Quinta-feira, Abril 30

O TOP 15 DAS SÉRIES DE TELEVISÃO

Mais uma corrente blogoesférica, desta vez enviada pela Rita, com o meu Top 15 de séries de televisão, onde falta muita coisa. Se bem me lembro, faltam as mais recentes (Dr House, CSI) e não estão aqui muitas séries inglesas de chorar, as americanas para rir, de hospitais, da Guerra de Secessão, das Grandes Guerras, de bicharada doméstica e selvagem, de pais e filhos, de Roma Antiga, de policias e ladrões, suspense, mistério, policiais, dentro e fora de água, da twilight zone, do racismo, da Laura Palmer, mulheres desesperadas, estouvadas oitocentistas, criancinhas, dos bons e dos maus, do Bucha, do Estica, das ricas dinastias glamorosas, e muitos etc.
--Gabriela (Telenovela)
--Dallas (que me fez detestar os condomínios fechados)
--Pequenos Vagabundos (pelos lindos olhos do Jean Luc)
--Homem rico homem pobre (que jovens e bonitos que eles eram)
--Seinfeld (E o Larry David, os maiores) --Brideshead Revisited (Uma perfeição) --Fame (Nunca me deu para dançar) --Espaço 1999 (message from moonbase Alpha e outras que não me recordo) --Ally McBeal (um escritório de advogados com casas de banho peculiares) --China Beach (não sei bem porque gostava tanto dessa série) --O polvo (Só me recordo de a ver a preto e branco com os meus pais) --Yes Minister (Um must) --Marretas (Principalmente por causa do cozinheiro sueco)
--Upstairs Downstairs (aquelas baixelas fascinavam-me) --All in the Family (adoro aquele velho reacionário no seu sofá)
E passo a reportagem para o exterior, onde se encontram:
- As respostas do Paulo Ferrero
- o Almocreve das Petas (se ele me ler)
- Do Gato Maltês: Brideshead Revisited, The Jewel in the Crown, Lipstick On Your Collar, Portrait of a Marriage, House of Cards”/"To Play the King"/"The Final Cut, The Camomile Lawn, Prime Suspect, The Singing Detective (versão de 1986), Trial And Retribution, Piece of Cake, Waking the Dead, Tipping the Velvet, Band of Brothers.

Terça-feira, Abril 28

Um post do coração

Obrigada "camaradas" do Lisboa SOS pela subida honra de me distinguirem no vosso blog. À semelhança de todos vocês, nada mais faço do que a minha obrigação aqui, aqui e, até há uns tempos, também aqui.
Fazemos o que podemos, mas é sempre pouco.

Segunda-feira, Abril 27

Dobras da vida

Repito hoje, com algumas alterações, um post que escrevi há uns tempos, e que é a continuação de um outro. A desfaçatez e a falta de educação com que abundante gentinha trata as chamadas "domésticas", é uma coisa que sempre me irritou.
Este apoucamento, traduzido em epítetos com cheiro a louça por lavar e roupa encardida, revela tristes mentes convencidas de superioridade intelectual a precisar de uma esfregona com amoniacal. Por mim, deixava-as de salmoura e punha-as ao sol a corar.
The Pretty Housewife - Modigliani
Aborrece-me a forma arrogante e displicente como são tratadas as mulheres sem ocupação profissional remunerada, a que dão o nome de domésticas. Como se a maioria das mulheres da geração da minha mãe tivessem tido as oportunidade profissionais e acesso a estudos académicos como hoje os conhecemos. Aliás a blogoesfera está cheia destes azedumes com palavras de menosprezo e desconsideração, procurando rebaixar as domésticas ao grau mais baixo da escrita. Sei bem o que querem dizer e onde querem chegar, mas não chegam aos calcanhares das "domésticas" da minha vida.
A verdade é que enquanto domésticas, eram umas excelentes domésticas. Dir-me-ão que eram tempos em que as capas das almofadas (vulgo fronhas) tinham botões e em que as melancias não eram vendidas às metades. É verdade. E também é certo que os tempos eram mais lentos e menos nervosos. Eram tempos em que se escreviam e liam livros com títulos como "Escola de noivas". A gente sorri ao ler "Se a fronha tem monograma ou qualquer outra aplicação de bordado, engoma-se primeiro a parte dobrada, pelo avesso. De seguida, engoma-se toda a peça pelo direito, excepto o bordado, e por fim dobra-se de maneira que o monograma ou bordado fique a um canto ou ao centro."
Só mais tarde, já mulheres, daríamos ouvidos às nossa mães, excelentes domésticas, recordando que quem boa cama fizer, nela se há-de deitar, metafórica e literalmente.

No tempo em que os porcos só geravam gargalhadas

Pigs in Space - The Muppet Show

Domingo, Abril 26

Cá e lá, nos jornais de Sábado

"Há uma Justiça para ricos e outra para pobres, uma Justiça para famosos e outra para anónimos (...)" Paulo Baldaia.
(...) O caso Susan Boyle revela o alto nível do cinismo colectivo da sociedade do espectáculo. Por regra, promove jovens com carinha laroca e corpinho bem feito que desafinem poucochinho; se cantarem bem, é um milagre; embrulha-os em programas onde se ri e se chora, e põe os miúdos a render na indústria musical e de concertos enquanto der - em geral uns meses.Boyle permitiu ao programa inverter, com benefício, a norma da sociedade do espectáculo. A indústria escondida do programa fez dela um momento carnavalesco, de mundo às avessas, um número de circo, a mulher-elefante no lugar da jovem gira que canta umas coisas. Numa cena altamente teatral, o júri simulou que Boyle é uma cantora genial. Não é. (...) (Eduardo Cintra Torres, Público, 25-4-09)
Salvem Susan Boyle!Nem um quilo
Mas em vez de nos mudar, a explosão de Susan Boyle para o mundo da fama vai provavelmente mudá-la a ela. Quando apareceu na televisão escocesa, o cabelo já estava pintado e a sua atitude já era, de certa forma, um pouco submissa. Por favor, Susan, por favor! As mulheres vintage de todo o mundo imploram-te: "Não percas um quilo sequer. Não compres roupa nova. Não pintes os olhos! E nada de Botox! Não toques no queixo número um, nem no queixo número dois. Lembra-te da Ella Fitzgerald e continua simplesmente a cantar."Wilentz - Exclusivo PÚBLICO/Los Angeles Times

Quinta-feira, Abril 23

Dia Mundial do Livro

Conforme relata o jornal Público de hoje, " a UNESCO escolheu o dia 23 de Abril para festejar o livro por se tratar de um dia emblemático para a literatura mundial. Foi a 23 de Abril que, em 1616, morreu Miguel de Cervantes e que, em 1899, nasceu Vladimir Nabokov. Neste mesmo dia também nasceu e morreu William Shakespeare, entre outros nomes que povoam as nossas estantes."
Pois comemora-se hoje o Dia Mundial do Livro e eu, ingrata, não dava nota dessa efeméride no meu blog. E já que estamos aqui, deixo uma imagem do estado de desmazelo em que se encontram alguns (poucos) livros que tenho. Penso sempre que precisam de ser arrumados, mas ponho-me a imaginar qual a ordem em que os vou dispor, e passa-me logo a vontade.
Confesso que são poucos os livros que vou guardando, caoticamente empoleirados em estantes. Acredito que os livros particulares servem para ler, trocar e oferecer. Para os guardar, conservar e emprestar, existem excelentes instituições, que não a minha sala ou o meu quarto.
Literalmente e com grande prazer, todos os dias é dia "do livro, esse grande objecto" (artigo que escrevi para a Revista Atlântico).

Quarta-feira, Abril 22

Essencialmente

Conhecem a Mónica Lice? É uma conhecida e simpática consultora de moda, proprietária do blog mini-saia, um dos blogs mais lidos no país e do qual sou uma atenta leitora. O mini-saia é um blog muito bem feito, criativo, sempre cheio de sugestões, novos produtos, no qual a autora apresenta diversas combinações de roupa, calçado e acessórios para diversas circunstâncias. Um must.
A Mónica achou que as minhas coisas poderiam interessar às suas leitoras e pediu-me os meus essenciais. Porque não? Uma novidade aqui neste blog feito por uma mulher, sem ser muito feminino, um post com os meus essenciais, só para mim,

Pipocas e bebida energética

Depois de ter escrito sobre o curling, esse interessante e dinâmico desporto jogado nos países frios, o prémio zapping desta semana vai para os jogos de snooker e poker que andam pelos canais por cabo.
Acontece que, entre um e outro jogo, os olhos foram-se fechando e vai ter que ficar para a próxima oportunidade. Tanta energia e vitalidade não se aguentam.

Segunda-feira, Abril 20

Sempre actual : Os empata filas e os ingratos

Os empata filas
Na filas das portagens há gente que gosta de empatar. Durante todo o tempo que estão à espera (por vezes cinco minutos ou até mais), estão na conversa, a olhar para os portageiros, a avaliar se estão na fila mais rápida (nunca se está) ou a observar os passageiros dos carros do lado, em vez de preparar os trocos, as notas ou tirar o cartão. Pois é preciso chegar à cabine para puxar a carteira do banco de trás, tirar o porta-moedas ou pedir trocos. Tudo isto perante o ar aborrecido dos passageiros do carro seguinte, esses sim competentes, já com o dinheiro prontinho no tablier. Isto na melhor das hipóteses. Já me tenho deparado com gente que só ao lado do portageiro descobre que nem sequer sabe onde está o ticket de pagamento. Aí, a lei da buzinadela não perdoa. Obrigada, sim?
Admito que este post possa ser um erro de posting, mas não resisto. Sempre que estou no multibanco e tenho algumas operações que podem levar algum tempo, costumo avisar a pessoa seguinte de que ainda vou demorar, no caso de ela estar com pressa e haver mais caixas na zona. Já não têm conta as vezes que educadamente fiz este aviso. Pois caia aqui já um raio se alguma vez alguém me agradeceu: voltam as costas e desaparecem sem uma palavra. Danadas, suponho. Pensando melhor, um jovem até que foi simpático com um ora bola, mas obrigada. Não sei se desistem, se procuram outra caixa ou se regressam mais tarde. Não sei nem quero saber. O certo é que nunca agradecem mas eu digo sempre com o tom mais irónico que tenho em carteira, obrigada, sim?? Portanto, caro leitor, se ouvir isto de uma mulher atrapalhada com papéis junto a uma caixa multibanco, é provável que seja eu. Não me decepcione.
(Textos já editados)

Domingo, Abril 19

Bruxelas 6: o regresso

Umas curtas notas finais daqui do meu sofá: Ao contrário dos avisos sobre o tempo de Bruxelas, a cidade recebeu-nos com sol e sem uma pinga de chuva. Estranhei a ausência de árvores e espaços verdes pelos locais onde andei, mas confesso que pisei mais alcatifas do que empedrados. Mal vi os indígenas, ausentes no feriado e por uns tempos não direi uma palavra desagradável sobre os horários do comércio da Baixa. Por falar nisso, ao contrário de alguns dos meus companheiros de viagem, regressei sem saber onde é a Fnac, mas em contrapartida meti-me por ruas de uma outra cidade menos glamorosa. A culpa deve ter sido do mapa.
A avaliar pela bandeira, os reis estariam por casa mas, curiosamente, não estão nos souvenirs locais. Não vi nenhuma caneca com a cara de Alberto II nem nenhum porta-chaves com os retratos dos príncipes herdeiros. Pareceu-mal.
Tive o prazer de fazer parte de um grupo de convivas gentis e bem dispostos, no qual se podiam ouvir as palavras Bush e McCain sem parecer uma anedota do Jon Stewart, mas não posso deixar de referir a forma como fomos recebidos e uma palavra muito especial para o eurodeputado Carlos Coelho e para o Duarte, excelentes profissionais de uma grande simpatia. Termino a azul o meu relato de uma fantástica viagem a Bruxelas, demasiado intensa para estes curtos textos, e termino também o último Leonidas da caixinha dourada.
Salut à l'Europe.
*
Sobre a viagem, a crónica do Bruno Vieira Amaral no Cachimbo de Magritte. Nas fotografias: Uma livraria com um nome fabuloso: "Anticyclone des Açores".Um café clássico perto da Bolsa com um expresso a preço milionário,vazio no interior e com a esplanda apinhada. Uma espécie de memorial na Grand Place que garante a felicidade a quem a tocasse, o que cumpri com a maior seriedade. Just in case...
NOTA:
Agradeço a uma residente em Bruxelas uma correcção e a explicação sobre a santinha da fotografia, e também ao Luis Naves, do Corta-Fitas.

Sábado, Abril 18

Bruxelas 5

Foi com grande satisfação que participei com o G18 na visita às instituições europeias a convite do Grupo do Partido Popular Europeu (Democrata Cristão) e Democratas Europeus.
De Bruxelas trouxe muito mais do que a cena mediática da entrada dos ministros para o Conselho, a fotografia junto às bandeiras ou as conferências de imprensa com azul de fundo, imagens que mitificavam os locais onde a eurocracia toma decisões que se reflectem no quotidiano de milhões de cidadãos, ou seja, reflecte-se também na minha vida.
Aproxima-se outro acto eleitoral e tenho quase a certeza de que nunca deixei de votar. Na minha juventude atravessava a rua no dia das eleições, empolgada com o momento político que era preciso vencer, e votava com a paixão que só a juventude e as circunstâncias especiais justificávam. Em adulta, já em locais que não conhecia, umas vezes mais convictamente que outras, mas nunca deixei que decidissem por mim.
Sendo o Parlamento Europeu o único órgão da União Europeia que resulta de eleições directas, e apesar dos corredores onde se tomam as decisões não se encontrarem diariamente nas televisões, o meu voto tem a mesma força que o da Isabelle na França ou o da Isabella em Itália e agrada-me que seja assim.
Foi com prazer que tomei contacto com um pouco do mundo alcatifado da alta política europeia e ter conhecido alguns dos seus intervenientes. Confesso que ao verificar a existência de pisos intermédios (12 1/5 ou algo parecido), me senti um pouco a entrar no Hogwarts Express através da plataforma 9 ¾, mas isto já sou eu a divagar.**
Um pormenor que não pude deixar de constatar, foi a diversidade de cartazes de propaganda, colóquios e todo o tipo de eventos patrocinados pelas instituições europeias que encontramos pelos vários edifícios, em especial no PE. Havemos depois de voltar a vê-los junto das delegações de cada um dos grupos políticos, onde vão abrilhantando as causas próprias. Não será difícil imaginar quais.
E termino já. Bruxelas continua a ser um local de regulamentos sobre o tamanho do chicharro ou a forma da maçã, onde se redigem directivas e se produz legislação em massa, compilada em complexas bases de dados mas, para mim, o interface tornou-se agora mais amigável.
** Afinal é 5 1/2. O Gabriel tomou também a devida nota. Superstições por estes lados? Valha-me Deus.

Geração vinil

Creedence Clearwater Revival- Midnight Special

Sexta-feira, Abril 17

Bruxelas 4

Bem me tinham avisado: "Esquece o Manneken Pis. É uma desilusão. Dedica-te ao turismo chocolateiro, isso sim, um doce património belga". Depois de umas deliciosas moules Léon, frites, e cerveja fresca, esqueci o mapa (já desisti dos mistérios da cartografia) e com uma vaga indicação para a esquerda, consegui encontrar o local. Foi fácil: dezenas de pessoas sorridentes a olhar para um boneco mínimo e sem graça. O merchandising envolvente era de fugir e foi o que fiz empurrada pelo calor e pelo cansaço numa cidade deserta de autóctones a gozar um feriado amigo.

Bruxelas 3

"If you don't have anything to hide, you should get a life." (Frase proferida no âmbito de uma conversa sobre privacidade)

Quinta-feira, Abril 16

Bruxelas 2

Não foi só o Gabriel quem tomou notas fantásticas (esperem que ele se sente ao computador); eu própria tenho um bloco com uns rabiscos invejáveis. Não sei bem é onde. Entretanto, para além da Memória Virtual, fiquem com a Maria João aqui , a falar de keynes sem se engasgar, com a Ana Margarida a lamentar o QREN, e com o André, que recorda o Mr. Biswas de V. S. Naipaul a partir de uma cena que todos presenciámos, mas com quem só ele se cruzou. A Carla adorou. Eu também.

Bruxelas 1

Escrevi "até já", mas fui só dar um salto a Bruxelas durante as minhas férias visitar as instituições da União Europeia, juntamente com outros bloggers, a convite do Grupo Parlamentar do PPE (Partido Popular Europeu) e em particular do eurodeputado Carlos Coelho.
Estou de volta e hei-de contar onde estive, com quem falei e por onde andei, apesar de ter visto a vida por um canudo, ou melhor, por um túnel, tal qual a princezinha do povo no túnel de Alma.
Escrevo como sei e posso, sem a arte do Pedro Lomba no DN "(...) A primeira oportunidade de uns minutos à porta fechada com a eurocracia. Sempre achei que só há uma maneira de desmistificar o poder: passar algum tempo com ele. Os políticos são iguaizinhos a nós. Os políticos, em rigor, não existem. Existe o sr. João e o sr. Avelino. Políticos esforçados e relapsos, aconselháveis e desaconselháveis. Não os julguem em grupo mas sim um a um. "* e sem os pormenores e precisão do Leonel Vicente, mas cada um é para o que nasce.

Segunda-feira, Abril 13

Até já

Sexta-feira, Abril 10

Foto:Jovem espanhola, vestida a rigor, para uma cerimónia religiosa em Sevilha

Vida prática

A propósito de um jogo de futebol ocorrido há dias entre a Suécia e a equipa portuguesa, julgo ter lido qualquer coisa como "Suecos dizem "Bye-bye Ronaldo", mas Portugal ainda acredita". Seguia-se depois uma aritmética algo complexa sobre o número de jogos, vitórias e coisas assim, mas não é isso que me interessa.
Confesso que me encanitam as expressões tipo yes we can e a indígena "ainda acredita". Provavelmente porque me dou mal com utopias, amanhãs que cantam ou fezadas. Seremos mais felizes no futuro, é possível que possamos vir a ser e acreditamos gratuitamente que isso venha a acontecer. Podemos ter uma vida melhor? Claro que sim, clarinho como água, aliás tenho uma fezada de que é uma questão de tempo, não sei é quanto. A equipa portuguesa pode ganhar o campeonato? certamente que pode (é só fazer as contas) e há mesmo quem acredite que é já a seguir.
Mas os problemas podem aparecer resolvidos, as facturas pagas e a roupa engomada? Não. Isso não vai lá com fezadas, decretos, probabilidades ou expressões com função fática. O chato é que não basta o esforço e o trabalho, como de vez em quando ainda se fica com uma queimadura do ferro ou do fogão.
Fotografia do post : ST JAMES PARK versus JARDIM DA ESTRELA no Cidadania Lx
CAIXA DE COSTURA Nunca compreendi a caixa de costura. Testemunha muda de tardes e gerações, poder feminino sobre o útil, no fundo dos carrinhos e dos dedais devia haver a esperança. Pedro Mexia, “Duplo Império”, edição de autor, Lisboa, 1999

Segunda-feira, Abril 6

foto Este blog encontra-se, hoje, geminado com Santa Barbara (CA)

O que se ouve

Acho bem que se reclame. Aliás, como reclamadora persistente, acho que em Portugal se reinvindica muito e se reclama pouco. Mas alto lá. É conveniente saber reclamar e agir assisadamente.
Há dias, numa oficina fora de Lisboa, após uma longa fila de espera pelos serviços de gente mágica que sabe ver o nível do óleo, medir a pressão dos pneus e ajeitar o esguicho de água, consegui ser atendida mesmo em cima da hora de almoço do diligente funcionário.
Sentados a um canto da oficina, dois colegas trincavam qualquer coisa, quando chega uma senhora com idade para uma conversa mais sensata: que aquilo era tudo publicidade enganosa, que afinal fechavam para almoço, que os Inspectores (esses mesmos) deviam ir ali investigar, um sem fim de reclamações porque não tinha ali à mão, sem esperar, quem verificasse um qualquer problema na sua querida viatura.
O mais certo é a senhora nunca se ter ralado com a falta de iluminação na rua, no carro abandonado à sua porta, com a porcaria dos cães ou de carros no passeio do lar de terceira idade. Os outros que se amanhem, que o problema não é dela, reclamar para quê. Importante mesmo é o carruncho reparado no momento, senão ainda chama quem nós sabemos.
Se já estava incomodada por ser atendida em cima da hora de repouso do mecânico (apesar de ter esperado mais que uma hora), mais incomodada fiquei com tanto injusto arrozoado.
Não conheço a publicidade da empresa, mas só posso dizer bem de quem faz o seu trabalho com competência, sem conversa reprovadora nem perguntas difíceis (do tipo que marca de óleo usa). Bom mesmo seria o cavalheiro sugerir que a cliente fosse dar uma volta ao bilhar grande. Devagarinho, por causa dos travões.

Tempos de Páscoa

Um delírio de amêndoas da Páscoa invade os supermercados. Quanto maiores, maior a mancha de cor à nossa escolha. Todos os anos há uma invenção mais sofisticada do que no ano anterior: alguém que me explique a relação entre um gigante ovo de Páscoa e bonés com emblemas de clubes desportivos. Pois lá estão eles, dois em um a preços módicos. Nem a Páscoa se livra de futebóis. De resto, há géneros em todas as cores, gostos e bolsas. Habituada às clássicas francesas a peso, estas coisas confundem-me. Uma amêndoa é uma amêndoa, não é uma caixa de smarties. Depois lá estão os saquinhos engalanados com sortidos com licores, amêndoins, pinhões e outras variedades que desconheço. Nos ovos de chocolate é um corropio. À semelhança do bolo-rei, o gozo era partir aquilo rapidamente para encontrar a surpresa. Uma treta, a maioria das vezes, mas tinha piada. Numa época praticamente pré-histórica, em que a Páscoa era para ser levada a sério como celebração mais importante da religião católica, e falo em meios rurais, recordo bem a azáfama daqueles dias. Havia esmero, aprumo e brio nas limpezas, nas casas, nas igrejas e nas cozinhas. Vestiam-se vestidos novos, tiravam-se os linhos, as colchas e havia sempre flores. A Quaresma era rigorosa, soturna e respeitada. Aliás, um pouco como os indígenas. Havia amêndoas para todos mesmo para quem não podia. A vizinhança, a amizade e a devoção das festas serviam-se em pacotinhos cinzentos comprados avulso. Enquanto as televisões estão ocupadas com pacifistas incendiários, um demente perigoso na Coreia do Norte, um dinamarquês que se agacha, multidões ululantes perante um casal de estrelas americanas, empresas perdulárias e o novo genocídio rodoviário que se aproxima, algures por aí fora, num Portugal que não se vê, há gente que se reúne que se conhece, que se revê, que se importa e que partilha os mesmos espaços com uma saudação. Quem costuma passar o fim de semana da Páscoa em aldeias do interior e que leva a sério as celebrações (gente que vive nas trevas, tradições de um país obscuro e medieval, dirão alguns) sabe, como eu, que anda tudo a toque de caixa, ou melhor, a toque de sino. Entre a sobriedade da Sexta Feira Santa e os festejos do Domingo, nas casas onde ainda não chegou a velhice e a migração, saem as tradições às ruas, as devoções às igrejas e os costumes às mesas. Ainda não há muito, em tempos de certezas e lanches de fatias douradas, bolos de azeite e mel e chá em toalhas de linho saídas das malas, a programação da televisão era também parte das festas. Eram tempos de estar em casa, em que se recebiam os forasteiros, os compadres, os ricos e os pobres, os incréus e os crentes: eram as Boas Festas. Coisas de país atrasado, dirão alguns de novo. Actualmente, olho à minha volta neste país moderno. Por mil e uma razões sinto uma enorme tristeza.

Férias da Páscoa (V)

É trazer no corpo o cheiro das saudades que deixamos junto ao canteiro de alfazema.

Férias da Páscoa (IV)

Expressão usada pelos (poucos) que durante três dias, levam as suas vidas ao toque das aleluias.

Férias de Páscoa (III)

Expressão usada por quem, "ir à terra", são as mordomias da mesa posta.

Férias da Páscoa II

Expressão utilizada por gente instalada em hotéis ou noutros alojamentos turísticos.

Férias de Páscoa

Ocasião que permite reunir nas filas (paradas) da A23 o nosso carteiro, o funcionário do nosso Bairro Fiscal e o nosso mecânico do automóvel.

Sexta-feira, Abril 3

Os seis anos de Bomba Inteligente merecem antiques do coração. Foi pelo blog que a conheci, mas não foi pelo blog que nos tornámos amigas.
Para a Carla, parabéns desta leitora atenta,
M Isabel
(Na fotografia, se não me engano, um registo do S. Jerónimo, padroeiro dos bibliotecários, tradutores e dos estudos bíblicos)
George Michael Village Ghetto Land Mais uma versão do clássico de Stevie Wonder (pena não estar a de Pedro Aznar, Barrio Marginal) (No Jansenista)

Quinta-feira, Abril 2

Isto é tudo um horror

Please! Enough! Enough!” the girl is heard crying Uma carga de pancada de vingança por ter recusado um pedido de casamento. Foi o próprio "interessado" que tomou em mãos o chicote: “You should hold her tightly so she doesn’t move”, he is heard saying.
"A morte pode ter a capacidade de mostrar os absurdos da vida. Assim aconteceu com a morte de Sara Tavares. Em primeiro lugar porque essa morte tornou óbvio aquilo que aqueles que defenderam o novo código negavam que pudesse vir a acontecer: um homicida voluntário que, como sucedeu neste caso, esfaqueia alguém não fica necessariamente em prisão preventiva. Mas se o facto de o assassino se passear tranquilamente pelas ruas pode causar indignação ou pelo menos polémica, mais difícil ainda é entender que o dinheiro com que paga a bica provenha do subsídio de funeral da mulher que matou. Acontece que o Estado português não atribui o subsídio de funeral a quem apresenta os recibos das despesas efectuadas nessa cerimónia - no caso, o pai da vítima -, mas sim àqueles que considera herdeiros. E o marido de Sara, a par da filha, é seu herdeiro. Aliás, ele, que a matou, até pode vir a receber do mesmo Estado português uma pensão por ser viúvo, pensão essa que, por ironia, se designa pensão de sobrevivência. As circunstâncias da morte de Sara Tavares tornam obscenas algumas das disposições que regulam a atribuição destes apoios. (...) "
.Sobre o resto do artigo, discordo de muito do que foi escrito.
Helena Matos - 2-4-09 - Público Artigo sobre um homem que esfaqueou a jovem diante da filha desta, uma criança de 10 anos e foi libertado

Quarta-feira, Abril 1

Outros lugares

Tenho-me interrogado se, por algum golpe do destino, este blog mudásse de poiso, de localidade ou de quarto, este poderia ser escrito no mesmo registo. As grandes cidades permitem driblar situações, ficcionar ocorrências, o anonimato dos intervenientes e a multiplicidade de circunstâncias. Escrever em grandes meios urbanos esvazia qualquer processo de intenções, mistifica os locais, impede a identificação, sombreia os rostos e apaga os nomes.
Seria possível manter um blog de autoria identificada e com alguma visibilidade, num registo mais ou menos pessoal, sem medir constantemente o risco de incorrer em ambiguidades ou falsas identificações? Confesso que não sei. O objecto estaria literalmente confinado a paredes muito estreitas e exposto a interpretações alheias a quem o escreve. Como se fosse necessário recorrer constantemente ao aviso de que se trata de uma obra de ficção e qualquer semelhança com a realidade seria pura coincidência. Uma canseira para quem se debate com mil e um constrangimentos dos quais não pode ou não quer fugir.
Ando cheia de vontade de dizer mal dos modernos candeeiros da praça sem nome, mas e se me desse para escrever sobre uma ida ao cabeleireiro ou uma saída da missa? Estava frita!

Sem horas

Dá vontade de rir. Vai um carro pela manhã por entre campos solitários, sem ver uma alma quanto mais outro carro e ouve na rádio a rotina das manhãs nas grandes cidades: habitual lentidão na descida da Pimenteira em direcção ao viaduto Duarte Pacheco, abrandamento na Ponte do Freixo, intensidade de trânsito nas Antas, acidente na VCI, trânsito lento no garrafão da Ponte, um absurdo. Enfim, o normal. E que poderá interessar tanto congestionamento a quem não circula nestas filas imensas? Este silêncio é um luxo, bem sei. Um descanso para quem vem de fora, sempre de olhos presos nos relógios e nas vidas que não param.
Vendo bem, são noticiários que se repetem quase diariamente, portanto, onde estará a novidade? Se a 2ª circular estivesse escorreita de trânsito, isso sim seria notícia, mas raramente está. E mesmo que esteja, deixa estar. Seria isto que provavelmente pensaria uma Scarlett moderna em Tara num final de filme.
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