Quinta-feira, Dezembro 31
Fim de ano
Quarta-feira, Dezembro 30
Terça-feira, Dezembro 29
Tem dias
Apesar da boneca na moldura barroca ali ao lado, este blog é individual, ou seja, escrito por uma única pessoa e vive dos humores e desamores da sua autora. Assim sendo, aqui não há jantares de blog, nem festas de blog, nem comemorações colectivas de qualquer espécie. De vez em quando tomo um chá ou janto com alguém que por acaso escreve em blogs, mas não foi por causa dos blogs que me tornei amiga dessas pessoas. Foi, digamos, uma circunstância, mas poderia tê-las conhecido noutras situações e em ambientes distintos. E tenho conhecido gente fantástica.
Curiosamente, continuo a ler os mesmos blogs ou as mesmas pessoas noutros blogs e de vez em quando, algumas novidades. À esquerda, o Cinco Dias, à direita o Blasfémias (entre outros), seja para concordar ou discordar, e o Ouriquense, porque é mesmo bom. De fora, ficam os blogs dos amigos, a quem conheço os humores e um pouco das vidas que se deixam mostrar.
Há uns dias recebi um mail de um blogger que desconheço e que escreve muito melhor que eu, que dizia unicamente "Elogiar não ofende" e que tinha gostado muito de um texto recente. Permeável à lisonja, agradeci com satisfação e não pela lisonja, mas porque alguém achou graça a um post que deu algum gozo escrever. Escusado será dizer que gostamos mais de uns posts que doutros, que alguns dão mais trabalho que outros, que também os há sem ponta por onde se lhes pegue, a alguns não lhes encontro um final e muitos nunca deveriam ter visto a luz do template.
De resto, neste tempo algo jurássico de blogoesfera, vão-se perdendo leitores e ganham-se outros, mas julgo que deve ser assim num blog sem agenda, novidades ou recados. Quanto aos amigos, quem me conhece, sabe de mim não pelo que escrevo, mas pelo que não escrevo. Este blog está cheio de experiências pessoais reais com muita fantasia à mistura. Essa fronteira só eu a conheço e isso agrada-me. Acreditem que não há coisa mais maçadora que o confessionalismo mal escrito.
E é tudo sobre metabloguismo, só porque me apeteceu e não sei que mais posso dizer. Ainda nos despedimos antes do Novo Ano.
Jack Nicholson e Faye Dunaway no filme Chinatown , no tempo em que não se discutia a importância dos produtos orgânicos na vida sexual (meaning sexo verde)Segunda-feira, Dezembro 28
Frente & verso
Ouço o temporal da minha janela. O demo endoidou de vez, anda à solta e a soldo de Lucifer "Arch-regent and commander of all spirits". Vendavais fortes e chuvas violentas deixam a nú as fragilidades de um país feito de estruturas mal amanhadas resultantes de obras (mal) feitas pour épater les bourgeois e de pouca limpeza preventiva. Desta vez, a expressão "ocorrência" bateu-nos à porta, ou melhor, entrou pelas portas dentro e a televisão mostra a nossa realidade ao vivo e com poucas cores. Lá fora, em países distantes onde os elementos parecem andar sempre loucos, em locais que não reconhecemos, as imagens não nos tiram o sono nem a vontade de jantar. Por cá, ainda há gente a comer à luz do gerador.
Entretanto, péssimos sinais para quem se aventura nas estradas portuguesas. O rendilhado legislativo feito de buracos e pontos sem nó em diplomas mal regulamentados, só deveria espantar os que não conhecem a justiça que temos, mas sabemos que há direitos mais "humanos" que outros. Estes, pelos vistos tresandam a álcool, mas não faz mal.Só isto
A família que me resta — uma avó e um irmão — reuniu-se há dias num presépio das berças, frio como a noite dos tempos. Eu fiquei em Lisboa, coberto de cinzas, a tentar erguer alguma coisa que se parecesse com a família que tinha. Aqui não cheira a lenha, nem caminhamos sobre as pedras, nem precisávamos de um dia de mortos.
Pelo Luis Miguel, no Vida Breve. Ambos caminhamos sobre as mesmas pedras.
Sábado, Dezembro 26
Fim de festa
Sexta-feira, Dezembro 25
O dia vai alto

Quinta-feira, Dezembro 24
J. S. Bach - (2/3) Weihnachtsoratorium BWV 248 - Kantate IV - Nos. 39-40
O Natal fica um pouco melhor com o mais virtuoso entre os virtuosos, o mais talentoso dos talentosos.
Outro calor (1)
Entretanto, dou uma volta pelos blogs, jornais, pelo que se fala e as atitudes dividem-se. A Helena Matos, enquanto espera pelo espírito de Natal, ainda tenta a crónica boazinha, como refere no texto de hoje: "Uma crónica que seja uma espécie de versão adulta das redacções sobre a paz, os golfinhos e a salvação do planeta que as criancinhas escrevem laboriosamente. Uma crónica que não ofenda, que não vá contra o espírito "sininhos a tilintar", muitos beijinhos, menino Jesus nas palhinhas característicos da época", mas foge-lhe a mão para a política. Não se chateie. Depois das filhoses e do bacalhau com broa, isso passa e amanhã outras ralações virão, tão certo como o Maomé fugir do toucinho.
Outros falam e escrevem com sobriedade de coisas sérias, política e assim. Bem sei que não me deveria espantar, mas este ano a novidade é alguma violência verbal e até má criação. Os tempos estão muito estranhos e, decididamente, não são os meus.
Um pouco por todo lado vivem-se ares de generosidade episódica e fraternidade sazonal. É normal, mesmo sabendo que isto da generosidade ou está na natureza de cada um ou não está. Que as (boas) atitudes para com os outros têm 365 dias cada ano, mas a gente faz-se de parva e, com algum cinismo, aceitamos meia dúzia de horas de altruísmo alheio. Deve ser isto a que chamam "saber viver" ou espírito natalício.
E por ser Natal, também me dá para algum metabloguismo um nadinha nostálgico mas sentido, pois isso devo aos meus leitores. Pode ser que ainda tenha alguma aberta entre a corrida para o bolo-rei do Estoril, toalhas de linho e travessas de sonhos. Voltando à crónica da Helena, está cheia de razão sobre as mesas de Natal dos que se dizem "gente famosa": "Perante a parafernália que colocam nas mesas, verifico que não sobra espaço para a comida: troncos, velas, frutos, bolas, fitas, enfim tudo menos comida ou espaço para ela". Desconfio que aquilo deve ser tudo para inglês ver e nada daquilo lhes pertence. Não troco a minha mesa conservadora e tradicional por nenhum daquele folclore, eu que sei quem quebrou a asa da terrina e riscou a travessa grande.
Vamos então a outra corrida e outra viagem, semelhantes a tempos passados, dos recados e das entregas, a maior das secas para uma criança em terras de província, mais uma rua, outra casa, que manda a mãe as filhoses à amiga viúva, ao primo doente, e à família enlutada, que era mesmo assim que ditava a tradição. Tal como hoje, a noite que nunca mais chega...
Quarta-feira, Dezembro 23
Outro calor
Terça-feira, Dezembro 22
Segunda-feira, Dezembro 21
Inverno
Domingo, Dezembro 20
Sábado, Dezembro 19
Sexta-feira, Dezembro 18
Rotundamente triste
Quinta-feira, Dezembro 17
Quarta-feira, Dezembro 16
Concurso: Finalíssima
Estava-se mesmo a ver que, à semelhança de anos anteriores, prémios nem vê-los. Pareceu-me logo muita fruta, essa coisa dos prémios fantásticos. No tempo em que só havia microfilmes
No tempo em que só havia microfilmes (2)
uma bibliotecária (lindíssima e eficiente) namoriscava entre as estantes de livros. Coisas de filmes.
Enquanto isso, um computador com nome de mulher, Miss Emmy, ameaçava tomar o lugar e o trabalho das diligentes (e elegantes) bibliotecárias da estação de televisão, receosas da mudança. Nada que um romance não viesse resolver.
No tempo em que só havia microfilmes (3)
No tempo em que desapareceram os microfilmes
as bibliotecárias ainda usam chinó e os livros, alinhados nas estantes, hão-de ter um brilho azul . Os bustos não serão de Jedi famosos, mas de outros personagens que a história se encarrega de criar.
Jocasta Nu para Obi-Wan "If an item does not appear in our records, it does not exist." Terça-feira, Dezembro 15
Um tigre, dois tigres, três tigres
Segunda-feira, Dezembro 14
Aprendendo alguma coisa
The Fragility of Goodness- Luck and Ethics in Greek Tragedy and Philosophy
Para afastar os ventos de mediocridade que pairam por tantos lados, enfastiada com os trolls ou trolhas de serviço, não desfazendo no trabalho honesto destes últimos. *
Aqui fica a Martha Nussbaum a falar sobre sobre Hecuba e a beleza (moral) da fragilidade, "ethical life", vingança e traição. (Obrigada)
* Bem sei que nada tem a ver, mas como o blog é meu, recordo-me bem daquele russo de meia idade, operário da construção civil que, diariamente, e durante algum tempo, vinha à biblioteca pública durante a hora de almoço. Trazia uma maçã, tirava um livro do bolso, e sentava-se a ouvir os cd's de Tchaikovsky ou Stravinsky. Não, isto não é romance nem lirismo. Antes fosse.
Comentário do Jansenista: Como num comentario de Proust, as vezes surpreendemo-nos quando o silencio nos revela que as badaladas da torre da igreja continuam a soar e com a mesma cadencia - e que era so o facto de estarmos imersos na confusao e no ruido que nos estava a privar dessas sabias e reconfortantes reconfirmacoes de uma autenticidade mais recondita e discreta. Os trolls sao criacoes fantasticas dos tempos medievais - dos tempos, lembremo-lo, em que se dizia que nem uma so flor era capaz de crescer fora dos muros dos conventos. As vezes regressamos a isso, e que conveniente que se torna entao termos espessos muros em torno do nosso jardim! Acho que e isso que procuro traduzir nas alusoes a um Ashram: a ideia de um bastiao de invulnerabilidade contra o alarido. 11:23 PM
Domingo, Dezembro 13
No seu lugar
Num dos poemas mais fascinantes (se assim se pode dizer) da minha existência, Eliot descreve a essência e as fases da vida, em associação com lugares que define como "Houses live and die: there is a time for building And a time for living and for generation" (...), ou seja, "Home is where one starts from*".Sexta-feira, Dezembro 11
Quinta-feira, Dezembro 10
Concurso
Afinal a tradição ainda é o que era e o Luis Novaes Tito, entre a política e os lugares onde foi feliz, lançou de novo o concurso menos competitivo de que tenho memória: o concurso de presépios de Natal, este ano com a representação do burro.Um pouco de paz
A propósito do excesso de ruído que me rodeia e que me incomoda, assunto barulhento tão bem retratado há uns tempos por António Barreto no Público, verifico (mas posso estar enganada) que há muita gente que pouco tempo se aguenta em casa. Não estou a falar sequer desta festiva e colorida época natalícia, na qual é suposto estarmos todos felizes, com ruas e centros comerciais apinhados, sacos engalanados, luzes e badalos. Aliás, e não é por acaso, que voluntariamente fico entrincheirada num ambiente no qual, pelo menos posso controlar o termostato, condicionar os níveis acústicos e ostracizar os pais natais, o que, confesso, me dá algum gozo. Já quanto a árvores de Natal, se não há pinheiro a sério, não contem comigo. Pois é, agora usa-se tudo mastigado, reciclado e as árvores são poupadas ao abate, azar o meu. Aqueles adornos brancos ou prateados, estilizados, raquíticos, minimalistas, vagamente coniformes, podem ficar deslumbrantes em muitas casas & decoração, mas não na minha. Assim sendo, as renas e as "merry seasons" ficam onde devem estar, lá longe, onde a noite se confunde com o dia, entre saunas e neve em abundância. O azevinho verdadeiro, pobrezinho, já foi desaparecendo e nunca se sabe se a bicharada se lambuza com as bagas vermelhas. Pois fica o eucalipto e outra planta cheirosa cujo nome desconheço, ao bom estilo "back to basics", a lembrar a minha aldeia, ou aquilo que hoje me parece que eram aqueles tempos distantes.Quarta-feira, Dezembro 9
Geração vinil
Segunda-feira, Dezembro 7
2009
Os melhores livros de 2009 segundo The Economist :
Um blog feito por um Belga, cheio de ambientes cuidados, bom gosto e harmonia. Este blog - The neo lyfestyle - devia ser meu.












