Sábado, Janeiro 31

Eddie Cantor- My Baby Just Cares For Me (Da Caldeirada Rica)

Sexta-feira, Janeiro 30

A moda no frio

Basta andar pelas ruas de Lisboa para constatar que os jovens andam mal agasalhados. Bem sei que têm sangue na guelra, mas mesmo assim, que falta lhes faz um casaco quente que lhes resguarde os traseiros, as barrigas e o pescoço desabrigado.
O cachecol, companheiro de invernia, tem agora outra função que não a de agasalhar: fica giro no decote, de comprimento exagerado quanto inútil e de materiais sem a função de aquecer.
Claro que o frio por cá é para "amadores". Como escreveu o Francisco, "Quando eu era miúdo (bom, eu vivia no meio do frio) vestíamos de Inverno, de meia-estação (bem vistas as coisas, a estação «mais elegante») e de Verão. No Inverno, se havia frio, vestíamo-nos para o frio. Hoje, na verdade, algumas pessoas queixam-se do frio mas estão vestidinhas para um Outono morigerado, com brisas tépidas durante a tarde e sopro de Norte depois do crepúsculo". Vendo bem, não é fácil encontrar um bom casaco comprido ou um agasalho decente. Mesmo no pino do Inverno, os expositores dos grandes armazéns misturam um abrigo assim-assim com blusinhas ligeiras, casacos curtos e trapos giros. Tudo muito leve, subido e raras vezes com qualidade, porque essa paga-se muito cara, é um facto. Veêm-se uns gorros e luvas de dedos à mostra, mas não passam de adereços decorativos.
Há uns tempo tentei comprar uma "canadiana", daquelas que sempre usei na minha terra com frio verdadeiro, um verdadeiro mistério para as jovens vendedoras que por pouco não me sugeriram uma casa de produtos ortopédicos.
Recordo com saudade a minha mãe sempre a tricotar e a enorme colecção de agulhas que tinha arrumadas aos pares numa coisa de que não recordo o nome, que se enrolava e fechava com um laço. Eu era praticamente uma inútil: ainda hoje guardo a única camisola de lã que tive a iniciativa de começar e que tiveram que terminar por mim para que a pudesse vestir ainda durante o Inverno.
Mas aquilo tinha a sua ciência. A escolha das lãs era criteriosa, calculava-se o peso necessário (as empregadas sabiam tudo), escolhiam-se as cores (as famosas lãs metidas), sugeriam-se os números das agulhas, a qualidade do material e o preço que se podia pagar.
Havia ainda quem gostasse de camisolas feitas à máquina, que já devem entretanto ter desaparecido do mercado ou os conjuntos da Sidney ou da Tiffany para os mais abastados. Também se encontravam marcas nacionais, se bem com modelos bastante desajeitados, mas a oferta era pouca. Claro que nada daquilo era particularmente bonito ou elegante, mas serviam para aquecer e duravam muito tempo, era para isso que eram feitos.
Recordo-me das minhas golas altas com "torcidos", perfeitas, quentes, intemporais. A falta que me fazem aquelas mãos...
O que não se destrói, o que se conserva, o que se estima, do que se tem orgulho, o que se deixa ao futuro: o património, a natureza, a simplicidade, ou seja, a sabedoria.
Fez bem o caro Jansenista em recordar António Maria Pereira, advogado e grande defensor dos Direitos Humanos e dos Direitos dos Animais, falecido recentemente.
"Foi o pai dos direitos dos animais em Portugal e o autor da primeira lei de direitos dos animais na Assembleia da República, em que foi ridicularizada pelos colegas", nas palavras de um dirigente da SOS Animal.
Aqui fica o meu reconhecimento, no meu blog sem agenda nem talento, mas sempre com lugar para gente mais humana.

Quinta-feira, Janeiro 29

The Beatles - Blackbird . ando enredado, confesso, em pontos de introspecção e às vezes sinto que em vão em mim mesmo me atravesso. é certo que nunca meço uma angústia até ao fim, há sempre um não contra um sim, como sombra que não passa, e assim, e por mais que faça, comigo me desavim. (...) * Vasco Graça Moura: poema inédito para o Abrupto

Quarta-feira, Janeiro 28

Terça-feira, Janeiro 27

Golpadas

Aproxima-se pela direita, pela esquerda ou pela rectaguarda, sempre que seja possível o golpe, passar os outros ou chegar-se mais à frente nas saídas resguardadas por traços contínuos duplos. Desconfio que se ria das manobras que julga inteligentes, de alto gabarito, do fantástico desempenho que o há-de levar mais longe, mais rápido, mais cedo que os outros, os tolos alinhados à espera de vez. Tipos a quem chamam "assertivos", penso eu. Também os vejo muito nas laterais de emergência, certos de que vale a pena arricar, não há lei nem ordem, nem ambulância à vista que os impeça de mais uma esperteza ardilosa, da golpada bem sucedida. A sorte protege os temerários, enquanto avança corajoso, sozinho ou mesmo acompanhado pelo kit da felicidade, deixando para trás os tipos que não arriscam, logo não petiscam. Devem ser os mesmos anjinhos que ele vê sair dos parques de estacionamento a preços milionários, gente pouco preparada para galgar a calçada portuguesa ou objectores de consciência da 2ª fila, cobardolas, havia de ser com ele, um profissional da escalada nos passeios públicos à borla.
E quando nas fila cansadas de esperar, alguém toma a ousadia do primeiro golpe, da fuga para a frente ou pelos lados, é vê-los sair, um ou dois a medo, logo seguidos de muitos, que não querem ficar para trás, não hão-de querer ser toscos, os panhonhas que se deixem ficar, quem não arrisca não petisca, tempo é dinheiro, não são menos que os outros, candeia que vai à frente é que alumia.
São assim as viagens pelas vias urbanas, ninguém mas contou: vejo-os todos os dias de manhã ou ao final da tarde, os tipos muito mais espertos que eu, os gajos ou as gajas das golpadas. Os que se safam melhor, mais cedo, mais rápido, limpinho.
Também se podem ver nas filas únicas com uma única caixa aberta. Assim que outra entra ao serviço, saltam todos dos últimos lugares para a frente do plutão, indiferentes a quem chegou mais cedo. Mexam as pernas, os parolos.
E que dizer dos incautos que, por desconhecimento ou falta de informação, não tiram de imediato as senhas de atendimento?? Nada a fazer, tarde demais: tornam-se invisíveis aos olhos de quem chega depois, que ninguém tem culpa que não puxassem logo do papelinho com número. A lei é a lei e a ordem é muito bonita, basta olhar fixamente para os dígitos no écran.
Se virem uma madura condenada a esperar por vez ou a ficar para trás na filas de trânsito, da farmácia ou das bomba de gasolina, posso ser eu.

Domingo, Janeiro 25

Da blogoesfera et al.

O Luis M. Jorge vai para outra freguesia e deixou um post lindo: "...Podemos ser prósperos em agonia? Podemos. Baixamos a cabeça e seguimos em frente — muito tristes, nem sempre muito sábios." Como o compreendo.
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O Paulo Pinto Mascarenhas está de novo na blogoesfera. Sozinho mas com muitos amigos.
Anda por aí a moda do Twitter e não percebo muito bem o que é aquilo. Enquanto isso, no facebook aderi às causas Boring People to Death with your PowerPoint? e Stop "Trying to be a model" pictures on facebook, mas a minha favorita continua a ser "El Boton Del Semaforo Nunca Sirvio".
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Leio no Público de hoje que um infantário em Sines é assaltado pela sexta vez para roubarem comida das crianças.
E continuo a ler com gosto o António Barreto "Se tivéssemos uma justiça à altura, toda a crise actual seria mais suportável. Não haveria mais emprego. Mas a sociedade seria mais decente". Eu diria mais: é a falta de justiça que nos vai minando a dignidade. Sei do que falo.
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Entretanto ando com os olhos em Saint Barthélemy e na Baja California Sur, mais propriamente em Los Cabos. Bem longe daqui, com tempos mais amenos.

Sábado, Janeiro 24

Frank Sinatra Luck Be A Lady at Bellagio Hotel Las Vegas

Hoje à noite, no canal dois passa o filme Soylent Green. Não me consigo recordar do local onde o terei visto, pois parece-me pouco provável que tenha sido no antigo cine-teatro da minha terra.
A ficção científica no seu melhor, com os terráqueos alimentados a pasta verde, com gente capaz de matar por uma colherzinha de acepipes raros (descubra quais) e onde rios e serras são uma miragem.
Um excelente filme para um serão de maduros.

Sexta-feira, Janeiro 23

Este blog encontra-se geminado com Pebble Beach, no sossego de Carmel-by-the-sea

Todos valentes, todos diferentes

Contra mim falo, tantas vezes a cantar de galo ou galinha, armada em mulher valente e tal, mas tento sempre não voltar a pecar. Quando os ouço, a eles e a elas, "se fosse comigo" ou "se fosse eu" em situações contadas em segunda ou terceira mão, confrontadas com condições que não podem prever, controlar ou rebater, dá-me logo para a defesa das fragilidades, das minorias.
Sim, porque são muito valentes, "havia de ser comigo", desprezando circunstâncias pessoais, o carácter, o estado de espírito ou a vulnerabilidade. Podia ter dito, podia ter feito, assim e assado, batia o pé, pois era, mas não foi.
"Eu dizia-lhe isto", "falava-lhe daquilo", mas quase sempre algum tempo depois e na sala ao lado.

Terça-feira, Janeiro 20

Crónica Visual - Miguel Madeira para o Público de 18.1.09

Também quero

Fazia ideia de escrever qualquer coisa sobre o dia de hoje, cheio de Obama por todos os lados. A verdade é que não sou entusiasta destes grandes acontecimentos e quase que sentia o frio que vinha de Washington. Mas o Fernando Martins com simpatia, iludiu os leitores do Cachimbo, convencido de que tenho opinião sobre a roupa que vestiram as Sras. Obama e Biden. Lá ter, tenho, mas a verdade é que não abona muito a favor das escolhas das damas para a ocasião. Senão, vejamos: O fato de Michelle, apesar de confeccionado com tecidos fabulosos , (não era um naperon de croché, Fernando) mais parecia um Ferrero Rocher (a expressão é de uma amiga). Segundo o repórter da SIC, a escolha por uma costureira cubana significava "abertura, multiculturalismo" ou algo parecido. Eu teria aconselhado um dos muitos fantásticos costureiros americanos (os meus preferidos) que saberiam escolher o modelo mais adequado para a ocasião, mas a verdade é que ela estava mesmo feliz com o seu chocolatinho suiço. "I wanted to pick a very optimistic color, that had sunshine,” disse a estilista. “I wanted her to feel charmed, and in that way would charm everybody". A mim, não encantou coisa nehuma e estou certa de que mesmo os mais aficionados do casal Obama me hão-de dar razão.
Mas mal, mauzinho, era a fatiota da Sra. Biden: o vestido cinzento (que também podia ser meu) era demasiado curto, mais apropriado para um jantarinho de família, os saltos das botas não davam com nada, além de que deve ter passado um frio desgraçado. Não haveria um Tim Gunn por perto?
Como seria previsível, a mulher mais bem vestida era a Cindy McCain, mas estava fora do casting, e as meninas Obama apresentaram-se encantadoras. Eu gostaria de ver o outro candidato na Presidência, mas Obama estava impecável, muito elegante e genuinamente feliz.
Mas verdade, verdadinha, o acontecimento do dia foi o regresso a casa da gata Camila, após três dias no hospital veterinário. Lá está ela no seu canto, o que nos reconcilia com a vida.
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Adenda: O vestido de baile, em chiffon creme, criado por um dos vencedores do programa "Project Runway", era pavoroso, um modelo cortinado que não lhe ficava nada bem. Vestidinhos de ombro ao léu não é para todas. Remember Nancy?.

Sábado, Janeiro 17

Sexta-feira, Janeiro 16

Sem rosto

É o primeiro filme de Spielberg, realizado para televisão, ainda hoje com algumas das cenas mais perturbadoras do cinema. Não sei bem a razão, mas recordo o Duelo muitas vezes. Conta a (história?) de uma perseguição macabra de um camião, conduzido por alguém a quem nunca vemos a cara mas somente os braços e as botas, a um carro vermelho conduzido por um vendedor aborrecido com a mulher. Praticamente o filme não tem diálogos e são poucas as personagens com quem se cruzam durante o trajecto. A película é feita de pó, paisagens inóspitas, fumo dos escapes, roncar de buzinas, um café de beira de estrada e manobras assassinas sem razão aparente feitas por um desconhecido que persegue alguém por motivos desconhecidos.
Suponho que seja isso que cria o medo. O medo do desconhecido. À semelhança da inexplicável agressividade de um tubarão ou de pássaros aterrorizadores, no Duelo vemos uma ameaçadora perseguição feita por alguém que desconhecemos a um viajante que, curiosamente, se chama Mann.
O assustador no filme não é o medo de alguém (porque não o vimos), mas o medo de alguma coisa, de uma máquina gigante, assustadora, anónima, irracional como um pesadelo sem rosto nem explicação.
Os pesadelos adquirem muitas formas, não necessariamente a forma de uma bota de pele de cobra.

Quarta-feira, Janeiro 14

O luxo da exclusividade

Contemporâneos - Futebolista: Profissão com futuro Ao cuidado do Miguel

Segunda-feira, Janeiro 12

O Impensável passou-me uma corrente cheia de nós que tive que desatar. Assim de repente, foi o que saíu: A fotografia (Moncorvo) Uma banda? Beatles. 1 - Homem ou mulher? Luck Be A Lady 2 - Descreve-te: Just Like A Woman 3 - O que pensam de mim? Let's Keep It Between Us 4 - Como descreves o teu último relacionamento? GET OFF MY CLOUD 5 - Descreve o estado actual da tua relação:I wanna be loved by you 6 - Onde querias estar agora? First We Take Manhattan 7 - O que pensas do amor? There Must Be A Way 8 - Como é a tua vida? LIFE IS SO PECULIAR 9 - O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Dance Me To The End of Love 10 - Escreve uma frase sábia: God Only Knows
De caminho, vai para o Adolfo Mesquita Nunes, Alexandre Soares Silva , Berra Boi , Rui Carmo e Pedro Rolo Duarte . Se não estiverem para se chatear, amigos como dantes.

Sábado, Janeiro 10

Bibliotecas itinerantes de quatro patas

Acabam de me enviar esta notícia: um etíope residente nos EUA criou uma meritória fundação: Ethiopian Books for Children and Educational Foundation (EBCEF), que funciona também como editora. Muitos dos livros que se vêem na fotografia, a viajar no dorso do burro, foram já publicados pela EBCEF, que as crianças etíopes tanto gostam de admirar, se bem que muitas não saibam ler e muito menos conhecem a língua inglesa, pelo que a maioria prefere livros publicados em Amharic. Sendo um dos meios mais comuns de transporte e carga em meios rurais, o burro vai levando os livros pelas ruas, com paragens à porta das escolas primárias, sempre rodeado por crianças que correm ao seu encontro, com destaque para a Rainha Helena, mascote deste projecto e rainha de todos os burros. Para o fundador do projecto " If we are interested in changing the world then we have to read". Parece simples.

Sexta-feira, Janeiro 9

Do mundo

Roman de la Rose Digital Library, jornais digitalizados oferecidos pela National Library of Australia, livros, música, mapas, imagens, manuscritos e audio também da NLA. European digital library, British Library (page-turning functionality), A Tate com "Write your own label", Minerva -Handbook on cultural web user interaction, Judaic Digital Library, The Claremont Colleges Digital Library e A Guide to Digital Collections, Mark Twain Project, à atenção do Jansenista, muitos locais para aprender o mundo.
Capela Scrovegni
Todas as exposições deviam ser assim. Pagas - a conservação das obras-primas custa dinheiro- à guarda de mulheres de meia idade directamente interessadas na exposição, de mãos e rosto fino,voz doce, sempre prontas para uma explicação e que quando repreendem é com suavidade. Com marcação prévia e tempo limitado.
No Natureza do Mal, um blog admirável.

Quinta-feira, Janeiro 8

Baby, it's cold outside by Ella Fitzgerald and Louis Jordan

No quente

Bem sei que estou a escrever com 27 o, mas isto das notícias constantes sobre o frio é uma seca. Estou como o Francisco: "Andamos mariquinhas com o clima. Chove na época das chuvas? Neva no Inverno? Faz calor no Verão? Caiu granizo? Há geadas em Novembro? Alerta amarelo. Há um vírus de gripe por aí? As urgências entupidas e alerta amarelo."
Hoje de manhã, uma televisão ensinava como preparar as crianças para o frio: várias camadas de camisolas quentes, não em excesso para não enchouriçar, (a expressão é minha), proteger a cabeça e os pés. Outra televisão avisava do perigo das botijas, lareiras e braseiras, e todos se atropelavam na tenda para os sem-abrigo montada pela Câmara de Lisboa, com jornalistas indiscretos à cata de boas histórias, ou seja, histórias de vida desgraçadas. Talvez por isso não se ouviram perguntas tolas sobre a forma como enfrentava o frio gente que num país que desconhecem, toda a vida viveu com o frio no Inverno e calor no Verão. Só na cabeça daqueles jornalistas é que isto se transforma num problema. O que talvez não saibam é que, em muitas das aldeias portuguesas, em que o Inverno enche as páginas da necrologia da imprensa regional, terras desertificadas de força de trabalho, o problema é a inexistência de gente que faça chegar a lenha a casa dos mais idosos. Mais do que a solidariedade institucional e terminada a rede social que a igreja mantinha, só a amizade dos que ainda podem lhes tornam os serões menos frios.
Também podiam ser notícia os milhares de crianças que diariamente se deslocam em autocarros das aldeias para os estabelecimentos de ensino mais próximos, que se levantam com as galinhas e, com um frio de rachar, lá vão elas, curva e contra-curva por estradas manhosas, a tempo da primeira aula da manhã. Sei do que falo: fui uma delas, felizmente por poucos anos em doze quilómetros de estrada razoável.
Bem sei que escrevo com uma temperatura de quase 27 graus, mas nunca me esqueço daquela manhã em que deixei no autocarro o saco novinho em folha com o material para a aula de desenho e, quando cheguei à escola lavada em lágrimas, estava uma mulher à porta da escola a tentar encontrar-me com o saco na mão.
As voltas que o frio deu ao post.

Bookmark

"O Inimigo Gourmet vai chegar! Quando todos falam em crise e se acobardam, o INIMIGO dá o exemplo de coragem: expande-se e alarga os seus tentáculos. Dentro de poucas semanas colocaremos o IP on-line e vamos condensá-lo a 8 páginas de notícias gourmet, o que, segundo o MIT, é o tempo ideal de leitura nas instalações sanitárias. E vamos mudar para 5ª feira – porque os portugueses vão todos meter baixa à 6ª e queremos continuar a ser lidos no ambiente de trabalho. "VIDEO lançamento
Pensei que fosse alguma coisa sobre cozinha ou gastronomia, pois hoje em dia saltam cozinheiros, gastrónomos e críticos debaixo de cada pedra, revista ou televisão. Afinal, é só uma edição em linha.
Diz o director que contrataram consultores norte-americanos para daram uns bitaites sobre o novo site. Só espero que tenham sido colegas ou assessores do Obama. Senão, não contem comigo.

Quarta-feira, Janeiro 7

The Video Fireplace - Stay Warm This Winter

Com o blog na botija

Esta cidade não é para o frio. .

Segunda-feira, Janeiro 5

Domingo, Janeiro 4

Da blogoesfera

Conservem a Tricana
Lisboa-Faro
Antes que ele liquide o post, a viagem que o maradona, aliás, ferro-tele-fotógrafo "registou com o seu Nokia 5310 a melhor relação natureza-viagem de comboio do país: quando o Intercidades Gare do Oriente-Faro atravessa o Estuário do Sado, nas planícies alagadas entre Águas de Moura e Alcácer do Sal.
(...) O ferro-tele-fotógrafo (e as pessoas normais) gosta muito mais do serviço Intercidades que do Alfa-Pendular. As janelas do Alfa-pendular são umas frestas fuscas que não deixam ver a paisagem ou o céu, e nem sequer deixam incólume a luz natural (que é, como todos sabemos, uma das coisas mais terriveis que Portugal tem), antes filtrando-a para um tom azul-lodoso, como se se o passageiro estivésse a mergulhar no Rio Amarelo"(...)
A causa foi modificada com o Nokia 5310

Sábado, Janeiro 3

A blogoesfera só me deu coisas boas: permitiu-me conhecer pessoas que de outra forma não teria conhecido, artigos em revistas, programas de rádio, encontros de bloggers aqui e nas ilhas, mas sobretudo e, principalmente, deu-me amigos. Bons amigos que conservo e com os quais me sento muitas vezes à mesma mesa. Com a maior parte deles, é possível que a ideologia nos tenho unido, mas os outros, nem isso. Tornámo-nos amigos porque sim, porque nos damos bem, porque com inteligência e sensatez afastamos os desentimentos da amizade ou simplesmente porque gostamos uns dos outros.
Tudo isto e os leitores que aqui vão passando. Nunca me esqueço que tenho leitores, os melhores leitores do mundo, que me acompanham nos bons e nos maus posts, nas festas e na melancolia.
Este post é para o Paulo Pinto Mascarenhas, no dia em que deixa o blog Atlântico.
Recordo com gosto os artigos que escrevi para a revista Atlântico: em Dezembro publiquei um texto sobre prendas de Natal, em Janeiro sobre o dia seguinte às festas, outro sobre bibliotecários famosos, e ainda outro sobre o livro.
É certo que nada disto fez de mim uma aspirante a escritora, mas deu-me a satisfação de estar entre gente conhecedora e que me tratava bem, a mim, a quem ninguém conhecia dos liceus, de relações de amizade, ligações partidárias, familiares e muito menos pela minha linda cara. Para o Paulo, o desejo sincero de um grande êxito profissional.
E espero que projectos como o blog Atlântico não desapareçam, mas que se transformem. Tal como no passado, fazem agora muita falta.

Sair de casa

Nos ataremos a cada árbol ...

Depois do Príncipe Carlos, uma ex-miss Espanha convertida à aristocracia pelo casamento. Sempre achei graça à Baronesa, mesmo quando se deixa fotografar em ambientes pink para as revistas del corazón. Que se danem os que a desprezam. A verdade é que conseguiu para Espanha uma das melhores colecções de pintura do mundo, uma mulheraça cheia de espírito empreendedor que não se limita a passear a herança milionária em passadeiras vermelhas do ócio e do desperdício.
Para além dos milhões e talvez por causa dos milhões, não hesitou em atar-se a uma árvore, desafiando arquitectos vip e autarcas, unindo à sua volta ambientalistas e defensores da cidade, para lutar contra a razia no espaço verde junto ao passeio do museu, que os bucrocratas ousaram deliberar abater.
"Quieren ponernos una autopista delante, y encima lo harán cortando una arboleda única", afirma Carmen Thyssen al referirse a la vía de cinco carriles de coches que caerá en el lado del museo y que obligará a mover los árboles centenarios que hoy respiran frente a ella. "La gente que venga a nuestro museo será la que se trague el monóxido de carbono... Detrás de esta colección hay muchos años de trabajo y sacrificio y me da mucha pena ver cómo se la maltrata. Me siento dolida, ofendida y molesta".
Grande mulher! Link El Pais Fotografia

Ricas vidas (3)

Tendo sobrevivido a uma passagem de ano de champanhe de marca italiana manhosa com rolha plastificada (houve mesmo quem sugerisse que fosse chinês) e porque no primeiro dia do ano o país tem as portas fechadas, nada melhor que mudar de calendário com ar e vento entre bátegas de chuva.
Sugeriram-me amigos, já que me encontrava no Alentejo, que fosse visitar a capela de um antigo mosteiro agora convertido e adaptado a hotel de cinco estrelas com spa embutido. De caminho, visitava também as zonas não exclusivas a clientes e depois que telefonasse a dizer o que achava.
Não passei do parque de estacionamento: há muito que não via tantos carros topo de gama. Saio pouco, bem sei. Houve tempos em que me eram permitidos alguns pequenos luxos, but not anymore. Nem sei bem explicar o que significaram para mim aquelas largas dezenas de viaturas contabilizadas em muitos milhares de euros. Foi como se de repente estivesse quase do lado de lá dos que têm pouco e aqui estivessem os que têm muito, sem ninguém pelo meio. Foi como se repente tivesse percebido que esse conforto do remedeio tivesse deixado de existir.
Obviamente que nada me move contra quem aqui pode pagar estadas que a mim me parecem milionárias. Não é lindo de dizer, mas invejo-lhe os programas desintoxicantes, o sushi, a lagosta suada e as massagens relaxantes. Eu própria estou em dieta caseira: não como farináceos nem açucar ou bebo álcool há dois dias. E até faria massagens e exercício em condições se este país fosse decente com ginásios decentes a preços decentes.
E foi assim que demos meia volta e voltámos para trás: é tão dissuasor um hotel cheio de milinários como uma mega centro comercial atafulhado em altura de festas. Visto estarmos no Alentejo e como latifundiários já não existem, talvez houvesse por lá muitos rendeiros ricos. Sem ofensa, claro.
Haja justiça e saúde.

Quinta-feira, Janeiro 1

Convento da Cartuxa, Alto de São Bento - Évora
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