Quinta-feira, Dezembro 31

Fim de um ano

Palácio Nacional de Mafra
Cloche de la Cathédrale Saint-Étienne de Bourges

E ao 5º dia a roupa finalmente secou. Abriu o sol o suficiente para que a ordem e a vida doméstica voltem aos seus lugares, armários e gavetas. Que isto seja uma questão de princípio mas não um modo de vida. Alguma desordem tem a sua graça, torna o espírito mais livre e vive-se com menos constrangimentos. Coisas minhas.
Que o ano novo que aí vem seja bondoso e suave para todos. Que esta cidade se torne mais amigável e que a luz verde encha Alvalade de alegria. Fico por aqui, com optimismo moderado, que os tempos não estão para festas.
Escolha, para terminar o ano, a superstição que mais lhe aprouver, porque mal não há-de fazer.
Encontramo-nos aqui em 2010. O importante é voltar.

Fim de ano

Não mereço a generosa distinção de um prémio blogoesférico mas agradeço ao Luis Novaes Tito a gentileza das suas palavras.
Por aqui, como pode verificar pelas fotografias, a mesa está posta e a couture em ordem. As velas do Loreto ficam muito bem na baixela dos czares.
Um Feliz Ano Novo para si, caro Luis, com muita saúde. Obrigada.

Quarta-feira, Dezembro 30

Steve Harley - Make Me Smile

Terça-feira, Dezembro 29

Sec. XVIII

Carlos Seixas, Sinfonia for strings and basso continuo in B flat Major

Tem dias

Apesar da boneca na moldura barroca ali ao lado, este blog é individual, ou seja, escrito por uma única pessoa e vive dos humores e desamores da sua autora. Assim sendo, aqui não há jantares de blog, nem festas de blog, nem comemorações colectivas de qualquer espécie. De vez em quando tomo um chá ou janto com alguém que por acaso escreve em blogs, mas não foi por causa dos blogs que me tornei amiga dessas pessoas. Foi, digamos, uma circunstância, mas poderia tê-las conhecido noutras situações e em ambientes distintos. E tenho conhecido gente fantástica.
Como é bom de ver, a boneca ali do lado não é o alter ego de ninguém. Um amigo, o Manuel J, desenha meia dúzia de bonecas, envia-as por mail e depois peço uma ou duas alterações. Originalmente, foi mais rechonchuda e até teve, em tempos de Natal e de maior disponibilidade, um penteado jingle bell. Não serão muitos os blogs com uma boneca de árvore de Natal na cabeça e um colarzinho de pérolas.
Deste lado do écran, continuo com as mesmas dificuldades em escrever um post, escolher o título, e só Deus conhece a minha falta de imaginação, as inúmeras tentativas perante uma sintaxe mais elaborada ou a procura inglória pelo termo certo. Apesar de admirar as inovações gráficas e técnicas, este triste nunca conheceu outro ar: há anos que a cor se mantém, o template foi sempre o mesmo e até os links são alterados com muita resistência, fruto de algum conservadorismo, pura preguiça ou simples ignorância.
Posto isto, e dadas as circunstâncias festivas, interessam-me menos os balanços que a balança, que essa não pode esperar. O que este blog se deve gabar, issso sim, é dos seus leitores. A alguns deles só lhes conheço o nome ou um nick name, a muitos conheço-os porque sim e a outros, a maioria, não faço a menor ideia quem sejam. Gente simpática, naturalmente, que me faz companhia, que tem uma abençoada paciência para me ler e uma enorme gentileza em comentar.
Não se julgue, porém, que isto é um paraíso celestial. Nada disso. Sob estas letrinhas que aqui veêm, já se deixaram os insultos mais torpes e os enxovalhos mais miseráveis. Em suma, nestes quase seis anos de blog, e principalmente no início, deve haver muito pouco que não me tenham chamado, mas se dantes me ralava, agora nem os leio e quem anda à chuva, molha-se. Actualmente têm passado também as patrulhas anónimas da política, mas nem sei porque se maçam em comentar.

Curiosamente, continuo a ler os mesmos blogs ou as mesmas pessoas noutros blogs e de vez em quando, algumas novidades. À esquerda, o Cinco Dias, à direita o Blasfémias (entre outros), seja para concordar ou discordar, e o Ouriquense, porque é mesmo bom. De fora, ficam os blogs dos amigos, a quem conheço os humores e um pouco das vidas que se deixam mostrar.

Há uns dias recebi um mail de um blogger que desconheço e que escreve muito melhor que eu, que dizia unicamente "Elogiar não ofende"‏ e que tinha gostado muito de um texto recente. Permeável à lisonja, agradeci com satisfação e não pela lisonja, mas porque alguém achou graça a um post que deu algum gozo escrever. Escusado será dizer que gostamos mais de uns posts que doutros, que alguns dão mais trabalho que outros, que também os há sem ponta por onde se lhes pegue, a alguns não lhes encontro um final e muitos nunca deveriam ter visto a luz do template.

De resto, neste tempo algo jurássico de blogoesfera, vão-se perdendo leitores e ganham-se outros, mas julgo que deve ser assim num blog sem agenda, novidades ou recados. Quanto aos amigos, quem me conhece, sabe de mim não pelo que escrevo, mas pelo que não escrevo. Este blog está cheio de experiências pessoais reais com muita fantasia à mistura. Essa fronteira só eu a conheço e isso agrada-me. Acreditem que não há coisa mais maçadora que o confessionalismo mal escrito.

E é tudo sobre metabloguismo, só porque me apeteceu e não sei que mais posso dizer. Ainda nos despedimos antes do Novo Ano.

Jack Nicholson e Faye Dunaway no filme Chinatown , no tempo em que não se discutia a importância dos produtos orgânicos na vida sexual (meaning sexo verde)

Segunda-feira, Dezembro 28

Marcos Portugal 'Le Donne Cambiate' Abertura City of London Sinfonia

Frente & verso

Ouço o temporal da minha janela. O demo endoidou de vez, anda à solta e a soldo de Lucifer "Arch-regent and commander of all spirits". Vendavais fortes e chuvas violentas deixam a nú as fragilidades de um país feito de estruturas mal amanhadas resultantes de obras (mal) feitas pour épater les bourgeois e de pouca limpeza preventiva. Desta vez, a expressão "ocorrência" bateu-nos à porta, ou melhor, entrou pelas portas dentro e a televisão mostra a nossa realidade ao vivo e com poucas cores. Lá fora, em países distantes onde os elementos parecem andar sempre loucos, em locais que não reconhecemos, as imagens não nos tiram o sono nem a vontade de jantar. Por cá, ainda há gente a comer à luz do gerador. Entretanto, péssimos sinais para quem se aventura nas estradas portuguesas. O rendilhado legislativo feito de buracos e pontos sem nó em diplomas mal regulamentados, só deveria espantar os que não conhecem a justiça que temos, mas sabemos que há direitos mais "humanos" que outros. Estes, pelos vistos tresandam a álcool, mas não faz mal.
Enquanto isso, a blogoesfera anda ocupada com minudências, ataques pessoais (alguns chegam dos jornais) enxovalhos e balanços, neste lugar onde é suposto todos termos ideias, sermos felizes e bem sucedidos. Na vida real, a minha amiga J. terminou a quimoterapia, a L vai começar a primeira sessão, a filha da C não sobreviveu aos químicos e se alguém quer ouvir tragédias reais, também tenho duas, de caixão à cova. Na hora de todas as verdades, remember Harry Block?*: The most important words in the English language are not "I love you" but "It's benign." **
Até já. Vou ver como andam os gatinhos rafeiros da minha rua, que hão-de estar à espera do jantar. Os domésticos, mais calmos e burgueses, ouvem a Antena 2. Até têm outro miar. *The Tragical History of Doctor Faustus - Christopher Marlowe
**Deconstructing Harry - Filme de Woody Allen

Só isto

A família que me resta — uma avó e um irmão — reuniu-se há dias num presépio das berças, frio como a noite dos tempos. Eu fiquei em Lisboa, coberto de cinzas, a tentar erguer alguma coisa que se parecesse com a família que tinha. Aqui não cheira a lenha, nem caminhamos sobre as pedras, nem precisávamos de um dia de mortos.

Pelo Luis Miguel, no Vida Breve. Ambos caminhamos sobre as mesmas pedras.

Sábado, Dezembro 26

Bichos

de Paris
de Buenos Aires
de Lisboa do Central Park

Fim de festa

Durante uns dias não vamos ouvir outra coisa senão gente a lamuriar-se de tanto alimento que ingeriu durante estas festas. Por mim, acho mal e não me queixo. Lamentar-me de uma mesa farta, essa agora?! Pois os sonhos e o bolo-rei têm o mesmo sabor no resto do ano? Julgo até que o presente do marido, dos pais ou dos irmãos, a surpresa do namorado e o artesanato dos filhos adquire um significado diferente, objectos de que se vai falar no resto do ano e pelos quais se tem um carinho e uma lembrança especial. Diga-se para o bem e para o mal: sei de crianças desoladas por receberem uma prenda mais cara do que as dos irmãos, e por isso uma única prenda, motivo de todas as tristezas. Nestas coisas, o número conta, estou farta de o repetir.
Voltando aos estômagos pesados de perú, bacalhau e cabrito, recordo-me de ter ouvido, o ano passado, uma madura numa perfumaria pedir um creme milagroso para a cara, dizia ela, desgraçada de tantos fritos. Dir-se-ia que a qualquer momento lhe poderiam saltar azevias das bochechas e erupções de filhós da testa. Enfim. Já lhe tenho ouvido chamar muitos nomes, mas fritos, foi a primeira vez.
Pois eu gosto do Natal, de uma linda mesa cheia de iguarias que não tenho no resto do ano, gosto da travessa de trouxas de ovos da minha irmã, das rabanadas, do bolo-rei, e de comer tudo aquilo a que tenho direito. A queixar-me não tenho o direito.

Sexta-feira, Dezembro 25

O dia vai alto

«Lux fulgebit hodie super nos, quia natus est nobis Dominus. - Hoje sobre nós resplandecerá uma luz porque nasceu para nós o Senhor» (Missal Romano: Antífona de Entrada, da Missa da Aurora no Natal do Senhor). A liturgia da Missa da Aurora lembrou-nos que a noite já passou, o dia vai alto; a luz que provém da gruta de Belém resplandece sobre nós. Mensagem «Urbi et Orbi» de Bento XVI

Quinta-feira, Dezembro 24

J. S. Bach - (2/3) Weihnachtsoratorium BWV 248 - Kantate IV - Nos. 39-40

O Natal fica um pouco melhor com o mais virtuoso entre os virtuosos, o mais talentoso dos talentosos.

Outro calor (1)

Entretanto, dou uma volta pelos blogs, jornais, pelo que se fala e as atitudes dividem-se. A Helena Matos, enquanto espera pelo espírito de Natal, ainda tenta a crónica boazinha, como refere no texto de hoje: "Uma crónica que seja uma espécie de versão adulta das redacções sobre a paz, os golfinhos e a salvação do planeta que as criancinhas escrevem laboriosamente. Uma crónica que não ofenda, que não vá contra o espírito "sininhos a tilintar", muitos beijinhos, menino Jesus nas palhinhas característicos da época", mas foge-lhe a mão para a política. Não se chateie. Depois das filhoses e do bacalhau com broa, isso passa e amanhã outras ralações virão, tão certo como o Maomé fugir do toucinho.

Outros falam e escrevem com sobriedade de coisas sérias, política e assim. Bem sei que não me deveria espantar, mas este ano a novidade é alguma violência verbal e até má criação. Os tempos estão muito estranhos e, decididamente, não são os meus.

Um pouco por todo lado vivem-se ares de generosidade episódica e fraternidade sazonal. É normal, mesmo sabendo que isto da generosidade ou está na natureza de cada um ou não está. Que as (boas) atitudes para com os outros têm 365 dias cada ano, mas a gente faz-se de parva e, com algum cinismo, aceitamos meia dúzia de horas de altruísmo alheio. Deve ser isto a que chamam "saber viver" ou espírito natalício.

E por ser Natal, também me dá para algum metabloguismo um nadinha nostálgico mas sentido, pois isso devo aos meus leitores. Pode ser que ainda tenha alguma aberta entre a corrida para o bolo-rei do Estoril, toalhas de linho e travessas de sonhos. Voltando à crónica da Helena, está cheia de razão sobre as mesas de Natal dos que se dizem "gente famosa": "Perante a parafernália que colocam nas mesas, verifico que não sobra espaço para a comida: troncos, velas, frutos, bolas, fitas, enfim tudo menos comida ou espaço para ela". Desconfio que aquilo deve ser tudo para inglês ver e nada daquilo lhes pertence. Não troco a minha mesa conservadora e tradicional por nenhum daquele folclore, eu que sei quem quebrou a asa da terrina e riscou a travessa grande.

Vamos então a outra corrida e outra viagem, semelhantes a tempos passados, dos recados e das entregas, a maior das secas para uma criança em terras de província, mais uma rua, outra casa, que manda a mãe as filhoses à amiga viúva, ao primo doente, e à família enlutada, que era mesmo assim que ditava a tradição. Tal como hoje, a noite que nunca mais chega...

Quarta-feira, Dezembro 23

Outro calor

Vamos ver se há algum sossego nestes dias agitados. Tranquilidade, uma azevia e um vodka tónico que também tenho direito e sempre é Natal. Estão assim inauguradas as festas, ou melhor cerca de vinte e quatro horas algo alucinantes mas um pouco mágicas. É disso que eu gosto no Natal: de alguma magia, da surpresa, da reconcialiação e de alguma paz. Nada é como dantes com as mortes dos meus amores, mas há no Natal, como eu o vejo, alguma esperança e fraternidade.
Recebo um mail de uma amiga a passar as festas no Algarve, a contar-me que esteve há dias a retirar dezenas de baldes de água da cave de casa da avó. Parece que tanto embelezaram o centro histórico que impediram a permeabilização da praça e quando a maré enche, andam todos de balde na mão. Diz-me que poderia dormir noutra casa mais conforrtável, mas que prefere a casa antiga cheia de recordações de infância. Também ela me faz companhia a sul com um gin, desafiando a vida com água tónica de 2003. Uma coisa é certa: o leite creme e as fatias da China hão-de ter saído deliciosas, que aquilo são mãos habituadas a folhear folhas antigas.
Entretanto, e apesar de tanta paz entre os homens, uma criatura deixou-me penar cerca de meia hora com o carro bloqueado. Ainda ousei uma ou duas buzinadelas, mas o xinfrim custa-me tanto a mim como à vizinhança sem culpa nenhuma. A polícia informou-me por telefone que iria demorar, pelo que só me restava esperar e fazer o que estava na minha mão. O borgesso não pediu desculpas e eu também não.
Até já.

Terça-feira, Dezembro 22

Mele Kalikimaka/Bing Crosby and the Andrews Sisters (canção de Natal do Hawai) Esther Williams

Segunda-feira, Dezembro 21

Inverno

HERMIONE What wisdom stirs amongst you? Come, sir, now I am for you again: pray you, sit by us, And tell 's a tale. MAMILLIUS Merry or sad shall't be? HERMIONE As merry as you will. MAMILLIUS A sad tale's best for winter: I have one Of sprites and goblins. "Winter's Tale" Act 2, Scene 1 Estamos quase a entrar no solstício de Inverno. Quis Constantino I mandar festejar o filho de Deus contra os pagãos que celebravam o filho da luz.

Domingo, Dezembro 20

TCHAIKOVSKY - THE CHRISTMAS TREE WALTZ OF THE SNOWFLAKES

Sábado, Dezembro 19

Lisboa à noite

Sexta-feira, Dezembro 18

Geração vinil

Beach Boys - Good Vibrations Nem todas as vibrações são más.

Rotundamente triste

Já me tinham avisado que as iluminações de Natal no Marquês de Pombal estavam de uma pobreza confrangedora, mas nunca imaginei que a penúria fosse tão grande.
A não ser que metade da estátua estivesse de luzes apagadas, o que não acredito, o que vi foi um Marquês polifracturado, enfaixado por ligaduras desde a clavícula até ao tendão de Aquiles. Umas luzinhas em forma de gaze pareciam querer proteger o monumento das diversas luxações e até afrontas de que tem sido alvo, nomeadamente, publicidade a céu aberto mesmo nas barbas do Marquês a empresas de telecomunicações, marcas de automóveis, isto sem falar no o deserto paisagístico na Fontes Pereira de Melo, etc. Tudo feridas expostas a quem passa naquela zona e que em tempos foi uma das mais nobres da cidade.
Depois das luzes apagadas, até os leõezinhos devem estar aparvalhados com as strobe lights por detrás da juba. Um monumento nacional versão tuning, nunca tinha visto.

Quinta-feira, Dezembro 17

Quarta-feira, Dezembro 16

Concurso: Finalíssima

Estava-se mesmo a ver que, à semelhança de anos anteriores, prémios nem vê-los. Pareceu-me logo muita fruta, essa coisa dos prémios fantásticos.
Pois foi assim que o Luis Novaes Tito resolveu a questão do vencedor: Atribuiu ex-aequo o primeiro prémio aos vinte e sete concorrentes, o que me parece, não desfazendo, uma tremenda injustiça para com a linda peça que apresentei a concurso e nem digo mais nada. Ainda podem pensar que estou despeitada.
Mas ainda me chego ao palco para desejar ao Luis e família, umas Festas Felizes, um excelente ano novo e para lhe agradecer este novo concurso de Natal. O que é importante é andarmos por cá todos para o ano, com saúde e disposição para outra peça do Presépio.

No tempo em que só havia microfilmes

Carole Lombard with Clark Gable in their only film together, No Man of Her Own
e em que as bibliotecárias (louras) se deixavam enroscar nos braços do Clark Gable.

No tempo em que só havia microfilmes (2)

Spencer Tracy e Katharine Hepburn no filme "Desk Set"

uma bibliotecária (lindíssima e eficiente) namoriscava entre as estantes de livros. Coisas de filmes.

Enquanto isso, um computador com nome de mulher, Miss Emmy, ameaçava tomar o lugar e o trabalho das diligentes (e elegantes) bibliotecárias da estação de televisão, receosas da mudança. Nada que um romance não viesse resolver.

No tempo em que só havia microfilmes (3)

Tal como ainda hoje acontece, também no passado se faziam filmes de qualidade duvidosa, por boas razões. Segundocreio, trata-se do primeiro filme de Hollywood explicitamente anti-McCarthy, em que Betty Davis desempenha o papel de bibliotecária numa pequena cidade e se recusa a retirar das estantes o livro 'The Communist Dream', em troca de um acréscimo de fundos que o conselho local pretendia atribuir.
Fotografia da LIFE: Betty Davis em Storm Center (1956)

No tempo em que desapareceram os microfilmes

as bibliotecárias ainda usam chinó e os livros, alinhados nas estantes, hão-de ter um brilho azul . Os bustos não serão de Jedi famosos, mas de outros personagens que a história se encarrega de criar. Jocasta Nu para Obi-Wan "If an item does not appear in our records, it does not exist."
(STAR WARS, EPISODE II: ATTACK OF THE CLONES (2002).

Terça-feira, Dezembro 15

JULES ET JIM Directed by FRANCOIS TRUFFAUT Music by JEANNE MOREAU

Um tigre, dois tigres, três tigres

A senhora Woods que me perdoe a minha falta de solidariedade feminina (aliás, por onde andará quando precisamos dela?), mas seja bem-vinda ao planeta Terra onde parece ter acabado de aterrar. Acredito piamente que na terra onde corre leite e mel, onde tem residido graças às virtuosas tacadas do seu marido, não exista infidelidades. É possível que, no Olimpo dos seus resorts privativos não exista sacanice, mas isto aqui, entre terráqueos, o mundo é manhoso e raramente sensato.
Ui, que não deve ter sido nada fácil saber não de um caso, nem de cinco, mas de dez casos em que o seu marido terá andado envolvido (veja bem a delicadeza desta expressão). Ui, só de imaginar os mil pretextos que terá ouvido, mil e um treinos em greens de lençóis alheios, até a mim me dói, que quem não sente não é filho de boa gente.
Desejo-lhe a maior das sortes, até porque espero que o seu marido abandone rapidamente o período de nojo (ainda por cima), volte às tacadas profissionais e deixe os demais jogos para amadores. Por mim, continuarei a seguir as suas desventuras domésticas nos episódios da Fox News , que são muito mais juicy. As notícias que cá chegam são coisas de meninos.
Pode não servir de grande consolo, mas não esqueça que não foi a primeira nem será a última, e escândalos no showbiz sempre houve e sempre haverá, lá no céu das estrelas como aqui na terra dos simples. Certamente estará recordada do Hugh Grant, um rapaz de aspecto conservador que se meteu em alhadas com um@ criatura que nada tinha de divine, e o outro maduro, o Georges Michael, apanhado entre arbustos de parques públicos e casas de banho duvidosas e decerto mal cheirosas.
Cheer up! o dinheiro não traz felicidade, mas pelo menos não terá que dividir os tupperwares.

Segunda-feira, Dezembro 14

Aprendendo alguma coisa

The Fragility of Goodness- Luck and Ethics in Greek Tragedy and Philosophy

Para afastar os ventos de mediocridade que pairam por tantos lados, enfastiada com os trolls ou trolhas de serviço, não desfazendo no trabalho honesto destes últimos. *

Aqui fica a Martha Nussbaum a falar sobre sobre Hecuba e a beleza (moral) da fragilidade, "ethical life", vingança e traição. (Obrigada)

Hecuba de Euripedes

* Bem sei que nada tem a ver, mas como o blog é meu, recordo-me bem daquele russo de meia idade, operário da construção civil que, diariamente, e durante algum tempo, vinha à biblioteca pública durante a hora de almoço. Trazia uma maçã, tirava um livro do bolso, e sentava-se a ouvir os cd's de Tchaikovsky ou Stravinsky. Não, isto não é romance nem lirismo. Antes fosse.

Comentário do Jansenista: Como num comentario de Proust, as vezes surpreendemo-nos quando o silencio nos revela que as badaladas da torre da igreja continuam a soar e com a mesma cadencia - e que era so o facto de estarmos imersos na confusao e no ruido que nos estava a privar dessas sabias e reconfortantes reconfirmacoes de uma autenticidade mais recondita e discreta. Os trolls sao criacoes fantasticas dos tempos medievais - dos tempos, lembremo-lo, em que se dizia que nem uma so flor era capaz de crescer fora dos muros dos conventos. As vezes regressamos a isso, e que conveniente que se torna entao termos espessos muros em torno do nosso jardim! Acho que e isso que procuro traduzir nas alusoes a um Ashram: a ideia de um bastiao de invulnerabilidade contra o alarido. 11:23 PM

Domingo, Dezembro 13

No seu lugar

Num dos poemas mais fascinantes (se assim se pode dizer) da minha existência, Eliot descreve a essência e as fases da vida, em associação com lugares que define como "Houses live and die: there is a time for building And a time for living and for generation" (...), ou seja, "Home is where one starts from*".
Acredite o leitor que não sei como me fui lembrar de Eliot. Hoje arrependo-me de os meus conhecimentos de poesia não passarem de um lamentável mínimo bastante confrangedor, mas julgo que é para isso que servem os balanços da vida que surgem com a idade. E por aqui me fico quanto a confessionalismos, que nunca são boa companhia.
Creio ter recordado do poema por uma constatação, muito pouco poética (provavelmente errada) de que, na generalidade, cada vez se passa menos tempo em casa. Talvez por isso, mesmo que ainda existam telefones fixos, a tendência é para usarmos telemóveis onde as pessoas possam ser contactadas, seja numa esplanada, nos treinos dos miúdos, no teatro ou num restaurante, onde francamente não dá jeito nenhum estar com conversas.
No meu caso, honra seja feita a meia dúzia de pessoas que se encostam nos sofás que reconheço à distância, usam o velho aparelho, hábito antigo que não perderam nem querem vir a perder. Não é para dar recados nem avisos rápidos, é mesmo para falar, dizem. Ou melhor, dizemos uns aos outros, sem nos dispersarmos com quem passa e sem condicionamentos de voz ou linguagem. Eles estão lá com os seus objectos, os seus cheiros e os seus jeitos, e eu gosto de os imaginar assim. Por isso, agrada-me pensar que é outra forma de ver e ser visto. Sem sair de casa.
* EAST COKER (No. 2 of 'Four Quartets')-T.S. Eliot

Sexta-feira, Dezembro 11

Em draft

Um dia destes, em vez de um post, escreve referências bibliográficas.

Quinta-feira, Dezembro 10

Concurso

Afinal a tradição ainda é o que era e o Luis Novaes Tito, entre a política e os lugares onde foi feliz, lançou de novo o concurso menos competitivo de que tenho memória: o concurso de presépios de Natal, este ano com a representação do burro.
Confesso que ainda hesitei entre um jerico em prata portuguesa e este, da mais pura porcelana do chinês da Ajuda. Optei por este último, um lindo exemplar de olhar nostálgico e de orelha murcha um pouco rachada. Como boa conservadora, dou valor à patine do tempo e à memória das formas.
Espero que desta vez, isso dos prémios fantásticos seja uma realidade, pois há quatro anos que ganho um glorioso 1º lugar ex aequo com os restantes concorrentes, e nunca vi prémio nenhum, que me desculpe o Luis pela observação.

Geração (muito) vinil

Anita O'Day - That Old Feeling

No tempo em que a música não cortava maionese

Um pouco de paz

A propósito do excesso de ruído que me rodeia e que me incomoda, assunto barulhento tão bem retratado há uns tempos por António Barreto no Público, verifico (mas posso estar enganada) que há muita gente que pouco tempo se aguenta em casa. Não estou a falar sequer desta festiva e colorida época natalícia, na qual é suposto estarmos todos felizes, com ruas e centros comerciais apinhados, sacos engalanados, luzes e badalos. Aliás, e não é por acaso, que voluntariamente fico entrincheirada num ambiente no qual, pelo menos posso controlar o termostato, condicionar os níveis acústicos e ostracizar os pais natais, o que, confesso, me dá algum gozo. Já quanto a árvores de Natal, se não há pinheiro a sério, não contem comigo. Pois é, agora usa-se tudo mastigado, reciclado e as árvores são poupadas ao abate, azar o meu. Aqueles adornos brancos ou prateados, estilizados, raquíticos, minimalistas, vagamente coniformes, podem ficar deslumbrantes em muitas casas & decoração, mas não na minha. Assim sendo, as renas e as "merry seasons" ficam onde devem estar, lá longe, onde a noite se confunde com o dia, entre saunas e neve em abundância. O azevinho verdadeiro, pobrezinho, já foi desaparecendo e nunca se sabe se a bicharada se lambuza com as bagas vermelhas. Pois fica o eucalipto e outra planta cheirosa cujo nome desconheço, ao bom estilo "back to basics", a lembrar a minha aldeia, ou aquilo que hoje me parece que eram aqueles tempos distantes.
A manhã acordou cinzenta mas não me queixo. Não fosse a humidade entrar-me pela clavícula dentro, diria que é um dia perfeito. Entretanto foi já declarada oficialmente aberta a época de paz e amor entre os homens de boa vontade, com votos de solidariedade, tolerância, contra a guerra, a fome e o aquecimento global. Se os bons espíritos fossem decretados com as decorações de rua, teríamos Natal quase até ao Carnaval.
(cont.)

Quarta-feira, Dezembro 9

Geração vinil

What a wonderful world this would be - Sam Cooke (The witness) Desta vez acompanhada do riso de Kelly McGillis a rodopiar nos braços do capitão John Book com a sua eterna camisa azul e calças castanhas.
Ou a forma como mil e um tratados sobre tensão sexual se reduzem a troca de olhares, um banho com esponja e uma dança num celeiro. Ah! Os celeiros no cinema!
Para o blog CINE-AUSTRALOPITECUS NOTA: Jonathan Littell, autor de "As Benevolentes", o melhor livro que li este ano, ganhou o "17th annual Bad Sex In Fiction Award" atribuído pela Literary Review pela passagem nesse livro que começa por "This sex was watching at me, spying on me, like a Gorgon's head".
Nem sempre os melhores autores têm boas idéias.

Segunda-feira, Dezembro 7

Pascal Rogé e Debussy, que faz bem à saúde e a saúde está primeiro.

2009

Os melhores livros de 2009 segundo The Economist :
"The best books of 2009 covered the financial crisis, climate change and the war in Afghanistan, as well as justice, corruption, cooking and the power of literature". (Sugestões no Twitter via José Manuel Fernandes)
Um blog feito por um Belga, cheio de ambientes cuidados, bom gosto e harmonia. Este blog - The neo lyfestyle - devia ser meu.

Sábado, Dezembro 5

Até ao fim

Profissional até ao fim, pediu que na campa fosse gravado "ver também". A morte está cheia de remissivas.

Quarta-feira, Dezembro 2

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