Quinta-feira, Fevereiro 26

Sem nome

Uma fotografia impressa em jornal ou revista. Três pessoas, dois nomes, um por identificar. Uma legenda incompleta seja por esquecimento, descuido, má-fé ou incompetência, alguém fica de fora do retrato, substimado, desinteressante, dispensável.
Ele sem ela não é ninguém.
"Salvemos o “Qual Choupal”, este dos brachyeros navegadores. Salvemo-lo dos IPês, mas salvemo-lo também dos higienistas urbanos, hipersensíveis aos lixos que horror. Salvemo-lo dos Amantes da Natureza ai viçosa e os piqueniques de papoilas, sem águas insalubres, sem merda, e os répteis que repelem e o tão uncomfortable coaxar, uma arrelia nocturna para as insónias citadinas. (...) Salvemo-lo dos empreendedoristas de fibra ganhadora, personalidades fortes que não se deixam massificar, nem se dissolvem em shoppings e retails climatizados; que baptizam os seus rebentos em passeios pedagógicos à Mãe Natureza, formatada, imutavelmente bela, cuidada, dispensados que foram os jardineiros analfabetos com 4ª classe à antiga, por trabalhadores talhados nas novas oportunidades, grandes oportunidades para os notabilíssimos das economias de escala.(...) Mas salvemos o Choupal também dos das elites com sangue antiquíssimo, que não pisam a falsa natureza dos Parques Verdes com povo verdadeiro, e fazem meditações interiores no requinte zen das intervenções sublimes de levar às lágrimas. Mas salvemo-lo também dos eruditos transbordantes de brilhantismo, os minimalistas de paisagens Sizentas, alinhamentos de geometria d'oiro à custa do abate dos desalinhados que chateiam a Beleza.(...) " DEIXEM AS BEGÓNIAS SER BEGÓNIAS no Natureza do Mal

Terça-feira, Fevereiro 24

Segunda-feira, Fevereiro 23

Dois dias depois...

Depois dos Trambolhos de Ouro, dos comentários da Sofia e do texto da Carla, acho que pouco me resta para falar do meus trivia de estimação,ou seja, dos trapinho milionários, e do look de toda aquela gente que tantas vezes entra em nossas casas. É por uma ou por outra em especial, artistas da nossa predileção, que nos dispomos a sair de casa para os apreciarmos no grande écran, com maior ou menor entusiasmo ou prazer, para uma graça, uma lágrima e quantas vezes uma identificação.

Por isso, uma vez por ano, mesmo a altas horas da madrugada, não perdemos a oportunidade de os vermos mais ou menos ao vivo, sem máscaras de personagens, mais ou menos ao nosso gosto, em representação numa galáxia longínqua do nosso pequeno reduto nacional. Mandamos palpites, fazemos apostas e listas de presumíveis vencedores, porque afinal de contas "A good film is when the price of the dinner, the theatre admission and the babysitter were worth it." (Alfred Hitchcock)

As minhas palmas vão para o Hugh Jackman: o homem dançou, cantou, esteve piadético sem ser brejeiro e igualmente para a fantástica abertura do espectáculo. Against all odds, a cerimónia foi inteligente, os cenários bem pensados, os actores estiveram mais próximos do palco e nós também.
Achei graça ao pequeno japonês com um inglês trapalhão e não me surpreendeu que tivesse sido um indiano, vencedor da melhor música (creio) a usar o melhor inglês da noite. Aliás, a profusão de indianos em palco deve ter despertado no casal Britt-Jolie o amor maternal por uma nova adopção em Bombaim, ou mesmo un casalinho de gémeos Maori, como escreveu um FaceBook friend.
Umas singelas palavras para o Ben Stiller, naquilo que poderia ter sido uma imitação do novo estilo "passado" do Joachim Phoenix. O homem anda mesmo com ar sinistro. O rapaz com bom aspecto que ganhou o prémio do melhor argumento bateu aos pontos os argumentos usados pela assistência dos Prós no canal 1 e do irritante Sean Penn com a discursata militante do costume. O homem irrita-me, pronto.
Os mais elegantes da noite? À falta da Gwyneth Paltrow e do Clint Eastwood, e como os rapazes iam todos mais ou menos iguais, sendo que o Wrestler estava de luto pela chihuahua, não posso dizer que tenha gostado muito, muito de alguém em particular. Com tanto dinheiro e fashion advisers, será que não houve uma alma caridosa que as advertisse de que ombros ao léu não é para todas? E não é que a maior parte delas tirou a noite para tirar as alcinhas? Ainda por cima a precisarem de meia dúzia de sessões de solário. A não ser as jóias da Amy Adams e da Angelina Jolie e o penteado da Kate Winslet, não tenho muito mais a dizer. A Penelope não desdourou, se bem que não aprecie muito o género princesa vintage.
Portanto, o que me resta é dizer mal, mesmo não podendo contar com as presenças do Johnny Depp, da Vanessa Paradis, da Cher e da Björk. O vestido da Goldie Hawn precisava do número acima, como de costume a Beyoncé disfarçou-se de pequena sereia em tecido de cortinado (se bem que um pouco mais roliça) , a Whoopi Goldberg foi com os atavios de sempre e a Reese Witherspoon parecia presa a cintos de segurança. Não posso deixar passar a falta de corpo da Sarah Jesica Parker, a falta de gosto da Heidi Klum e a falta de senso da Sophia Loren, cuja idade pedia já um pouco mais de recato. Entre o penteado do (?)Christopher Walken e do gorro preto do Philip Seymour Hoffman, venha o diabo e escolha. Que falta de cabeça. Não percebo muito bem os motivos que levaram a Vogue a nomear a Nicole e a Jessica Biel no top mais das mais elegantes da noite, mas não interessa muito. Como já repararam, lata não me falta para escrever sobre o que não percebo.
Nota: Em querendo, sempre pode votar, na Revista Hola, na mulher mais elegante da noite, mas não será difícil adivinhar quem vai à frente ...

Domingo, Fevereiro 22

Um prémio na América

"Acho que me transformei num ateu dos Óscares. Até já nem presto grande atenção aos Razzies, os pândegos anti-Óscares, que são entregues um dia antes dos institucionais, numa cerimónia paralela e descontraída. A única coisa que ainda me desperta um farrapinho de interesse é a trivia, a palha de informação, a ganga de curiosidades, a parada dos númeos insólitos e as broncas. "*
Também já vi a cerimónia da entrega dos Óscares com melhores olhos ou, pelo menos, de olhos abertos. Agora não me tiram sequer um minuto de sono. Mas continuo a gostar de ver os trapinhos milionários, de dizer mal das indumentárias foleiras, da Sally Field e do Sean Penn.
É possível que o Hugh Jackman me faça pensar duas vezes antes de dormir, mas só se fizer aquele sotaquezinho autraliano... *Eurico de Barros no DN "FARTO, FARTINHO DOS ÓSCARES"

Ah valente!!!!

Sofia, mas olha que este video tem a sua graça : o Sarkozy a olhar para a namorada do Leo avec un décolleté plongeant. Revela que tem bom gosto para mulheres (mas isso já sabemos) e não o esconde. Deve ser uma excelente companhia à mesa, como aliás reza a história, pois foi num jantar que conheceu a sua actual mulher. Agora se ela gosta ou não deste desassossego (un petit coup d'oeil en bas, un petit coup d'oeil en haut), isso é outra história ou, eventualmente, um novo video.

Sexta-feira, Fevereiro 20

A BANDA - CHICO AO VIVO - 1966

Estalinhos e serpentinas

De novo, repete-se o cortejo de pequenas criaturas sorridentes: uma rua cheia de centopeias, polvos, joaninhas, cinderelas, noddy, piratas, monstrinhos, princesas, abelhas, ratos, feijões, tartarugas, bolas de neve, palhacinhos, dráculas, pequenas sereias, brancas de neve, cruellas e todo os tipo de bicharada.
Devo confessar que gostei particularmente da menina de panqueca, ou seria de donuts? Disfarce que apelava à imaginação e que por certo enchia de orgulho os papás criativos. Mas a criança, pobrezinha, o que não daria para ir como as amiguinhas, de perucas loiras e cinderelas dos trezentos?
Por cá, os desfiles dos foliões adultos vão dando que falar enquanto que na Alemanha, a sra. Merkel é de novo o bombo da festa, ou melhor, a bomba pin-up da festa. Uma mulher que escolheu um Ministro da Economia com aquela categoria, merecia um belo vestido de dama aristocrata do séc. XVIII.

Quinta-feira, Fevereiro 19

Fotografia: Rick Wilking/Reuters no Público

Ricas vidas

Não sei se o sr. Maddof terá tido o exclusivo de um programa no Biography Channel, onde porventura teria oportunidade de exibir as suas possíveis mansões, barcos e vida de rico. Nesta crise mundial feita de terminologia anglo-saxónica, cheia de teorias de difícil compreensão para o comum dos mortais, mas de fácil tradução na escassez das suas (e minha) bolsas, é possivel que ainda venhamos a assistir à queda de tantos heróis do sucesso que os media consagravam.

Até o rei do lavish lifestyle, o Sr. Trump e a sua magnífica família parecem já começado a perder o brilho dos tempos de fartura e mãos largas. Não sei se a notícia sobre o pedido de falência da holding de casinos de que é proprietário poderá significar alguns dólares a menos nos seus bolsos, mas parece que a facturação do jogo não está a correr nada bem.

Ainda não ouvi qualquer referência a uma eventual quebra no negócio do sexo, pelo que suponho que as carteiras do Hugh Heffner e do proprietario do rancho das coelhinhas continuem recheadas de dólares e imunes à crise.

O mesmo acontece com as estrelas do MTV Cribs , rappers, jogadores de basquetebol, futebol, actrizes e demais artistas do showbiz, que têm vindo a abrir as portas das suas casas tão milionárias quanto foleiras, exibido os seus carros topo de gama (à duzia) e mostrando o seus roupeiros exuberantes, tudo muito asséptico, arrumadinho e brilhante. Não conheço a maioria desses famosos pertencentes a outra galáxia, a anos luz dos melhores condomínios fechados da nossa praça, mas enquanto houver consumo para tanta estrela, o show há-de continuar.

Está visto que o mundo, tal como o conhecemos, não voltará a ser com antes. Quem serão os novos heróis de capas de revista, as novas estrelas do entertainment por cabo ou os novos profetas do pós-crise?

Terça-feira, Fevereiro 17

A desgraça de alguns é o sossego de muitos

Os Contemporâneos - Música de elevador PUBLICO-16.02.2009 - "O fim da música de elevador" "O dia de ontem marcou o fim de uma época - e de um género musical que provocou urticária em muitos. A Muzak, a empresa que universalizou a música de elevador, ou muzak, fazendo chegar os mais pirosos arranjos musicais aos ouvidos indefesos de milhões de pessoas, declarou-se falida. O seu nome, explica o Independent, inspirou-se no da Kodak. E quando apareceu nos anos 30, a muzak destinava-se a dar aos passageiros dos elevadores dos flamantes arranha-céus da América uma ilusão de segurança, com os seus tons doces e relaxantes enquanto subiam, subiam... Mais tarde, invadiu os aeroportos, grandes armazéns, centros comerciais, hotéis, restaurantes, aviões, etc. E a empresa até teorizou que, no local de trabalho, o facto de os funcionários ouvirem as suas músicas, interpretadas pela orquestra da casa, podia fazer aumentar a produção. Aconselhava-se a difusão de trechos musicais de 15 minutos, num crescendo de vitalidade sonora, seguidos de 15 minutos de silêncio. É provável que a música perdure, se alguém vier retomar o testemunho - embora seja de esperar que com arranjos musicais menos delicodoces. Entretanto, saboreemos estes instantes de silêncio. "

Domingo, Fevereiro 15

Costura dos lados, pregas à frente e fecho atrás

Vejo na televisão que anda por aí a moda dos homens de saias. Na reportagem, uma psicóloga social acha a reinvidicação perfeitamente natural, os estilistas portugueses dividem-se e há mesmo quem já se tenha apresentado no dia do casamento nesses preparos.
Creio que essa tendência ainda não terá chegado a Portugal. Mas isso sou eu a dizer, que saio pouco. No entanto, uma breve pesquisa no google é suficiente para sabermos o que para aí vai de prós e contras nesta causa que se me afigura desde já fracturante.
Em comentários a uma notícia sobre um desfile masculino no NYT , há mesmo quem escreva que gosta de ver os homens de saias pois são visualmente mais vulneráveis e sexualmente disponíveis - não é para isso que servem a saias? Não foi por isso que, historicamente, só recentemente as mulheres puderam usar calças? "
Pois não sei. A história da moda tem razões que desconheço, mas posso pensar no assunto .......... homem com saias? hum............. hum ......saia? .....assim? ... não? ........... hummm ................... .............. .............. hum ...........
Não consigo.
Fotografia: Victoria & Albert Museum-FASHION IN MOTION LIVE CATWALK EVENTS-Spring / Summer 2002-Men in Skirts

Dia "santo"

Há até quem viaje para outros continentes na esperança de sentir a cana vergar com o peso recorde de um peixe. Desconheço o que se pode pescar naquelas águas maravilhosas, mas como devem supor, isso não é problema que se coloque nas Bahamas. Desde que não surja nenhum furacão nem qualquer outra manifestação da fúria dos elementos, a pesca não interessa nada. Vendo bem, pouco me falta para dar a volta ao mundo por uma boa pescaria (Andros Island, Bahamas-Current Weather Saturday: Mostly Sunny High 29°C; Low 22°C )

Não se pense que o material utilizado no mar é adequado para os rios e vice-versa.

Onon River, Mongolia: A caminho do yurt na longínqua Mongólia, onde abundam umas fantásticas trutas que exigem caminhadas aventureiras. Consta nos folhetos que o programa inclui uma viagem de helicóptero de Ulan Bator (com maravilhosos templos Budistas) até às estepes da Mongólia, onde um cavalo nos leva a rios frios de nomes impronunciáveis. Confesso que estou a gostar deste espírito nómada em busca de uma boa pescaria. Talvez por isso ainda venha a apreciar as estepes do Genghis Khan, onde esse espírito é um modo de vida...

O pescador que o comum dos leitores está habituado a ver é aquele que passa horas num areal a olhar para a ponteira do canelão de vários metros. Este é praticante de surf casting, o modo de pesca mais cómodo e que consiste no lançamento das chumbadas a partir da praia. A força braçal repercute-se, normalmente, na captura de douradas. Estancia de los Rios, Chile: Diz a publicidade que fica na sombra dos Andes, a 40 milhas do Rio Cisnes. Para além de trutas, tem também uns fantásticos vinhos chilenos, tudo a fazer as delícias de um fim de semana sul americano, depois de uma curta viagem pela Colômbia com o filme "Amor em tempo de cólera". Dedididamente, a pesca com "mosca" deixou de ter segredos.

Para quem não aprecia a pesca apeada, há a variante do barco. A mais praticada é a fundeada. (Miramichi River, New Brunswick onde se pesca um fantástico salmão)

A costa vicentina é uma das melhores zonas do país para alguns dos tipos de pesca apeada.

Emerald Lake no Yoho National Park (Canada) Sunday 16 March 2008 Temperature: -2.7°C ; Dewpoint: -7.1°C ; Humidity: 72 % ; Wind: WSW 20 km/h; wind Chill: -9 É impensável utilizar na pesca de água doce linhas com a mesma espessura das que se utilizam no mar.

Quanto aos iscos utilizados na água doce, o mínimo que se pode dizer é que a ementa é... variada e exótica.

O Rio Ocreza em Taberna Seca

O apego à natureza também faz parte deste desporto, dizem os pescadores. Por isso, não levam para casa o peixe. Devolvem-no ao rio. Uma boga e um ablete rabeiam. "Estão felizes da vida, ninguém os molestou. (...)

O Rio Ponsul na Monheca

"Depois das chuvas, rios e ribeiros ganham uma nova vida. Os peixinhos, criaturas que o Pescador tem muito em conta, ficam de cara lavada, prontos para ludibriar os anzóis nesta nova época de pesca que o bom tempo traz".(Caldeirada rica) Artigo do Público sobre o vício da pesca 15-2-09

Mais andorinhas num dia com sol

Sábado, Fevereiro 14

As andorinhas num jardim de tilias e buganvilias

Sexta-feira, Fevereiro 13

The Wannadies - You and Me

A vida por detrás das estantes

Comemorou-se há dias o Dia Europeu da Internet Segura. Como toda as celebrações de efemérides, é só um dia de foguetório, avisos e boas intenções, mas não devia ser. Parece comprovada a falta de vigilância, atenção e cautela com que os pais e educadores encaram a utilização da internet sem fronteiras nem precauções. As séries americanas ficcionam realidades que se tornaram praticamente globais, os jornais e as televisão noticiam histórias que bem podem estar ao virar da esquina ou dramas de "conversas" manhosas com nicknames duvidosos.
Claro que é difícil o controlo dos meios digitais do presente, mas as solicitações são muitas e as oportunidades mais facilitadas. A curiosidade das crianças, essa é a mesma de sempre, mas agora com meios e circunstâncias diferentes.
Recordo que ainda não há muitos anos, como utilizadora de bibliotecas, reparava nas crianças, geralmente os meninos, escondidos entre as estantes, aos risinhos abafados à volta de um inocente livro de educação sexual, ou melhor, à volta das fotografias sobre o sistema reprodutor M/F. Os malandrecos do costume, com uma amostra de borbulhas e acne, arriscavam a secção de banda desenhada, com preferência para os "clássicos" Milo Manara, quase desfeitos de tanta consulta. Ou então, era vê-los em extenuantes pesquisas nas estantes das revistas de fotografia, muito concentrados nas Photo. E apesar dos filtros e por muito vigiadas que fossem as consultas na net, havia sempre algum espertalhão que furava as barreiras do permitido, mas nada que não pudesse ser controlado. Nada do que falo é de estranhar: eram tempos de descoberta nas portas abertas das bibliotecas. Recordo um livro que ocasionalmente desaparecia ou se encontrava com folhas rasgadas: o "Livro de São Cipriano", um manual para ingénuos aprendizes de feiticeiro, versão caseira dos professores karambas da actualidade. É isso, dá vontade de rir...
Claro que eu também tive o meu index particular: os livros das prateleiras superiores daquelas estantes enormes de madeira escura que dominavam paredes inteiras. Não consigo deixar de sorrir com a recordação da leitura à socapa do livrinho "A freira no subterrâneo", uma tradução de Camilo Castelo Branco, cheio de palavras difíceis e cenários de perder o sono. Apesar das intermitências, não descansei enquanto não o terminei e consegui o feito de ter chegado ao fim daquela desgraça toda sem saber o significado da palavra "amplexo". Devia ser uma coisa terrível, imaginava eu.
Muitos anos mais tarde levei para casa "A Religiosa" de Diderot com uma requisição de leitura e sem necessitar de dicionário. Continuo uma católica esforçada.

Quinta-feira, Fevereiro 12

Um pouco de crise

- O teu carro é giro. - É giro e dura muito tempo. É como as "madeixas".

Terça-feira, Fevereiro 10

Sem os tamancos do pai...

Depois da penosa série da RTP sobre o regicídio, em que os personagens conseguiam ter as barbas tão feias como as de um coleguinha meu numa peça da escola primária (sim, porque eu também já representei os clássicos)*, só mesmo o Professor Salazar na SIC, saído de uma extreme make over mal sucedida.
.
* Era sempre Gil Vicente...

Ginkgo biloba

Folha do ginkgo: o "dois" que se torna "um".
. Ginkgo biloba This tree’s leaf which here the East In my garden propagates, On its secret sense we feast, Such as sages elevates. Is it one but being single Which as same itself divides ? Are there two which choose to mingle, So that one each other hides ? As the answer to such question I’ve found a sense that’s true: Is it not my songs’s suggestion That I’m one and also two ? Johann Wolfgang von Goethe AD 1815 - Love Poem to Marianne von Willemer Ginkgo Museum - Weimar
Foi difícil a conquista do amor. Mas no final, foram felizes para sempre.

Civilização com contador

Felizmente não é muito comum (pelos menos aqui), mas por vezes acontece e parece que dura uma eternidade. Quando, por motivos estranhos ao consumo interno (tipo fusíveis), a luz desaparece das nossas casas, fica-me sempre a sensação de que não é só o dvd que endoidece ou os relógios que ganham vida própria. Com maior ou menor paciência, o interruptor que nos liga à vida doméstica ou profissional fica suspenso à espera que alguém (não sei quem, onde ou como) corra a repor a ordem das coisas, ou seja, nos permita regular de novo o tempo intermitente dos relógios irritantes.
O desaparecimento da electricidade permite, porém, ouvir barulhos que raramente escutamos. De repente, ouvem-se as vozes das casas sem os isolamentos produzidos pelos sons do quotidiano: a música, o televisor, os jogos, tudo aquilo que é susceptível de criar ruído e de que só nos apercebemos quando não existe. Na rua, os alarmes desatam a tocar como se as viaturas estivessem também ligadas à corrente e as lojas abrissem as grades ao som de megafones a pilhas.
No relativamente curto espaço de tempo (espera-se) que dura a suspensão do quotidiano e caso não haja gente presa no elevador, os sentidos andam às apalpadelas por um fio de luz , todas as urgências ficam sem sentido e os compromissos adiados. A culpa é sempre dos tipos que querem lucros na empresa, dividendos na bolsa e demonstram incompetência para com o consumidor. Quase duas horas a reparar um cabo, ou lá o que é. Onde já se viu? Quem faz o almoço para amanhâ?
Bem sei que de noite é maçador. De noite e com frio é uma chatice. A vida está ligada à corrente e o Jacinto em Tormes é ficção.

Sábado, Fevereiro 7

Modas & bordados

Terça-feira, Fevereiro 7~2006 Fim de tarde (IX) Encontrou-o por acaso naquela pastelaria onde passaram juntos tantas tardes. Era ali que se encontravam ao final da tarde antes de irem para casa. Eram felizes nessa altura. Ela podia jurar que eram felizes. Acreditava que lhe conhecia o corpo e lhe adivinhava o pensamento. Mas depois tudo fora muito difícil, doloroso. Assim que lhe vinham as recordações ou lhe pressentia uma presença que ela sabia não existir, afastava o pensamento e reprimia a ilusão.(...)
O Bocage é para despistar, porque o quero mesmo é falar de uma irritação pessoal, que vai crescendo com a idade e com ela uma observação mais crítica e mais extremada, da qual não tenho particular orgulho. Mas há alergias, anti-corpos, nervinhos e até um dois adjectivos menos simpáticos, no entanto, a carne é fraca para tanta expiação de pensamentos, palavras, actos e omissões. Falo de tiques, meus amigos. Tiques de fotografia para jornal, revista, panfleto, ou o que quer que seja que tenha uma fotografia tipo passe com uma mãozinha a segurar o queixo ou a esconder algum abcesso invisível.(...)

Um turista que chegue a Lisboa deve ficar um tanto ou quanto baralhado com a diversidade de souvenirs que pode levar para o seu país. Eu própria nunca me tinha apercebido do bric a brac que existe nessas pequenas lojas de recordações, até ter, por curiosidade, entrado numa delas. De Espanha trazemos o merchandising ligado ao futebol, às touradas, as bonecas sevilhanas, as miniaturas de pratas e espadas de Toledo, os leques e, em tempos remotos, os caramelos e o brandy de cujo nome já não me recordo. Os alemães continuam a vender vestígios infindáveis do Muro de Berlim, o Beethoven pisa-papéis, o busto do Bach, as canecas de cerveja e de novo o merchandising de futebol. A Aústria tem os licores, o Mozart pisa-papéis e a Sissi. Da França trazemos os porta-chaves Torre Eiffel, o Arco do Triunfo pisa-papéis, e ainda o futebol. Do Egipto compramos por todo o lado o gato Bastet, o escaravelho, os bustos da Nefertiti e do Ramsés e pirâmides pisa-papéis. Da Inglaterra, qualquer prato com a família real ou um urso do Harrods custa um disparate, mas um dedal-Diana, um lápis com os guardas da Torre de Londres ou um bloco de notas com os Double Deckers ainda se conseguem a preços módicos. A Itália tem muito por onde escolher entre o Vaticano e o Coliseu, mas em Portugal? (...)

Sexta-feira, Fevereiro 6

Há dias assim

Moose burger or caribou dog?
"It's the same with white people.They cleared the forest, they dug up the land,and they gave us the flu. But they also brought power tools and penicillin and Ben and Jerry's ice cream."

Quinta-feira, Fevereiro 5

De volta

Dr. Hadley: We can have anything.

Lou: No we can’t. We can aspire to anything, but we don’t get it just because we want it. I would rather spend my time close to the birds than waste it wishing I had wings.

Do 1º episódio da nova série do Dr. House

Quarta-feira, Fevereiro 4

Aqui tão perto

Sou pouco dada a choros públicos e assim que pressinto uma desgraça, fujo dela como o Maomé do toucinho. As tragédias, as lágrimas e os desgostos ficam à porta fechada, ou melhor, fica aberta aos que partilham conosco os mesmos sentimentos ou entreaberta a quem respeita as nossas fragilidades, que são poucos.
Mas a verdade é que nem sempre as emoções se podem evitar. Não falo da lagrimita fácil do filme piegas (quase sempre devido à pdi, leia-se identificação), mas à vida dorida que nos entra em casa, desgraças alheias que a televisão nos relata, como a miséria dos velhos agredidos pelos filhos ou o desempregado de meia idade sem futuro nem dinheiro.
São reportagens da vidas dos velhos a quem a nora bate, o neto rouba, o filho humilha "Ninguém nos liga, sabe como é as terras de província... O meu filho encostou-me o pé ao peito e eu gritava não me faças mal, não me faça mal... apanhou-me o livro de cheques e levantou 600 contos....que faço? mando prender o meu filho?... que ando cá a fazer?". E no meio de tanta miséria, vão surgindo criaturas bondosas com um saco de pão ou palavras amáveis. Gente anónima sem prebendas nem condecorações, tão anónima como os velhos a quem ajeitam as camas.
É a tragédia do desempregado da indústria local, um emprego vivido até ao fim como um homem sério, a quem perguntam ter valido a pena a seriedade e que, de lágrimas nos olhos responde que não. Tem uma grande mulher, desabafa com comoção.
São as desgraças de um país aqui tão perto, ao virar da esquina, como o jovem que tirou da mãos do homem que fazia a distribuição, a caixa que este mal podia suportar.

Gato Fedorento

Antigamente, as pessoas deitavam os velhos em todo o lado, na praia, na rua , nos baldios.. era muito feio. Felizmente, hoje em dia temos o velhão. Existem mais de 600 pontos de recolha espalhados pelo país. Assim, quando quisermos deitar um velho fora, só temos que nos dirigir ao velhão da nossa área de residência. Nunca mais estorva, não fica à vista de toda a gente, que é feio. No chão, não. No velhão!

Domingo, Fevereiro 1

"The Inauguration. At Last.

Absolutamente fantásticas as ilustrações de Maira Kalman do Dia de Obama
Wonderful words.
Hallelujah!
.
ou as palavras da Ana Cristina, que mais uma vez me envia maravilhas: "... luz e pureza do outro lado do Atlântico...ALELUIA"
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