminuras no Museu da Presidência, com a mostra de cerca de 15 Livros de Horas, da Ilhas e Forais Novos. Esta exposição era parte da mostra "Alegrem-se os céus e a terra" composta também por escultura e pintura dos séculos XV a XVIII.
Quem não viu, tivesse visto, porque valia pena. Tão depressa certamente não se voltará a ver uma tão nobre reunião de exemplares vindos do Porto, Évora, Coimbra, BNP, Arte Antiga, Mafra e Torre do Tombo.
No entanto, dois reparos que nada têm a ver com a exposição, aliás de indiscutível beleza:
O arranjo de flores em cima da mesa da Sala Dourada devia ser rapidamente substituído. Podem ser coisas minhas, mas a imponência da sala merecia um arranjo floral de melhor qualidade. Em último recurso, deixem a mesa vazia, que fica muito bem.
O caos automóvel na proximidade do Palácio e dos pastéis, mesmo nas barbas da polícia. Um horror, o exemplo do que nunca se deve fazer numa zona turística, bloqueando vergonhosamente a passagem dos eléctricos, criando filas imensas de viaturas devido a segundas e terceiras filas com e sem piscas ligados. A sinalização é inexistente, não se vê sombra de autoridade, enfim, os portugueses no seu melhor, a balda do costume.

Sábado, Janeiro 16

Annie Fischer toca Händel num dia sem chuva (Arrangement of the Chaconne in G major by Eugen D'Albert)

Embaraço de mulher em loja de lingerie acompanhada pela mãe (1)

Um "delito" nunca vem só; vem sempre aos pares (ou melhor, aos conjuntos).

Embaraço de mulher em loja de lingerie acompanhada pela mãe

Há constrangimentos sem preço, mesmo em tempos de saldos.

Sexta-feira, Janeiro 15

(Thanks Heather)

No seu lugar

E quando os objectos fogem dos seus lugares? Mas como surgem ali, onde não nos recordamos de os lá ter colocado? Verificamos se a coisa ganhou asas, rodas ou patinhas, mas nada. Como terão chegado aqui a este sítio onde não era suposto virem pousar? Um papel, caneta ou caixa que aparece em gavetas que há muito não abrimos e eis que, inesperadamente, objectos esquecidos tornam-se indispensáveis, saudados, irreconhecíveis.

Nem sempre são boas surpresas. Algumas vezes achamos graça, tem a sua piada rever isto ou aquilo, recordação boas da sua fugaz existência. Mas também damos de caras com as que abrem feridas antigas (por algum motivo ali estavam), à espera de serem esquecidas. Não existindo impedimento para irem direitinhas ao lixo, não se percebe porque se deixam ficar na gaveta até nos esquecermos de que existem, ou até à próxima vez para voltarem a ser surpresa. Há sempre uma ou mais gavetas habitat natural de coisas inúteis, mas quase sempre com uma história ou à espera de uma (nova) oportunidade. São gavetas com memórias, como aquele novelo de linha branca, o bloco da batalha naval (há que anos!), um dado perdido, molhos de chaves ou botões de origem incerta. Até ao dia em que tudo há-de voltar a ser surpresa de novo. We outgrow love like other things And put it in the drawer, Till it an antique fashion shows Like costumes grandsires wore.

Emily Dickinson

Lista fundamental (anotada)

Rita, Também posso? Não se pode dizer que sejam machos para todas as aventuras como o Mel Gibson, o Harrison Ford, o Denzel Washington ou o Colin Farrell, mas tendo em conta a diversidade de gostos (pormenor não despiciendo), tambem tenho duas propostas, se bem que mais modestas: Para preencher a quota dos franceses: Vincent Cassel. Bem sei que foi o menino do anúncio de um perfume (para homens) da Yves St. Laurent, mas é casado com a Monica Bellucci. Não é qualquer um que se casa com a Monica Bellucci.

e sem desprezar o estilo preppy, o Simon Baker. Não precisa de sujar as unhas, perfurar jugulares, andar à catanada, ou analisar provas em microscópios sofisticados. É tudo uma questão de mente com aspecto asseadinho. Um moderno Sherlock.

Eu sabia que as propostas não eram pacíficas. Diz assim a Rita: A Miss Pearls, uma das minhas bloggers do coração, deixou-me num dilema ao escolher Vincent Cassel. Um francês! Podemos confiar o futuro da Humanidade na França? Não me parece. Acaso a minha querida amiga não sabe que esse sotaque irritante é incompatível com a masculinidade? Mas a Miss Pearls tem toda a razão: "Não é qualquer um que se casa com a Monica Bellucci." Está tudo dito, então. . Como se não bastasse com um francês minorca, a Miss Pearls vai e recomenda o Simon Baker. Não sei. Tanta limpeza, tanto dente branco, tanta gracinha parece-me de pouco macho-macho, apesar de usar colete, o complemento mais masculino que existe.

Quinta-feira, Janeiro 14

E também aqui no meu blog,

Parabéns, camarada, amigo,cunhado. (...) Navegamos de vaga em vaga Năo soubemos de dor nem mágoa Pelas praias do mar nos vamos A procura de manhă clara ... Onde o vento cortou amarras Largaremos p'la noite fora Onde há sempre uma boa estrela Noite e dia ao romper da aurora Vira a proa minha galera Que a vitória já năo espera Fresca, brisa, moira encantada Vira a proa da minha barca

O meu café*

Entro num destes cafés com história, onde ainda se respira o ar do tempo de um passado não muito longínquo e imaginam-se os susurros das vozes que encontramos nos romances, nos quadros, nas caricaturas e na dramaturgia. Não será difícil imaginar favores literários atribuídos entre três bicas, criaturas que faziam dos cafés os seus salões assim que deixavam os quartos alugados (Bocage, Batalha Reis, Pessoa, Rodrigues Miguéis), artistas falidos (Gomes Leal) que se contentavam com um bolinho e cinco cafés para esconder a fome do dia, tabaco cravado a qualquer um, outros que se instalavam nas esquinas encostados às paredes, fatos poídos voltados ao contrário, todos chiques com a sua bengalinha, de carteira vazia e a um canto, Stuart de Carvalhais a desenhar caricaturas a troco de dois brandies. Madame, que deseja? Fotografia: Cidade surpreendente
*Revisitado

Quarta-feira, Janeiro 13

Felix Mendelssohn, Spring Song para um dia frio
From the beautiful design blog: Velvet & Linen

Terça-feira, Janeiro 12

M.

"É da mudança de idade", afirmavam umas. "São coisas do divórcio", ouvi-as eu repetir desdenhosamente, eram amigas dela, umas peruas ruins que adoravam exibir socialmente o seu sucesso matrimonial mas depois, ia-se a ver, e as vidas não eram assim tão lindas (cala-te, boca!).
A coisa era simples e queria eu ter tantas notas de mil como mulheres confusas no meu consultório após um divórcio. Pois contra qualquer previsibilidade (julgava eu que a conhecia bem), a M. passou por uma fase complicada, digamos assim. Um dia apareceu loura e na semana seguinte mudou o visual para coisa mais arrojada (diga-se de passagem que aqueles trapos caros com pioneses dourados, os casacos curtos de pele e o arraial de bijuteria lhe ficavam muito mal, mas caladinha que nem um rato).
Eu ia dizendo que aquela modesta (mas cara) euforia era coisa passageira, mas se fosse para ficar, que sim senhoras, qual era o problema. A conversa acabava sempre com um revirar de olhos ou um complacente encolher de ombros. Desconfio mesmo que achavam a minha opinião muito pouco estimável :"Nunca te casaste, como podes perceber estas coisas?" Deviam estar todas num estado de graça a que eu nunca poderia aceder.
A verdade é que o marido tinha voltado a casar, mas ao tempo que estavam divorciados, pelo amor da Santa! Parece que era uma antiga colega de escritório, quase com duas dúzias de anos a menos que ele e que fazia as delícias da filha mais nova, pois já as tinha ouvido ao telefone trocar informações sobre sítios cool e roupas fixes. A filha mais velha não queria maçadas e o miúdo estava na fase Milo Manara em paixão episódica pelas ondas e por meninas com fatos de surf. Tudo normal.
Sentindo-se meio perdida, centrou-se nas massagens com pedras quentes, solários, ginásio até rebentar, fez-se loura, e afirmava a pés juntos que queria tudo a que tinha direito. A tudo dizia que sim, quem era eu para julgar, não faltava mais nada, mais uma moralista com sentenças. A situação estava de tal forma apardalada que cheguei a temer o pior: que criasse um blog. Parecia estar já a imaginar o título, daqueles rosadinhos lamurientos cheio de falsas resoluções, juras de amor próprio e, mais grave ainda, do género confessional. Graças a Deus que não se meteu nisso. Provavelmente seremos das poucas pessoas que não lêem blogs e vivem bem com isso. Adiante. Ao fim de meia dúzia de meses, cansou-se de tanta energia, de um esforço que não lhe era natural, tirou a tinta do cabelo, largou o solário, desembaraçou-se dos ornamentos e do folclore, e regressou à velha e monótona vidinha que conhecia. Ou melhor, que ambas conhecemos. Há dias, depois do consultório, como combinado, passei buscá-la a casa. Dessimuladamente, reparei que já se tinha livrado de muita coisa, até daqueles horríveis chinelos de quarto. Em compensação, arranjou um espectacular saco de água quente.

Segunda-feira, Janeiro 11

Voltas da vida

Sai vapor quente do ferro que aquece. Segura-se o cabelo, uma volta, outra dobra, em compasso seguro. Tiram-se os vincos em movimentos apertados, alisa-se a toalha em braçada larga e fazem-se contas à vida. A humidade desenruga a renda do lençol, uma volta, outra dobra, solta-se o cheiro a lavado do algodão que há-de ter de novo o cheiro do corpo, um vapor imperceptível mas subtil, segura-se o cabelo que teima em cair, as voltas que a vida dá.
Sossega-se o ferro para a geometria da camisa, os punhos, mangas, as costas, a frente e o colarinho, na cadência certa, e é o vapor quente que aquece a cara e alisa as rugas imaginárias. Podia ser tudo assim tão certo, sem aspereza nem pontas soltas.
Volta-se o lenço, de um lado e de outro e a gente sorri: é no carinho que se faz a dobra.
Imagem: Exposição The Edwardians: Secrets and Desires (NGA)

Domingo, Janeiro 10

Cat on a Hot Tin Roof para um dia frio (foto)

Sem edição

Como a passada sexta-feira não foi dia de litúrgia especial (na missa usou-se o verde, cor do Tempo Comum, sem idade para novas evangelizações) e visto não encontrar motivos de interesse particularmente agradáveis, continuo a escrever pequenas histórias de modesta ficção. Coisas do amadorismo, sei quase sempre como as começar, mas nunca que fim lhes dar. Pois, até poderia trocar algumas ideias sobre o assunto, não fosse o riso que chegaria até aqui, e para sorrir estou cá eu.
Le Meurice Café Mondrian

Por aqui

A Torto e a Direito, o blog do programa «A Torto e a Direito» na TVI 24.
O post de Helena Matos "O legislador está desfasado da realidade", citando o texto de Francisco Teixeira da Mota no seu texto de hoje no PÚBLICO.
Fotografia Rodney Smith, a partir do Fabulously french

Final de tarde

Encontrou-o por acaso naquela pastelaria. Era ali que se encontravam ao final da tarde antes do regresso a casa. Eram felizes nessa altura. Ela podia jurar que eram felizes. Acreditava que lhe conhecia o corpo e lhe adivinhava o pensamento. Mas depois tudo fora muito difícil, doloroso e já nem lhe apetecia lembrar. Assim que lhe vinham as recordações ou lhe pressentia uma presença que ela sabia não existir, afastava o pensamento e reprimia a ilusão. Inesperadamente, encontrava-o ali algum tempo depois. "Ainda é cedo, pensou assim que o viu. Ainda não se consegue fingir". Conseguiu balbuciar umas frases mal amanhadas perante um homem confiante e sorridente. Era isso, claro. "Cherchez la femme", foi tudo o que pensou enquanto observava uma mulher que se dirigia para junto deles. Assustada, acordou de repente e ouviu uma voz ensonada: "Tomas muitos cafés, já te disse". "Sim. Estava na pastelaria".
(Texto editado)

Sábado, Janeiro 9

Elvis Presley - "In the ghetto"

Sexta-feira, Janeiro 8

Lugar 45

Hollywood Boulevard vintage postcard.
"Já nem um cigarro se pode fumar", queixou-se impaciente, enquanto as letras da revista iam saltando sob os olhos sem concentração nem interesse. Pela vigésima vez, olhou para o quadro electrónico à espera da hora de embarque, enquanto via, pelas grandes vidraças o avião que a haveria de levar a ela e mais aquelas dezenas de passageiros para o mesmo destino mas por motivos diferentes. Apertou o saco entre os joelhos, satisfeita pelos cremes contados na medida certa que a livravam das maçadas das medidas de segurança, e com o que haveria de vestir e despir. Disfarçou um sorriso acomodando os óculos.
Mais uma corrida, nova viagem, a mesma ansiedade, que o coração batia sempre mais depressa um ou dois dias antes, numa intranquilidade que nunca se dispusera apaziguar. Lugar 45, enquanto saudava alguém da tripulação já conhecida de viagens anteriores e segurava o saco, o bilhete e se agarrava à expectativa da chegada.
Que estranha forma de amar alguém, entre check-ins, nécessaires à medida, cafés horríveis, bancos apertados para tanta perna, zumbido nos ouvidos e os malditos cacahuètes que lhe davam sede. E depois, o pior de tudo, sempre o tempo, as horas lentas da partida, o contra- relógio da chegada, a contabilidade dos minutos por gastar, nunca o suficiente para as conversas da vida e para o silêncio sossegado que os libertava.
Estranha forma de levar a vida entre cartões de embarque, saudades, agendas, calendários, amor à pressa (maldito despertador), ela dizia esperança, ele chamava-lhe expectativa, nenhum deles falava de planos, e o avião atrasado. À sua volta vê o empresário de nervoso miudinho, o eurocrata elegante, os reformados em turismo, os jovem do Erasmus, mais homens de negócios e mulheres com pastas habituadas a rápidos regressos. "Andamos ao contrário", pensou, "com os abraços nas partidas e a indiferença nas chegadas. Não chego só a outro lugar, chego para alguém", esquecendo-se de quantas vezes desejou o contrário. Mas ali, perto do lugar 45, a ansiedade afastava os desejos escondidos da nostalgia das partidas a que assistia ao longe. "O importante é chegar", parecia dizer-lhe o coração que batia mais depressa.
Por fim, um novo olhar e, sem ressentimentos nem mágoas, apanhou o saco, segurou o bilhete e agarrou-se à expectativa da chegada, nessa estranha forma de levar a vida que era a sua.
Segurou-lhe as mãos, entrou-lhe pelos olhos verdes e apanhou o saco. "Fica-te bem o novo baton".
Hannah and her sisters Barbara Hershey e um poema de e.e.cummings "I've heard that song before" - Harry James and his Orchestra

Revista Ler

(...) Nem tudo são degraças. Portugal como país de acolhimento de imigrantes do Leste nem ao Vilhena (cf. Gaiola Aberta) lembrava. Eslavos, sobretudo ucranianos e russos, ou latinos, como os romenos e os moldavos, mudaram a paisagem urbana, acrescentando cosmopolitismo às pequenas profissões. Contra tanta subtracção, alguma coisa tinha de valer a pena".
Eduardo Pitta "Subtracções"
(...) "Uma das coisas que se pode ganhar nos blogues é saber perder. Perdemos ignorância - aprendi muito nestes anos - e perdemos umbigo. Há muita gente que escreve melhor e que pensa melhor. Isto permite-nos sair do círculo dos nossos contactos diários, do bar da faculdade, ou do hospital, da família, etc. Sair foi sempre um predicado da aprendizagem.
(...)
Outra vantagem é, obviamente, a distância. (..). E não me venham com o ar do tempo (tecnológico): durante séculos homens (e mulheres) corresponderam-se sem que houvesse, de início, um conhecimento físico. Também acontece o contrário, claro: as pessoas conhecem-se, às vezes há muito tempo, mas a distância, física ou mental, escolhe o blogue como cavalo branco. Nessa altura somos pares como Reich e Freud, Bonhoeffer e o pai, Unamuno e Pascoaes - se nos der para a fanfarria. Sem delusão somos apenas bons amigos que trocam galhofas a altas horas da noite.(...)
ambos na Revista Ler
Uma das minhas fotografias favoritas da década: os livros de volta às estantes em 2007, depois do violento incêndio em 2004 na Anna Amalia Bibliothek em Weimar.

Quinta-feira, Janeiro 7

Ortografia sem acordo

Não lhe conhecia a escrita, a letra, a pontuação ou a sintaxe. Foram anos a fio de garatujos feitos à pressa em cartões de visita profissionais, a acompanhar uma prenda em ocasiões especiais e era tudo o que conhecia escrito por ele, que eu hipocritamente elogiava para a ver feliz. Nem um post it na porta do frigorífico, nem um recadinho doméstico ou um aviso de encarregado de educação, coisas da vida em comum.
Um dia, há já alguns meses, após uma curta visita, deixou um papelinho na mesa da sala e desapareceu. Nunca mais deu cor de si, nem carta nem postal. Pirou-se. Levou sumiço. Ontem, entre um Unisedil, dois Xanax (dos fraquinhos) e uma caixa de kleenex, mostrou-me o papelinho amassado de tanta fúria. "Não lhe percebo a letra. Já o li e reli com baba, ranho e à lupa. Lê tu, que o rancor não te tolda a visão", pediu-me com voz chorosa, ao que acedi sem muita vontade, que a rejeição é uma coisa lixada e sai a todos. "São fósforos, querida. Está aqui. Diz que saiu para comprar fósforos." Fotografia: Mrs. Blandings, um blog de decoração em Kansas City

Terça-feira, Janeiro 5

Um dia, este blog muda de cor e vive feliz para sempre

Não é gripe nem dor de cabeça, não é cansaço nem tristeza, não será da chuva, da gente ou do vento. Porventura falta de inspiração e pobreza de talento.

Montra (instalação) para a Casa Hermés feita pelo designer Japonês Tokujin Yoshioka: uma japonesa num monitor a soprar levemente um foulard Hermés

Retirado daqui, a partir do Belgian Pearls

Segunda-feira, Janeiro 4

Joly Braga Santos-Sinfonia 5 Quarto andamento

De perfil

Por vezes, surgem no contador deste blog, pesquisas no meu Profile (que já vai, aliás, em 17.000 visitas and counting). Creio que já aqui fiz este reparo, mas volto a repetir: em questões de estética, a iconografia maoísta não me assenta muito bem.
- Tu ne pourrais pas me faire une fois de face, comme ça ? - Oh moi, l’art contemporain... hein... Astérix et Obélix : Mission Cléopâtre ( Cléopâtre et le peintre)

Domingo, Janeiro 3

"IT WAS A VERY GOOD YEAR"-FRANK SINATRA

Outras guerras

ARTHUR: Right! Keep me covered. KNIGHT: What with? ARTHUR: Just keep me covered. TIM: Too late! [chord] ARTHUR: What? TIM: There he is! ARTHUR: Where? TIM: There! ARTHUR: What, behind the rabbit? TIM: It is the rabbit! ARTHUR: You silly sod! You got us all worked up! TIM: Well, that's no ordinary rabbit. That's the most foul, cruel, and bad-tempered rodent you ever set eyes on. ROBIN: You tit! I soiled my armor I was so scared! TIM: Look, that rabbit's got a vicious streak a mile wide, it's a killer! KNIGHT: Get stuffed! "Monty Python and the Holy Grail"

Sábado, Janeiro 2

Domingos Bomtempo-Sinfonia nº 1, op. 11 (4º andamento

Dia 2

E para não falar em balanços, o melhor de 2009 na minha vida foram algumas pessoas, e o pior de 2009 foram outras pessoas, por isso agrada-me mais este equilíbrio do que relatórios de fecho de contas.
Sobre a blogoesfera, criada nesta década, poderia dar a entender que teria escrito, durante o ano que passou, alguma coisa de grande relevância o que não é, obviamente, verdade. Não escrevi, nunca poderia ter escrito e julgo que nunca virei a escrever nada digno de antologia, o que não me causa grandes ralações. A blogoesfera que conheço é um local onde é suposto todos termos ideias, sermos felizes, bem sucedidos, viajados, consumidores de bens culturais e, de preferência, gir@s e jovens. Desgraçadamente, não consigo acumular tantas características, o que também não é problema nenhum.
No entanto, tive o gosto de ter podido participar em blogs colectivos e estarei sempre reconhecida pelo convite. Por isso, não poderia deixar de mencionar o meu primeiro post no Corta-Fitas, o Cidadania LX e o Carmo e Trindade, no qual ainda mantenho uma esporádica colaboração.
Em todos eles me senti sempre confortável e livre, e em todos eles encontrei gente encantadora. Assim, este é o meu balanço possível em forma de agradecimento.
Fotografia: Contemporary chandelier of rock crystal, by Herzog and de Meuron installed at the Walker Art Center, Minneapolis, Minnesota
NOTA: Parabéns pelos 5 anos do blog Da Literatura. Obrigada Eduardo, pela sua simpática referência.
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